Nobel alemão de Medicina enfrentou ceticismo do mundo científico | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 06.10.2008
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Mundo

Nobel alemão de Medicina enfrentou ceticismo do mundo científico

Harald zur Hausen se confessa surpreso com o Nobel de Medicina. Descobridor do vírus causador do câncer cervical divide o prêmio com franceses que descobriram o vírus causador da aids.

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Harald zur Hausen investigou o vírus papiloma humano

O Instituto Karolinska, da Suécia, informou nesta segunda-feira (06/10) ter escolhido o alemão Harald zur Hausen pelas suas pesquisas sobre o vírus que causa o câncer cervical, e os franceses Françoise Barre-Sinoussi, diretora do Instituto Pasteur de Paris, e Luc Montagnier, descobridores do vírus da aids, para o Prêmio Nobel de Medicina de 2008. O instituto sueco é a entidade que atribui o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina.

"Completamente surpreso"

O pesquisador Harald zur Hausen, de 72 anos, disse que ficou completamente surpreso pela notícia do prêmio. "Eu não estava preparado para isso", afirmou, acrescentando que o telefonema de Estocolmo chegou às 10h45 e às 11h30 ele foi nomeado oficialmente como agraciado. Zur Hausen acrescentou que ainda não sabe o que fazer com a metade dos dez milhões de euros do dinheiro que receberá pelo prêmio.

O pesquisador e seu grupo de cientistas comprovaram em 1983 e 1984 que o vírus do papiloma humano (HPV, do inglês human papilomavirus) causa câncer cervical, a segunda forma mais freqüente de câncer em mulheres. A descoberta possibilitou o desenvolvimento de uma vacina contra o câncer de colo de útero, oferecida gratuitamente na Alemanha para garotas entre 12 e 17 anos de idade.

Embora tenha se aposentado em 2003, Zur Hausen ainda mantém um escritório e um laboratório no Centro de Pesquisas do Câncer em Heidelberg. Nos 20 anos em que dirigiu a instituição, conseguiu torná-la um dos principais centros de pesquisa no mundo. Além disso, Zur Hausen é editor-chefe da revista especializada International Journal of Cancer.

Ceticismo inicial do mundo científico

O cientista alemão conta que inicialmente seus trabalhos foram recebidos com muito ceticismo pelo mundo científico: "No início, não foi fácil divulgar minhas pesquisas, mas graças a Deus elas se confirmaram como corretas. Entre 1972 e 1982, meus trabalhos foram vistos com muito ceticismo".

No início da década de 1980, Zur Hausen conseguiu isolar diferentes tipos de vírus, os chamados papiloma virus, de uma amostra de câncer cervical. A identificação do vírus e, mais tarde, o desenvolvimento de uma vacina, representaram um grande avanço na pesquisa da doença, afirma Otmar Wiestler, sucessor de Zur Hausen na direção do Centro de Pesquisas do Câncer. "Em várias décadas de trabalho, ele colocou as bases para o desenvolvimento da vacina. Com isso, foi instituída uma forma completamente nova de evitar o câncer", assinalou Wiestler.

"Pai do vírus" da aids

O câncer é uma das doenças mais freqüentes no mundo. Mas também a aids se alastra, já tendo contaminado mais de 33 milhões de pessoas no planeta, a maioria no continente africano.

Luc Montagnier Nobel Preis für Medizin 2008

Luc Montagnier divide o prêmio...

O descobridor do vírus que causa a síndrome da imunodeficiência adquirida é o francês Luc Montagnier, de 76 anos. Em 1983, ele foi o primeiro cientista a isolar o vírus da aids. Ao ser avisado do prêmio, Montagnier, que está na Costa do Marfim, disse tratar-se de um claro sinal na luta contra a doença.

Luc Montagnier, ou "pai do vírus", como também é chamado, disputou uma longa e dura batalha judicial com o cientista norte-americano Robert Gallo, que também se dizia descobridor do vírus da aids.

Francoise Barre-Sinoussi Nobel Preis für Medizin 2008

...com Françoise Barre-Sinoussi

Mesmo que o processo tenha terminado sem vencedor, muitos anos mais tarde Gallo reconheceria Montagnier como verdadeiro descobridor do vírus da imunodeficiência humana, HIV (sigla do inglês Human Immunodeficiency Virus).

Montagnier dedicou toda a sua vida à pesquisa da aids, da mesma forma como Françoise Barré-Sinoussi, com quem dividirá a metade do prêmio. A cientista, de 61 anos, integrou o grupo de pesquisas de Montagnier e desempenhou um papel importante na descoberta do HIV.

O prêmio tradicionalmente é entregue no dia 10 de dezembro, data da morte de Alfred Nobel, que criou a Fundação Nobel.

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