O beneficiário de ajuda social Uwe Mayer, de Stuttgart | Entenda a Alemanha, sua diversidade, estrutura e história | DW | 08.06.2010
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Entenda a Alemanha

O beneficiário de ajuda social Uwe Mayer, de Stuttgart

Uwe Mayer vende jornal de rua em Stuttgart há 10 anos. Sua nova meta de vida: conseguir um emprego, uma outra moradia, uma namorada e que o Borussia Dortmund seja campeão.

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Todos os dias, Uwe Mayer pega o ônibus com destino a Bad Cannstatt, localidade perto de Stuttgart onde ele vai vender jornais de rua. O informativo é desenvolvido especialmente para a venda por cidadãos beneficiários de ajuda social que vivem em residências especiais mantidas pelo governo alemão.

O caminho que Uwe percorre diariamente não é longo. Assim que o comércio local abre, ele veste um jaleco que o identifica como vendedor de jornal de rua e empilha os informativos sobre o braço. Mãos a obra. Pelo menos cem vezes por dia, ele anuncia: "Olha o jornal de rua, o jornal de rua, o jornal de rua".

Uwe paga 0,85 euro por cada exemplar, que revende pelo dobro do preço. Nos dias em que tem mais sorte, ganha gorjeta e doações, o que aumenta seu rendimento. No final do dia, é hora de contabilizar.

"Eu compro o que é preciso e o resto é luxo," diz Uwe. Mesmo que sobre algum dinheiro, o vendedor de jornal não poupa. Afinal, precisa sustentar dois telefones celulares e gosta de acessar a internet. "Se tenho dinheiro sobrando, me dou este luxo."

Mesmo com uma dívida de quase mil euros, o solitário irradia otimismo: pretende conseguir um novo trabalho e uma nova moradia.

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'Olá querida, entrarei em contato amanhã, beijo'

Uwe Mayer recebe, em média, cem euros por mês com a venda dos jornais. Para completar o rendimento, o Estado lhe paga mais 356 euros mensais.

O programa de assistência social do governo alemão paga também o aluguel do quarto mobiliado. Mas Uwe não está satisfeito: quer conseguir um emprego para que possa deixar o programa de assistência social.

"Eu moro num quarto muito pequeno" diz Uwe sobre os 11m² onde mora. "Gostaria de residir num espaço de 30 a 45m². E quero também um emprego que me pague pelo menos 7,50 ou 8 euros por hora. De preferência, num depósito."

Uwe sabe que não é fácil conseguir emprego em tempos de crise. Mas de alguma maneira, ele acredita que é possível.

"Não foram poucas as vezes que eu caí e me levantei", diz Uwe. Ele vende jornais nas ruas há 15 anos. O homem que mais parece um sonhador otimista já esteve no fundo do poço: viveu por cinco anos nas ruas de Munique, Hamburgo e outras cidades europeias.

Uwe também esteve na cadeia por três anos e meio por furto de veículo, envolvimento com drogas e atentado à autoridade. Ele ameaçou cortar o pescoço de um policial com uma faca de 40 centímetros. "Dez anos atrás, eu era muito explosivo", diz. "Qualquer um que vinha meio bobo para cima de mim, já levava um soco. Mas chega um ponto em que você se cansa disso, você se acalma."

Uwe já foi alcoólatra. Começou a beber, segundo ele, quando a vida ficou difícil. Hoje ele superou o vício e sonha até com um relacionamento amoroso sério: conheceu uma mulher pela internet. Deseja encontrá-la pessoalmente em breve.

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Nem pra tudo sobra dinheiro

"Nós nos conhecemos pela internet, mas eu já acho ela o máximo", diz Uwe. Até agora, ele conversou com ela apenas por mensagens de celular ou pela internet. No perfil de ambos na rede de contatos do Facebook, o status de relacionamento aponta que estão noivos.

Mas, para se proteger, ele ainda não contou à "namorada" mais detalhes de sua vida. "Precisamos primeiro ver como serão as coisas, quando ela vier para cá."

Caso o namoro com a mulher que conheceu na internet não dê certo, é provável que Uwe volte a direcionar sua paixão para o futebol. Uwe é fã do time alemão Borussia Dortmund. Jogar futebol também é com ele.

Num campeontao de futebol entre os vendedores de jornal de rua, foi Uwe quem fez três gols somente numa partida. Um outro sonho seu era ser treinador de futebol.

Sonho ou exagero? "Há pessoas que desistiram de viver - mas eu não. Eu quero me levantar novamente. Eu quero voltar a ser parte da sociedade, como toda pessoa normal."

Autor: Sean Sinico (br)
Revisão: Rodrigo Rimon

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