″No Haiti o mais importante é agir rápido″, afirma diretor de Médicos Sem Fronteiras | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 17.01.2010
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Mundo

"No Haiti o mais importante é agir rápido", afirma diretor de Médicos Sem Fronteiras

Diretor geral da ONG Médicos Sem Fronteiras fala em entrevista exclusiva à Deutsche Welle sobre situação no Haiti após o grande terremoto. Destruição da infraestrutura médica dificulta seriamente assistência a feridos.

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Deutsche Welle: Nos dois primeiros dias após o terremoto, seus colegas no Haiti já trataram mais de 1.500 pacientes. O que se pode dizer sobre as circunstâncias no local?

Frank Dörner Geschäftsführer von Ärzte ohne Grenzen in Deutschland

Frank Dörner, diretor geral da Médicos Sem Fronteiras

Frank Dörner: A situação é calamitosa. É preciso ter em mente que a infraestrutura com que trabalhávamos há anos realmente foi destruída no espaço de um minuto. Os hospitais em que atuávamos não estão mais funcionais, um deles está tão seriamente danificado que pessoal e pacientes acabaram ficando soterrados sob os escombros. Uma situação que não envolve apenas a necessidade direta de assistência médica, como também a integridade física de nossos próprios funcionários. No momento, não sabemos o que aconteceu com parte de nossos 750 colaboradores nacionais.

É uma situação em que a infraestrutura médica não funciona mais, e a necessidade de ajudar é tão imensa que fica dificílimo coordenar. E, é claro, há destinos pessoais simplesmente terríveis.

Cita-se muito a cirurgia como um dos problemas principais, pois não há hospitais, e justamente o tipo de ferimentos que ocorreram lá exigem intervenções cirúrgicas. Como se tenta lidar com isso?

Estivemos aptos a oferecer tratamento de emergência relativamente rápido, por atuarmos no país desde 1991. Neste momento em que ocorreu a catástrofe, dispomos de três centros: dois hospitais em que trabalhávamos e um centro de saúde. Assim, possuímos material in loco, parte do qual tem que, antes de tudo, ser posto a salvo. Mas também dispomos de pessoal treinado, que logo se colocou a postos. Tivemos que improvisar, mas também, após umas poucas horas, estávamos aptos a oferecer assistência aos casos agudos, sobretudo de ferimentos.

A intervenção cirúrgica, é claro, exige alguns preparativos, além de condições mínimas de higiene, etc., as quais precisam ser providenciadas em circunstâncias muito primitivas. Além disso, apenas parte do pessoal atuante em todo o país encontra-se, e estes estão totalmente sobrecarregados. Isto significa que agora é extremamente importante trazer novo material e novo pessoal, simplesmente para substituir os que, há muito, se encontram no limite das próprias capacidades.

Noticia-se que seus colegas transferiram para um estacionamento vizinho os pacientes de um hospital que praticamente desmoronou. Como se faz isso?

Temos que montar barracas. É óbvio que traçamos, anteriormente, um plano de emergência, incluindo a provisão de certos materiais de reserva, de barracas que são então empregadas para montar clínicas móveis. Mas esse esquema tem suas imitações, está claro. Os médicos têm que estabelecer um local para a triagem, em que se dividem em diferentes grupos as pessoas que chegam. Primeiro, são tratados os feridos graves, os que enfrentam real perigo de vida. Os que têm os ferimentos mais leves são, via de regra, os que podem esperar mais tempo. Importante é que estrutura que se organizou também seja funcional.

Como é possível organizar, quando as vias de comunicação estão truncadas – não dá para tratar de tudo através de telefonia por satélite. E as diferentes formas de ajuda, que lá chegam, também precisam ser coordenadas. Quem executa essa função?

Numa situação aguda como esta, é preciso reconhecer, são muito poucas as possibilidades de que se dispõe. A questão é salvar vidas. Está claro que uma organização como a Médicos Sem Fronteiras, especializada em intervenção de emergência, já fez seus planos de antemão. Por atuarmos há tanto tempo no Haiti, estamos indiretamente preparados para a situação. Quer dizer, temos nossos fluxogramas, material médico, antibiótico, infusões. Sabe-se o que há para ser feito, e aí é preciso cuidar para que o pessoal adequado esteja a postos.

Então, no primeiro momento, nos concentramos em ser imediatamente funcionais. E só depois vemos como a coordenação pode se realizar. Entretanto, como se vê pelas imagens da catástrofe, no momento o que falta basicamente é ajuda. E – embora seja enorme a disposição de ajudar da comunidade internacional – é praticamente impossível aterrissar no país e levar pessoal e material aonde são necessários. Quer dizer, quem está lá, cuida para fazer o seu trabalho o mais rápido possível. Coordenação é importante, está claro. Porém, em especial no campo médico, tem importância secundária.

Entrevista: Jörg Zurheide

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