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Homem carrega cão numa área de cheia, com a água pelo peito
Cheias na Bahia deixaram mais de 30 mil brasileiros desabrigadosFoto: Manuella Luana/dpa/AP/picture alliance

O Brasil na imprensa alemã (29/12)

29 de dezembro de 2021

Enchentes na Bahia, a fome que voltou a assolar parcela cada vez maior da população menos favorecida e a destruição contínua da Amazônia sob o governo de Jair Bolsonaro estiveram entre os destaques na mídia alemã.

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Tagessschau.de – Sai coronavírus, chega a fome, a segunda pandemia do Brasil (25/12)

Valéria Sabina abre sua geladeira. Está quase vazia, exceto por uma garrafa de água, uma panela de feijão cozido, um tomate verde e um pouco de sal. Ela não tem dinheiro, conclui que o que ganha simplesmente não é mais suficiente para nada. Antes, ela e sua família costumavam ter trabalho e sustento – agora dependem de doações de alimentos. E ela diz que outras pessoas têm que vender seus pertences porque não têm o que comer.

(…)

Uma segunda epidemia está se espalhando no Brasil - a fome. Para mais de 100 milhões de brasileiros, metade da população, a segurança alimentar não está garantida. Isso significa que certos alimentos como carne, laticínios ou vegetais não estão mais na mesa, a qualidade dos alimentos diminui, e isso leva a desnutrição.

Vinte milhões de pessoas sofrem diretamente de fome. Daniel Souza, presidente da ONG Ação da Cidadania, sabe que o Brasil tinha um problema de fome ainda antes da pandemia, depois que toda uma série de programas com os quais o Brasil combatia fome com sucesso foram desmantelados nos últimos anos. Dados de 2018 e 2019 mostraram que a fome já tinha chegado - "a pandemia agora a piorou enormemente".

Na década de 1990, o Brasil começou a desenvolver programas de combate à fome e, no governo do ex-presidente Lula da Silva, eles foram ampliados, também financiados pelo boom das commodities dos anos 2000. Graças a salários mínimos mais altos, transferências de pagamentos para famílias pobres e à expansão da merenda escolar, a fome foi vencida. Em 2014, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas retirou o Brasil de seu mapa.

Agora a fome está de volta. Valéria Sabina se revolta sobretudo com o governo de Jair Bolsonaro. Ela diz que depois que ele assumiu o cargo as coisas pioraram, especialmente para os pobres. E que ela sempre conseguia se sustentar, mas que agora a situação está "crítica".

Frankfurter Allgemeine Zeitung – Cheias no Brasil: "Aqui o mundo acaba, e ninguém vê" (28/12)

O Brasil vive atualmente as piores enchentes em mais de 30 anos, que afetam o estado da Bahia, no nordeste do país. Até agora, fala-se de pelo menos 20 mortos e 358 feridos, e 30 mil brasileiros ficaram desabrigados da noite para o dia. "Infelizmente, estamos vivendo o maior desastre já ocorrido na história da Bahia, mas tenho muita fé em Deus e na energia do povo baiano. Vamos reconstruir esses locais e vencer este momento tão difícil", afirmou Rui Costa, governador do estado.

(…)

Costa prometeu mobilizar tudo o que for possível. João Roma, ministro do presidente nacionalista de direita Jair Bolsonaro, sobrevoou a área do desastre. Ele escreveu no Twitter que agora é uma questão de salvar vidas e colocar as diferenças políticas de lado. Num momento como esse, qualquer diferença política deve ser deixada de lado, pois o objetivo maior é estender a mão para a população que pede socorro. A situação é urgente e a missão é atender àqueles que mais precisam e salvar vidas.“ Bolsonaro também havia sobrevoado o sul da Bahia há algum tempo e prometido dinheiro para a reconstrução. Ele escreveu no Twitter na terça-feira que abriu crédito no valor de 200 milhões de reais para restaurar estradas nas regiões mais afetadas pelas chuvas.

Focus – Amazônia: eleição no Brasil é esperança para a Amazônia (27/12)

A eleição presidencial de 2022 oferece ao Brasil a chance de mudar o rumo da política climática. O país abriga 60% da área da Floresta Amazônica, que historicamente foi um importante reservatório de CO2 no planeta.

Mas, como mostra um estudo preocupante na revista Nature, a floresta tropical se tornou uma fonte de CO2 na última década. Isso se deve aos incêndios florestais e ao desmatamento, que aumentou em mais de 40% desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder em 2019.

Sob a liderança do presidente populista, as atuais regulamentações ambientais foram administradas de forma mais frouxa do que nunca. Os ativistas reclamam que a indiferença estatal encorajou madeireiros, garimpeiros, fazendeiros e grileiros. Em junho de 2021, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, renunciou depois que a Polícia Federal abriu uma investigação contra ele. Ele estaria envolvido no comércio de madeira derrubada ilegalmente, o que ele nega.

Outro presidente reprimiria tais crimes. As pesquisas sugerem que Bolsonaro pode perder a eleição. Um sucessor “mais verde” poderia convencer a Alemanha e a Noruega a liberarem o fundo da Amazônia, que os doadores congelaram em 2019 devido a preocupações sobre o curso de Bolsonaro. Um novo presidente também poderia falar com o presidente dos EUA, Joe Biden, que propôs um fundo de 20 bilhões de dólares para a Floresta Amazônica assim que o Brasil fizer progressos.