Ocidente cobra libertação de petroleiro britânico | Notícias internacionais e análises | DW | 20.07.2019
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Mundo

Ocidente cobra libertação de petroleiro britânico

Alemanha, França e UE reivindicam a liberação imediata do navio capturado pelo Irã no Estreito de Ormuz e de seus 23 tripulantes. EUA também condenam ação de Teerã. Potências ocidentais temem aumento da tensão no Golfo.

Petroleiro britânico Stena Impero

Petroleiro britânico Stena Impero, capturado pelo Irã

Alemanha e França exortaram neste sábado (20/07) as autoridades iranianas a libertarem o petroleiro britânico que capturaram na sexta-feira no Estreito de Ormuz.

O Ministério do Exterior alemão instou Teerã a libertar "imediatamente" o petroleiro de bandeira britânica Stena Impero e sua tripulação. "O governo federal condena severamente a apreensão de navios mercantes no Golfo", disse um porta-voz do ministério. "Esta é uma intromissão injustificável no transporte marítimo civil, que exacerba ainda mais uma situação já tensa", afirmou, frisando que uma nova escalada também "enfraqueceria todos os esforços em andamento para encontrar uma saída para a atual crise".

O  governo francês também apelou para que o Irã liberte o navio e expressou "grande preocupação" com o ocorrido. "Apelamos às autoridades iranianas que libertem o mais rápido possível o navio e a sua tripulação e respeitem os princípios da liberdade de navegação no Golfo", disse o Ministério do Exterior francês.

A UE expressou sua profunda preocupação pela apreensão, dizendo que o incidente traz riscos de aprofundamento das tensões.  "Em uma situação já tensa, esse ocorrido traz riscos de nova escalada e prejudica o trabalho em curso para encontrar uma maneira de resolver as tensões atuais", disse um comunicado emitido pelo escritório de assuntos internacionais da UE, que representa os 28 países do bloco.

Os EUA também condenaram fortemente a ação iraniana no Estreito de Hormuz. Washington anunciou sua intenção de fortalecer ainda mais a presença militar dos EUA na região do Golfo. Pela primeira vez desde 2003, tropas dos EUA serão estacionadas novamente na Arábia Saudita. A mídia americana fala em um contingente de cerca de 500 soldados.

"Reação robusta"

O governo do Reino Unido aconselhou os navios mercantes britânicos a evitarem temporariamente o Estreito de Ormuz. O ministro britânico do Exterior, Jeremy Hunt, escreveu no Twitter que as ações do Irã são um "sinal preocupante" de que o Irã pode "tomar um caminho perigoso de comportamento ilegal e desestabilizador". "Nossa reação será bem ponderada, mas robusta", anunciou.

Num primeiro momento, Hunt havia alertado o Irã contra "sérias consequências". Mas ele também disse em entrevista à emissora Sky News que o Reino Unido não cogita opções militares, mas quer resolver o conflito "diplomaticamente".

Na sexta-feira, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou ter capturado um petroleiro britânico, o Stena Impero, no estreito de Ormuz, por "violar a lei marítima internacional".

A ação, ocorrida duas semanas depois que o Reino Unido reteve um navio iraniano em Gibraltar, deixou as autoridades britânicas em alerta, e os Estados Unidos denunciaram a "escalada de violência" do Irã, com Donald Trump sublinhando que esta é a segunda vez em menos de uma semana que o Reino Unido é alvo de violência do regime iraniano.

Autoridades locais do Irã disseram mais tarde que a captura do petroleiro se deveu a um choque com um barco de pesca. "O petroleiro se chocou com um barco de pesca durante a sua rota e depois desse incidente era necessário investigar os motivos", justificou Alahmorad Afifipur, diretor da Organização de Portos e Navegação da província iraniana de Hormozgan.

De acordo com a agência iraniana Tasnim, o petroleiro havia desligado seu sinal de GPS e, portanto, arriscou uma colisão, tendo colidido com um pequeno barco de pesca iraniano, danificando a embarcação pesqueira, de acordo com a agência de notícias oficial iraniana Irna.

O Stena Impero permaneceu neste sábado no porto de Bandar Abbas, no estreito de Ormuz. Seus 23 tripulantes não foram autorizados a sair da embarcação, por motivos de segurança, de acordo com os responsáveis iranianos.

Segundo a companhia Stena Bulk, proprietária do petroleiro, o contato com a embarcação foi perdido depois que a empresa recebeu um aviso de que várias embarcações e um helicóptero se aproximavam do Stena Impero em águas internacionais.

Um porta-voz da companhia afirmou que o petroleiro estava em "cumprimento integral com todos os regulamentos internacionais e de navegação", de acordo com a agência de notícias AP.

Logo após o Stena Impero ter sido capturado, também o petroleiro de bandeira liberiana Mesdar, da empresa britânica Norbulk Shipping, foi detido por agentes iranianos, tendo sido liberado pouco depois.

Relações tensas

A tensão nas relações entre o Irã e Ocidente aumentou nas últimas semanas após o Reino Unido apreender em 4 de julho o petroleiro iraniano sob suspeita de contrabando de petróleo para Síria, violando assim sanções impostas pela União Europeia devido ao conflito armado no país. Teerã prometeu retaliação.

A detenção do navio nesta sexta-feira aconteceu no mesmo dia em que a Suprema Corte de Gibraltar ampliou por mais 30 dias o período de detenção do petroleiro retido no território ultramarino britânico.

Na semana passada, Londres afirmou que uma fragata da marinha britânica abortou uma tentativa iraniana de interceptar um petroleiro britânico que navegava pelo Golfo Pérsico. Esse incidente foi desmentido pelas forças armadas iranianas.

Também no Estreito de Ormuz, os EUA garantiram que um de seus navios abateu na quinta-feira umdrone iraniano, uma ação que foi negada categoricamente por Teerã. Esses são os últimos incidentes de muitos registrados desde maio na região, onde ocorreram sabotagens e ataques a navios-tanques dos quais os EUA responsabilizaram o Irã.

As autoridades iranianas negaram qualquer envolvimento nesses ataques, mas assumiram a autoria de uma ação que abateu em junho um drone americano que, segundo Teerã, violou seu espaço aéreo.

MD/lusa/afp/dpa

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