O que se sabe sobre a vacina da Pfizer | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 04.05.2021

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Coronavírus

O que se sabe sobre a vacina da Pfizer

Imunizante contra a covid-19 começou a ser aplicado no Brasil. Ele tem alta eficácia já após a primeira dose, mas seu processo de armazenamento é complicado, exigindo baixas temperaturas. Entenda.

As primeiras doses da vacina da Pfizer-Biontech, um dos imunizantes de maior eficácia contra a covid-19, começaram a ser aplicadas nesta terça-feira (04/05) no Brasil, após serem entregues a todas as capitais do país.

Trata-se de um primeiro lote de 1 milhão de doses. Ele faz parte de um acordo entre o governo brasileiro e a fabricante americana para a entrega de 100 milhões de doses até o fim de setembro. A vacina recebida pelo Brasil vem de uma fábrica na Bélgica.

A vacina da Pfizer é a terceira em uso no Brasil. A população já estava sendo imunizada com a Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a vacina da AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford e fabricada no Brasil pela Fiocruz.

Qual é a eficácia da vacina da Pfizer?

Segundo um estudo da farmacêutica americana Pfizer e a empresa de biotecnologia alemã Biontech divulgado no início de abril, a vacina contra a covid-19 permanece 91,3% eficaz em evitar o contágio pelo coronavírus por pelo menos seis meses após a aplicação da segunda dose.

De acordo com as empresas, a vacina mostrou 100% de eficácia na prevenção de casos graves até seis meses após a administração da segunda dose, conforme critérios do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês).

A eficácia registrada nessa nova pesquisa foi um pouco inferior aos 95% que a Biontech e a Pfizer haviam relatado em novembro, em estudo envolvendo 44 mil participantes. Uma das explicações é que, desde então, várias novas variantes do coronavírus se espalharam pelo mundo.

A eficiência da vacina da Pfizer foi comprovada também no "mundo real", ou seja, numa campanha de vacinação em andamento. No Reino Unido, um estudo com amostras de 1,6 milhão de vacinados mostrou que o imunizante da Pfizer tem em média eficácia superior a 90% em evitar infecções sintomáticas. 

De acordo com estudo do final de março divulgado pela Biontech, a vacina é também 100% eficaz em adolescentes de 12 a 15 anos após a segunda dose.

A vacina contra a covid-19 da Pfizer-Biontech, além disso, funciona contra a variante brasileira do coronavírus, segundo um estudo feito em laboratório e publicado em março na revista científica  New England Journal of Medicine.

Qual é o intervalo ideal para a vacina?

O governo brasileiro recomendou um intervalo de três meses entre a primeira e a segunda dose. É o mesmo adotado no Reino Unido (primeiro país a usar o imunizante) e tem como base estudos que apontam alta eficácia da vacina após a primeira dose.

O intervalo recomendado na bula da vacina é de três semanas (21 dias), mesmo hiato defendido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade admite um espaçamento máximo de 42 dias (6 semanas), que é o adotado, por exemplo, na Alemanha e nos Estados Unidos.

Um dos estudos citados pelo Ministério da Saúde para referendar sua decisão é de fevereiro, publicado na revista científica The Lancet. A pesquisa indicou redução de 85% dos casos sintomáticos um mês após a aplicação da primeira dose.

Outro estudo das universidades de Sheffield e Oxford, do final de março, mostrou que 99% dos vacinados apresentaram "forte resposta imune" após apenas uma dose da vacina da Pfizer.

Como foi desenvolvida a vacina da Pfizer?

A vacina se baseia em uma tecnologia estudada há 20 anos para uso no tratamento de vários tipos de câncer. Ela envolve o uso da tecnologia de RNA mensageiro (mRNA), que, em termos simples, ensina as células do corpo humano a se defenderem do vírus responsável pela covid-19.

Como explica a própria Pfizer, o objetivo do RNA mensageiro é, assim como as vacinas comuns, criar anticorpos contra um vírus que ameaça a saúde humana. Mas, em vez de inserir o vírus atenuado ou inativo no organismo de uma pessoa, esse novo imunizante ensina as células a sintetizarem uma proteína que estimula a resposta imunológica do corpo.  

Como se dá o armazenamento da vacina da Pfizer?

De acordo com o Ministério da Saúde, as doses serão usadas prioritariamente nas capitais, em razão das condições específicas de armazenamento, que precisa ocorrer em temperaturas muito baixas.

Os estados receberam as doses de forma proporcional e igualitária. Os frascos devem ser mantidos em temperaturas entre -25 ºC e -15 ºC, por no máximo 14 dias.

Se as doses forem armazenadas em temperaturas de 2 ºC a  8 ºC, o prazo para uso diminui para apenas cinco dias.

Até serem despachadas aos estados, as doses ficam a -85 ºC em 16 supergeladeiras do Centro de Distribuição Logístico do Ministério da Saúde, em São Paulo.

A Biontech está trabalhando para obter aprovação para uma versão de sua vacina contra a covid-19 que possa ser armazenada em geladeiras de 2 ºC a 8 ºC por até seis meses

Por que o Brasil demorou tanto para comprar?

A  vacina da Pfizer foi a primeira a receber o registro definitivo da Anvisa. No segundo semestre de 2020, o laboratório fez várias propostas para o Ministério da Saúde, que previam a entrega de 70 milhões de doses, com início do envio de uma primeira carga em dezembro, mas a pasta não manifestou interesse.

Em dezembro, as negociações voltaram a andar, e o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, chegou a afirmar que a imunização poderia começar ainda naquele mês caso a Pfizer adiantasse alguma entrega. Mas nessa altura, a Pfizer havia informado que não poderia mais entregar doses antes da virada do ano. Ainda assim, o governo chegou a incluir uma oferta da empresa no seu vago plano de imunização.

No entanto, as negociações logo voltaram à estaca zero, diante da contrariedade de condições impostas pela empresa. O governo afirmou que a Pfizer insistia em uma cláusula de isenção de responsabilidade em relação a possíveis efeitos colaterais da vacina contra a covid-19.

No final de dezembro, o presidente Jair Bolsonaro chegou a reclamar publicamente da farmacêutica ao afirmar que não havia garantia de que a vacina não transformaria quem a tomasse em "um jacaré". Sem um contrato com o governo, a Pfizer anunciou em dezembro que não pretendia mais solicitar uma autorização de uso emergencial junto à Anvisa.

Em janeiro de 2021, a disputa voltou a esquentar, quando o governo divulgou uma nota incendiária afirmando que a Pfizer estabelecera "cláusulas leoninas" em seus contratos, que a empresa só previa uma pequena entrega inicial de vacinas como "conquista de marketing" e que a chegada de poucas doses "causaria frustração em todos os brasileiros", sugerindo que era melhor não receber nada do que pouco.

Por fim, o governo ainda insinuou que a Pfizer estava tentando sabotar a campanha de imunização no Brasil por ter supostamente ficado frustrada com o governo adquirindo doses da AstraZeneca e da Coronavac, promovida pelo governo de São Paulo.

Já a Pfizer afirmou que os contratos oferecidos ao governo brasileiro eram idênticos aos que foram submetidos em dezenas de países que já fazem uso do imunizante.

Por fim, em março, o governo federal anunciou a compra de 100 milhões de doses, que começaram a chegar agora ao Brasil.

O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz, afirmou que a comissão convocará para depor em breve os executivos da farmacêutica Pfizer. Os senadores querem investigar por que o governo federal se recusou a comprar a vacina da Pfizer já em agosto do ano passado.

rpr/ek (ots)