ONU teme que tensão em Gaza possa piorar nos próximos dias | Notícias internacionais e análises | DW | 31.03.2018
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Mundo

ONU teme que tensão em Gaza possa piorar nos próximos dias

Secretário-geral pede investigação independente sobre choques que resultaram na morte de 16 palestinos no início de jornada de protestos convocada pelo Hamas.

Sitzung UN Sicherheitsrat zu Gaza-Unruhen (picture-alliance/AP/M. Altaffer)

Reunião do Conselho de Segurança da ONU. Encontro não contou com participação dos israelenses.

A Organização das Nações Unidas (ONU) apontou o temor de que a situação na Faixa de Gaza se deteriore nos próximos dias e pediu que Israel só utilize "força letal" como último recurso.

As afirmações foram feitas pelo subsecretário de Assuntos Políticos da ONU, Tayé-Brook Zerihoun, em uma reunião de emergência convocada pelo Conselho de Segurança para analisar a violência registrada na sexta-feira (30/03) na Faixa de Gaza.

Pelo menos 16 palestinos morreram e cerca de 2 mil ficaram feridos no início da Marcha do Retorno, uma jornada de protestos organizada pelo Hamas na fronteira entre Gaza e Israel, que deve durar até maio.

No relatório apresentado ao Conselho, Zerihoun fez um relato das diferentes informações recebidas pela ONU sobre os incidentes violentos e disse que estava monitorando de perto a situação. "Existe o temor que a situação possa se deteriorar nos próximos dias. É imperativo que as crianças não sejam utilizadas como alvo", afirmou o subsecretário de Assuntos Políticos da ONU.

Zerihoun pediu que as tropas israelenses assumam uma postura de "máxima contenção", a fim de evitar mais mortes. "A força letal só deve ser usada como último recurso", disse Zerihoun, que pediu uma "adequada investigação" sobre os fatos ocorridos hoje.

Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, por meio de um porta-voz, afirmou estar "profundamente preocupado" com a violência em Gaza e pediu uma investigação independente e transparente. "Essa tragédia ressalta a urgência de revitalizar o processo de paz na região", afirmou o porta-voz, Farhan Haq.

A reunião do Conselho de Segurança, convocada a pedido do Kuwait, durou cerca de duas horas e meia. Algumas das principais potências, como Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia, estavam representadas por diplomatas de segundo ou terceiro escalão.

O embaixador da Suécia, Carl Skau, classificou a situação em Gaza como "terrível". "Nossa prioridade agora deve ser evitar uma escalada maior. Todas as partes, particularmente as forças de segurança de Israel, devem adotar a contenção", afirmou.

Nenhum representante de Israel participou do encontro. Como convidado, Riyad Mansour, diplomata palestino, considerou como "massacre" os fatos registrados hoje em Gaza. "A maioria dos manifestantes era pacífica, não representava nenhuma ameaça para as forças de segurança de Israel", disse Mansour.

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JPS/afp

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