ONU pede inquérito sobre crimes contra humanidade na Venezuela | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 11.09.2017
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

América Latina

ONU pede inquérito sobre crimes contra humanidade na Venezuela

Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirma que governo "esmagou instituições democráticas" e exige investigação internacional sobre violenta repressão a protestos anti-Maduro.

Policiais e manifestantes em confronto durante protesto na cidade venezuelana de Valencia, em abril de 2017

Policiais e manifestantes em confronto durante protesto na cidade venezuelana de Valencia, em abril

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos alertou nesta segunda-feira (11/09) que as autoridades venezuelanas podem ter cometido crimes contra a humanidade ao reprimir violentamente protestos contra o governo e pediu uma investigação internacional sobre o caso.

"Minha investigação sugere a possibilidade de que possam ter sido cometidos crimes contra a humanidade, algo que só pode ser confirmado por uma investigação penal posterior", afirmou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein.

Zeid disse que apoia o conceito de uma Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação, mas disse que o mecanismo atual deve ser remodelado "com o apoio e o envolvimento da comunidade internacional".

O alto comissário disse haver um "perigo real" de que as tensões no país se intensifiquem ainda mais, uma vez que "o governo esmagou instituições democráticas e vozes críticas, inclusive mediante processos penais contra líderes opositores, utilizou o recurso de detenções arbitrárias, o uso excessivo da força e maus-tratos de prisioneiros, o que em alguns casos equivale à tortura".

Zeid afirmou que a Venezuela, como membro do Conselho de Direitos Humanos da ONU, "tem um dever particular de salvaguardar os padrões mais elevados na promoção e proteção dos direitos humanos". O jordaniano fez as observações perante o Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.

Assistir ao vídeo 01:42

Os fatos que agravaram a crise política na Venezuela

Há poucas semanas, seu escritório publicou um relatório sobre as "extensas" violações de direitos humanos cometidas durante protestos contra o governo entre 1º de abril e 31 de julho, sobretudo por parte das forças de segurança e paramilitares. O documento sugere que das 124 mortes investigadas pela Procuradoria-Geral venezuelana, 73 estariam vinculadas às forças do governo e grupos armados.

O relatório apresentou detalhes do uso de força excessiva e letal, possíveis execuções extrajudiciais, maus-tratos, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, revistas ilegais de moradias, ataques contra jornalistas e restrições a opositores do governo do presidente Nicolás Maduro.

Em Genebra, o ministro venezuelano do Exterior, Jorge Arreaza, negou as acusações e disse que falta embasamento ao relatório da ONU que, segundo afirmou, visa minar a soberania e estabilidade de seu país. Ele exigiu que o Alto Comissariado encerre o que chamou de agressões à Venezuela.

Segundo Arreaza, as manifestações contra o governo partiram de opositores alinhados com os Estados Unidos. Ele disse que Washington tenta sabotar o crescimento venezuelano por meio de um bloqueio econômico e da manipulação do preço do petróleo.

A crise política na Venezuela se agravou a partir de março, quando Maduro tentou limitar os poderes da Assembleia Nacional através do Tribunal Supremo de Justiça, e chegou ao ápice com a convocação de eleições para uma Assembleia Constituinte. Dominada pelo chavismo, a Constituinte assumiu as competências da Assembleia Nacional (Parlamento), controlada pela oposição.

RC/efe/dpa

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados