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No meio do caminho... uma pedra?

Michael Knigge/ rr26 de junho de 2004

Em encontro na Irlanda, União Européia e Estados Unidos querem revitalizar parceria transatlântica, desgastada por divergências políticas, econômicas e pela guerra no Iraque.

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Castelo de Dromoland, sede do encontroFoto: AP

Os EUA e a UE são, sem dúvida, os mais importantes mercados mundiais, mas nem sempre trilham caminhos comuns. Um puxa de lá, outro de cá, numa verdadeira queda-de-braço, em algum lugar entre cooperação e confronto. Agora, em algum lugar entre América e Europa, os dois parceiros históricos se encontram para "revitalizar a parceria transatlântica".

Reunidos em Shannon, na Irlanda, neste sábado (26), políticos de ambos os lados discutem três temas principais: o futuro do Iraque, a situação no Oriente Médio e a luta contra o terrorismo. Além, claro, de novas e eternas querelas econômicas.

Iraque: mais de um ano depois

Mais de um ano após o início da guerra, tanto Estados Unidos quanto União Européia percebem que possuem interesses comuns na reconstrução do Iraque. "Ambos precisam de um Iraque estável e de uma boa relação transatlântica", argumenta Janis Emmanouilidis, do Centro de Pesquisa Política Aplicada (CAP) da Universidade Ludwig Maximilian, de Munique. Esta seria uma boa oportunidade de acertar as contas.

Mas para Franz-Josef Meiers, do Centro de Pesquisa para Integração Européia (ZEI) de Bonn, por trás de tudo isso estariam apenas razões egoístas. "Com a proximidade das eleições, o presidente Bush precisa provar que não apenas sabe dar ordens, mas que também consegue atrair parceiros. E franceses e alemães também perceberam que uma política contra os EUA no Conselho de Segurança da ONU vai contra seus próprios interesses", opina.

Entretanto, especialistas não aguardam decisões estratégicas quanto à questão do Iraque. Primeiro, porque o parceiro estratégico dos Estados Unidos para questões militares e de segurança é a Otan, não a UE. Mais provável seria, portanto, que o tema fosse discutido durante a cúpula da aliança militar na Turquia, nos próximos 28 e 29 de junho. Além do mais, lembra Emmanouilidis, "não é certo que o atual governo americano estará no poder no próximo ano".

Luta contra o terrorismo

Dos três temas chaves do programa, é mais provável que o debate sobre segurança internacional e terrorismo ocupe a maior parte da agenda. EUA e UE poderiam, por exemplo, chegar a um acordo quanto à aproximação de seus serviços secretos e ao intercâmbio de dados. Há sinais de cooperação. A França, por exemplo, decidiu recentemente aceitar a reivindicação norte-americana e fornecer dados pessoais de passageiros europeus com destino aos EUA.

Paralelo a isso, lembra Meiers, "os americanos tentarão se aproximar do Processo de Barcelona". Trata-se de um projeto colocado em prática em 1995 pela UE, do qual fazem parte os países árabes mediterrâneos, a Turquia e Israel, cuja finalidade é promover a integração econômica, social e cultural na região e, ao mesmo tempo, incentivar reformas liberais e democráticas.

Do ponto de vista econômico, as disputas entre os dois blocos não são poucas: vão de questões relativas ao comércio bilateral e taxas de importação e exportação à indústria bélica e à legalização pela UE de transgênicos, só para citar algumas delas.