Novo presidente do Senado: sempre próximo do poder | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 01.02.2017
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Brasil

Novo presidente do Senado: sempre próximo do poder

Eunício Oliveira foi um dos principais interlocutores do PMDB com o PT nos governos Lula e Dilma. Agora, terá a missão de ajudar Temer a votar agenda econômica – se sobreviver à Lava Jato.

Eunício Oliveira PMDB (Marcos Brandao)

O senador Eunício Oliveira (CE) foi ministro do governo Lula, aliado próximo de Dilma, e liderou a bancada do PMDB.

Eleito nesta quarta-feira (01/02) novo presidente do Senado, o cearense Eunício Oliveira tem um perfil político que reflete bem a lógica do PMDB, partido ao qual se filiou há quatro décadas: mantém-se sempre no entorno do poder. Hoje um dos principais fiadores do presidente Michel Temer no Senado, ele galgou importantes degraus rumo à elite política nacional ao ser nomeado, em 2004, ministro das Comunicações do governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após três mandatos como deputado federal, elegeu-se senador em 2010, com mandato até 2019. Correligionário de Temer, empresário, e com vasta experiência parlamentar, Eunício Oliveira já declarou que a prioridade política do momento é "estabilizar economia e recuperar empregos perdidos”.

Seu principal obstáculo será sobreviver à Operação Lava Jato. O nome dele foi citado em pelo menos três delações premiadas, com o codinome "Índio”. O senador, que foi também tesoureiro do PMDB, nega ter se beneficiado por qualquer tipo de doação ilegal em campanhas eleitorais ou pagamento de propina.

Aliado de Dilma

Nos tempos em que a proximidade com o PT lhe rendia dividendos políticos, transformou-se em interlocutor qualificado do PMDB com a presidência. Até o início do ano passado, quando o impeachment de Dilma Rousseff ainda era dúvida, Eunício fazia pontes com o Executivo. Em 2014, quando a petista conseguiu reeleger-se numa dura disputa contra o PSDB, o peemedebista se gabava de ter sido ator importante no resultado eleitoral favorável ao PT em seu estado, o Ceará. Ele, por sua vez, disputou o governo no mesmo ano, tendo os petistas como aliados, mas foi derrotado no segundo turno.

A proximidade com a presidente Dilma era tão alardeada que a petista marcou presença no casamento da filha do senador, em junho de 2015. A desenvoltura com a qual transitava no Palácio do Planalto lhe abriu espaço para indicar o próprio genro para uma diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que gerou enorme polêmica entre especialistas do setor.

Quando a classe política começou a dar sinais de que abandonaria o barco de Dilma, Lula pediu, em março de 2016, ajuda aos velhos caciques do PMDB, entre eles Renan Calheiros, que deixou nesta quarta-feira a presidência do Senado, e Eunício Oliveira. Alguns dias depois deste encontro, as lideranças do PMDB já apoiavam abertamente o impeachment e a condução de Temer à presidência da República.

No julgamento do impeachment de Dilma, Eunício não citou nem por um segundo sua aliança com o PT. Num discurso de oito minutos, ressaltou: "O passado não se muda. O que se pode fazer é contá-lo de acordo com a conveniência de quem o escreve”.

Contratos milionários

Conforme a declaração de bens que entregou ao Tribunal Superior Eleitoral em 2014, quando disputou o governo do Ceará, Eunício Oliveira tem um patrimônio de mais de 99 milhões de reais. Boa parte de sua fortuna advém de empresas do setor de vigilância e transporte de valores, como a Remmo, a Confederal e a Manchester.

Ele alega que está afastado do comando das empresas, mas os negócios estão em ascensão, sobretudo graças a contratos firmados com o governo federal e governos estaduais. A Manchester, por exemplo, firmou contratos de quase 1 bilhão de reais com a Petrobras. Alguns deles foram com dispensa de licitação.

Outra empresa do senador, a Confederal, foi citada em investigação antiga sobre o chamado "mensalão do DEM”, um esquema de corrupção no Distrito Federal que levou à cassação do então governador José  Roberto Arruda. Na época, o caso tramitava sob sigilo de justiça.

O senador não respondeu a perguntas da DW Brasil, enviadas a sua assessoria de imprensa, sobre negócios das empresas da qual é acionista e sócio com a União e sobre eventuais conflitos de interesses.

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