Opep completa 50 anos com menos força do que no início | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 10.09.2010
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

Opep completa 50 anos com menos força do que no início

Em 1973, a grande crise do petróleo mostrou ao mundo ocidental o poder da Opep. De lá para cá, as fontes alternativas de energia e a concorrência de outros países produtores diminuíram a força do cartel.

default

Sede da organização, em Viena

No dia 10 de setembro de 1960 começava em Bagdá a conferência de fundação da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Quatro dias depois, em 14 de setembro, sua criação seria ratificada na capital iraquiana pelos representantes da Arábia Saudita, do Irã, do Iraque, do Kuwait e da Venezuela.

Num contexto mundial de queda do preço do petróleo, o objetivo dos países fundadores era controlar a exploração das reservas e garantir os lucros determinando cotas de extração. Eles queriam se impor diante do poder das companhias petrolíferas ocidentais e fazer frente ao que consideravam uma política injusta de preços.

Atualmente o único cartel de países exportadores de petróleo tem 12 membros, que, segundo a própria Opep, extraem um terço do petróleo produzido no mundo e detêm 80% das reservas do planeta.

Desde 1965, a sede da organização fica em Viena. Na capital austríaca, a organização promove várias conferências anuais, nas quais os países-membros definem cotas de extração a fim de estabilizar o mercado. Embora nem sempre todos cumpram o estipulado, nunca houve sanções contra algum membro.

Petróleo como instrumento de pressão

Na época de sua criação, a Opep não foi levada muito a sério pelo mundo ocidental. Só em 1973 é que o poder da organização se fez sentir pela primeira vez. E não apenas o poder econômico, mas também o político.

Na época, o cartel usou sua força para interferir no conflito do Oriente Médio. Em 17 de outubro de 1973, os países produtores de petróleo anunciaram que passariam a produzir menos, mas a preços bem mais altos. Com isso, pretendiam forçar os países importadores a ficarem do lado árabe na guerra do Yom Kipur, que opunha Egito e Síria a Israel.

Era o início da grande crise do petróleo de 1973. Acuados, os países ocidentais determinaram drásticas medidas de economia de combustível. Entre elas estavam a proibição, imposta por vários países europeus, à circulação de veículos em um dos dias da semana e a introdução do horário de verão. Em todo o mundo, foi iniciada uma busca por novas jazidas de petróleo e por fontes alternativas de energia, para diminuir a dependência em relação à Opep.

NO FLASH Die Förderanlagen fuer Rohöl der stattlichen Ölgesellschaft Petroleos de Venezuela S.A. (PDVSA)

Campo de petróleo na Venezuela

A pressão da Opep sobre os países industrializados acabou dando origem a reviravoltas políticas no Ocidente. O boicote ao petróleo preparou o terreno para o movimento ambientalista, que começou a questionar as ideologias de crescimento vigentes e o uso do petróleo como principal fonte de energia.

Além disso, a crise de 1973 fez com que as companhias petrolíferas fossem prospectar petróleo em outras regiões do planeta, o que levou a uma diversificação do mercado. No Brasil, deu origem ao Proálcool, programa estatal de incentivo ao uso de etanol como combustível.

Atentado terrorista em Viena

Após a crise de 1973, o conflito de interesses entre os membros do cartel aumentou. Nações mais pobres, como a Argélia e a Líbia, queriam vender mais petróleo a preços mais baixos para modernizar suas economias. Os xeques do petróleo não concordavam, o que gerou conflitos internos. Supõe-se que um deles tenha se desdobrado na Europa.

Em 21 de dezembro de 1975, a central da Opep na Áustria foi invadida por seis terroristas – liderados por Carlos, o Chacal – durante uma conferência ministerial. Os 70 reféns foram obrigados a voar com os sequestradores até a Argélia e a Líbia, deixando três mortos e um caos generalizado na sede em Viena.

O presidente líbio Muammar Kadafi teria sido o mandante do ataque. O alemão Hans-Joachim Klein, um dos terroristas, diria mais tarde que o objetivo era obrigar os países da Opep a uma maior solidariedade com os palestinos.

Alguns diplomatas envolvidos acreditam hoje em objetivos mais profanos: Kadafi queria demonstrar à força sua irritação com a política de preços da organização.

Perda de influência

Também guerras entre os países-membros provocaram aumentos recordes dos preços do petróleo, como em 1979, após a queda do xá da Pérsia e a subsequente guerra entre Irã e Iraque, ambos membros da organização. Nesta época, a Opep era responsável por 40% da produção mundial de petróleo.

Em 1982, as medidas de economia e a concorrência cada vez maior de países produtores fora da Opep causaram uma queda no faturamento dos membros do cartel, como afirmou o então diretor da Shell, Peter Mieling: "Esta situação significa menos lucros para os países da Opep, pois o consumo diminui consideravelmente enquanto aumenta a concorrência de países que não integram a organização".

Hoje, muitos especialistas veem a Opep enfraquecida. "Ela perdeu muito de sua capacidade de determinar preços", afirma o cientista político alemão Andreas Goldthau, autor de um livro sobre a organização. "Mas acho que ela ainda tem relevância e poder."

O iraquiano Fadhil Chalabi, que foi secretário-geral da organização nos anos 1980, diz que a crescente demanda por energias limpas e os esforços dos Estados Unidos para se tornarem menos dependentes de petróleo estrangeiro enfraquecem a Opep.

"Essa situação afeta o crescimento do consumo", diz o especialista, que comanda o Centro de Estudos Globais sobre Energia, em Londres.

Na opinião do ministro de Energia do Equador (país-membro da organização), Wilson Pastor-Morris, a Opep reconquistará influência quando a demanda por petróleo voltar a crescer na Ásia. "Há 50 anos, o petróleo estava nas mãos das companhias petrolíferas; hoje, quem decide sobre ele são os países produtores. Essa era a meta principal, que foi atingida pela Opep."

RW/dw/dpa/rtr
Revisão: Alexandre Schossler

Leia mais