O Brasil na imprensa alemã (18/03) | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 18.03.2020
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Brasil

O Brasil na imprensa alemã (18/03)

O desdém de Bolsonaro diante da pandemia, os desdobramentos da crise do coronavírus no Brasil e as manifestações contra o Congresso são destaques na mídia alemã nos últimos sete dias.

Der Spiegel – A ameaça em pessoa à segurança pública, 18/03/2020

Apesar dos vários casos de coronavírus no Brasil, Jair Bolsonaro minimiza o vírus como "fantasia". E conduz seu país a uma crise dupla.

Jair Bolsonaro ignorou as advertências de seu próprio ministro. No dia em que os casos confirmados de coronavírus no Brasil subiam para 200, ele desceu a rampa do Planalto com uma camisa da seleção brasileira e cumprimentou uma multidão de seguidores. Bolsonaro apertou mãos. Ele abraçou pessoas. Ele pegou os smartphones de dezenas de apoiadores e tirou selfies. Sequer uma máscara ele usava.

Rodrigo Maia, presidente do Congresso, chamou a atitude de Bolsonaro de "atentado à saúde pública". Bolsonaro deveria estar em quarentena. 

Não é a primeira vez que Bolsonaro rejeita o conhecimento científico. Ele nega as mudanças climáticas. Quando a Floresta Amazônica estava em chamas no ano passado, ele negou que isso se devesse ao aumento do desmatamento da floresta.

No que diz respeito ao coronavírus, ele agora fala de uma "fantasia" e uma "histeria" – alimentada pela mídia. Seu país, ele acredita, passará por essa "pequena crise" sem grandes danos.

Bolsonaro sempre desprezou a democracia e nunca escondeu isso. Sua frequentemente declarada simpatia pela ditadura militar foi um dos motivos de sua vitória nas eleições: muitos brasileiros desconfiam de seus deputados. Eles anseiam por um homem forte na liderança.

Cada vez mais políticos especulam sobre um impeachment. "Bolsonaro tem que sair da presidência", disse a advogada e parlamentar Janaína Paschoal, uma das autoras do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Paschoal apoiava Bolsonaro até alguns meses atrás e até mesmo foi cotada como possível vice-presidente durante a campanha. Outros sugerem que o presidente tenha sua saúde mental examinada.

Die Tageszeitung – "De volta à monarquia!", 16/03/2020

As manifestações de domingo eram programadas para ser sobretudo uma coisa: um alento para um governo enfraquecido. A popularidade de Bolsonaro havia crescido em pesquisas recentes de opinião, apesar de vários escândalos e de uma grave crise econômica. No entanto, o radical de direita enfrenta ventos contrários cade vez mais fortes.

A disputa orçamentária inicial entre o governo e o Congresso se transformou num conflito tangível nas últimas semanas. Parece que cada vez mais políticos conservadores não querem mais apoiar os disparates de Bolsonaro.

Ele já não tem base no Parlamento, onde várias iniciativas legislativas foram bloqueadas. No entanto, Bolsonaro é reverenciado por seus leais apoiadores por sua mentalidade de guerreiro solitário, e o ex-militar repetidamente consegue se fazer de vítima.

No final da manifestação em São Paulo, mais uma vez veio à mostra a face feia do mundo de Bolsonaro: após uma discussão entre manifestantes, um homem puxou uma arma e atirou numa mulher. Ferida, ela teve que ser hospitalizada.

Frankfurter Allgemeine Zeitung – Técnico Jesus infectado: coronavírus chega ao Brasil, 16/03/2020

Até agora, a crise do coronavírus era principalmente algo de europeus e asiáticos. O Brasil acompanhava os eventos com interesse, mas à distância, sem se sentir realmente afetado. No dia em que veio a notícia do teste positivo, o número de casos positivos registrados no Brasil era de 162, segundo a Universidade Johns Hopkins.

Somando-se a isso, o presidente Jair Bolsonaro ainda incentivou a irresponsabilidade no país ao participar de uma manifestação no domingo, embora, segundo conselho médico, ele devesse estar em quarentena em casa. Porque parte de uma delegação que viajou com Bolsonaro para visitar Donald Trump nos EUA uma semana antes havia testado positivo. Mas, em vez de ficar em quarentena, segundo o jornal Estadão, Bolsonaro tocou um total de 272 pessoas durante sua saída. Ele classificou as medidas globais para conter o coronavírus de "histeria" e "extremismo". Ele também criticou a Confederação Brasileira de Futebol por sua gestão de crises.

O bispo evangélico de enorme influência Edir Macedo, fundador da igreja pentecostal brasileira Igreja Universal do Reino de Deus, chamou a disseminação do vírus de "estratégia de Satanás e da mídia" para espalhar o pânico. O homem, para cujas 10 mil igrejas milhões peregrinam em todo o país, expressou dúvidas de que o vírus seja perigoso.

Mas agora a mensagem sobre Jorge Jesus explode nesse clima de questionamento em relação à comunidade médica. Um homem que todo mundo no Rio de Janeiro conhece, ama ou pelo menos respeita.

MD/ots

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