O Brasil na imprensa alemã (06/01) | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 06.01.2021

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Brasil

O Brasil na imprensa alemã (06/01)

Jornais da Alemanha destacam o fim do programa de auxílio emergencial, o impacto ambiental da produção de etanol e a controvérsia sobre uma escultura gigante em forma de vagina em Pernambuco.

Presidente Jair Bolsonaro acena para apoiadores do alto da rampa do Planalto

Presidente Jair Bolsonaro pode enfrentar queda de popularidade com o fim do auxílio emergencial, alerta imprensa alemã

Welt am Sonntag – Como uma ideia verde destruiu a Amazônia (03/01)

O biocombustível já foi anunciado como um protetor do clima. Mas sua expansão forçada teve consequências devastadoras para o meio ambiente do Brasil.

(...)

Uns bons 15 anos depois, as consequências de longo prazo dessa decisão política na Alemanha e no Brasil são preocupantes. Na Alemanha, o Greenpeace vem pedindo uma reviravolta radical há anos, a proibição do biocombustível E10 e da produção de etanol a partir de cereais. Também no Brasil, em dezembro de 2020, pelo menos entre os ambientalistas, nada resta da antiga euforia.

Guilherme Ferreira, geógrafo recifense, há anos trata das consequências sociais e ecológicas do boom dos biocombustíveis. Ele fica perplexo em frente às enormes plantações de cana-de-açúcar isoladas com arame farpado. Quem entrar nos campos sem autorização, pode pegar até um ano de prisão, diz uma placa. "A produção de biocombustíveis no Brasil gerou, na verdade, apenas um vencedor, a agroindústria", diz Ferreira. "A floresta tropical perdeu porque houve um desmatamento maciço nas últimas duas décadas. Os povos indígenas que foram expulsos de seus territórios perderam. E a natureza perdeu porque está sendo destruída por pesticidas e monoculturas."

No Maranhão, isso pode ser visto pelos números concretos: em 2000, a cana-de-açúcar ainda era cultivada em 19.912 hectares. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), eram 47.405 hectares em 2019, ou seja, duas vezes e meia mais. A produção de etanol dobrou em todo o país, passando de cerca de 15 milhões de litros em 2004 para 34,48 milhões de litros em 2019.

Allison Bezerra Oliveira, 37, geógrafo da Universidade de Uemasul em Imperatriz, lembra que o biocombustível sempre foi vendido como "energia limpa" por lobistas nos últimos anos. Sempre foi alegado que a produção de etanol não tem efeitos negativos para os humanos. "Mas a produção de cana depende de uma grande área plantada. Então, para produzir uma quantidade significativa de etanol e plantar cana para a produção de etanol, automaticamente tenho que desmatar", diz Bezerra.

Berliner Zeitung – Viva a Vulva! (06/01)

Motivo de controvérsia: a escultura de uma vulva com 33 metros de comprimento, da artista Juliana Notari. Vermelha brilhante, com 16 metros de largura e seis metros de profundidade, essa vulva feita de resina e concreto agora brilha de forma inconfundível na grama verde de um parque artístico do estado de Pernambuco.

Resultado de onze meses de árduo trabalho manual, a obra de arte Land Art de Notari gerou discussões acaloradas no Brasil.

Notari, por outro lado, vê sua vulva gigante, que ela batizou apropriadamente de "Diva", como um monumento à igualdade de gênero, e afirmou no Facebook que a obra de arte mostra uma vulva e também uma ferida e, assim, questiona "a relação entre natureza e cultura em nossa sociedade falocêntrica e antropocêntrica".

A data para a inauguração da escultura da vulva, a artista dificilmente poderia ter escolhido com mais propriedade. Depois que a vizinha Argentina finalmente legalizou o aborto na semana passada e foi celebrada não apenas por ativistas dos direitos das mulheres em todo o mundo, o presidente de direita Jair Bolsonaro declarou que o aborto nunca seria legal em seu país. Os defensores do populista machista prontamente atacaram severamente Notari e sua arte feminista.

Süddeutsche Zeitung – Pobre ano novo (01/01)

No Brasil, chegou ao fim no dia 31 de dezembro o maior programa de auxílio emergencial da história do país. No meio da pandemia, ele reduziu a pobreza. Agora, milhões de pessoas estão novamente diante do nada. Não está claro como o governo endividado deve pagar uma nova ajuda.

(...)

O presidente populista de direita do Brasil, Jair Bolsonaro, de repente se tornou um salvador dos pobres necessitados – embora na verdade quisesse combater os supostos excessos dos programas sociais anteriormente iniciados por governos de esquerda e tivesse prometido uma política de austeridade durante a campanha eleitoral.

Na verdade, é por isso que seu governo inicialmente resistiu ao programa emergencial. E quando ele finalmente foi aceito, o valor dos pagamentos planejados era tão baixo que no final o parlamento aumentou para 600 reais mensais. Logo, porém, Bolsonaro e seu gabinete também perceberam os grandes benefícios que o programa trazia, tanto para o povo quanto para a economia e, em última instância, para o próprio governo.

Em meio a uma pandemia global e uma das piores crises econômicas que a América do Sul já experimentou, o número de pessoas classificadas como pobres no Brasil caiu para o nível mais baixo em décadas. A desigualdade diminuiu, milhões de brasileiros puderam abrir uma conta pela primeira vez na vida, comprar uma geladeira, um forno, uma televisão ou mesmo comida suficiente para as próximas semanas.

O dinheiro não beneficiou apenas os que recebem ajuda emergencial, mas também a economia como um todo. Muitas lojas em áreas periféricas bastante desfavorecidas de repente tiveram vendas recordes, e um boom de construção começou nas regiões pobres do Norte e Nordeste do Brasil. Ao mesmo tempo, o índice de aprovação do presidente também cresceu: nas pesquisas, mais de 40% dos brasileiros disseram estar satisfeitos com as políticas de Jair Bolsonaro, mais do que nunca durante o mandato do populista de direita.

Mas o preço de todos esses sucessos é alto. A dívida está crescendo, então em setembro o programa teve que ser reduzido pela metade, de R$ 600 para R$ 300 por mês. No total, provavelmente já custou ao governo R$ 300 bilhões, gasto que só foi possível porque o estado de emergência já havia sido imposto. Mas este acabou em 31 de dezembro – e com ele, o auxilio emergencial.

As consequências são difíceis de serem previstas. Os economistas temem que milhões de pessoas caiam na pobreza. As lojas terão de fechar e, assim, empregos vão deixar de existir; o número de desempregados pode explodir. A fome e as privações aumentarão, as organizações sociais alertam que a já elevada taxa de criminalidade continuará a aumentar. Ao mesmo tempo, com o fim do programa emergencial, os índices de aprovação de Jair Bolsonaro devem cair novamente, o que por sua vez é inconveniente para ele, principalmente considerando o fato de que o Brasil voltará a ter uma eleição em 2022.

MD/ots