Nicolas Sarkozy será julgado na próxima semana | Notícias internacionais e análises | DW | 21.11.2020

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França

Nicolas Sarkozy será julgado na próxima semana

Ex-presidente francês é acusado de corrupção e tráfico de influência. Escutas apontaram que ele prometeu vantagens para um juiz. "Não sou corrupto", diz ex-mandatário.

Frankreich Boulouris | 75. Jahrestag der Alliierten-Landung an der Mittelmeerküste - Nicolas Sarkozy

Suposto tráfico de influência foi verificado em conversas grampeadas de Sarkozy com seu advogado

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy será julgado na segunda-feira (23/11) em Paris por suspeita de corrupção e tráfico de influência no chamado "caso das escutas".

O ex-presidente (2007-2012) de 65 anos, que nega as acusações, prometeu que vai ser "combativo" no julgamento.

Antes de Sarkozy, outro ex-presidente francês, Jacques Chirac (1995-2007), seu antecessor e durante anos seu mentor político, foi condenado a dois anos de prisão por desvio de fundos, com direito a suspensão da pena, mas seu estado de saúde o impediu de comparecer ao tribunal.

O caso das escutas telefônicas tem origem em outro caso que ameaça Nicolas Sarkozy, que envolve suspeita de que sua campanha recebeu financiamento do regime líbio de Muammar Gaddafi durante a corrida presidencial de 2007.

A justiça decidiu grampear o telefone do ex-presidente. Investigadores apontaram que Sarkoyz tinha uma linha secreta na qual usava o pseudônimo de "Paul Bismuth".

Segundo os investigadores, algumas conversas revelaram a existência de um pacto de corrupção. Junto com seu advogado, Thierry Herzog, Sarkozy teria tentado obter informações secretas de outro processo por meio do juiz Gilbert Azibert. Azibert também teria tentado influenciar seus colegas de tribunal. Em troca, Sarkozy teria prometido ao magistrado ajudá-lo a conseguir um cargo altamente cobiçado no Conselho de Estado de Mônaco.

Se condenado, o ex-presidente pode receber uma pena de até 10 anos de prisão e multa de um milhão de euros. Herzog e Azibert serão julgados ao lado de Sarkozy, também acusados de corrupção e tráfico de influência.

Azibert já era considerado um dos principais candidatos ao cargo de Mônaco, mas "se você der um empurrão, é sempre melhor", disse Herzog a Sarkozy em uma ligação no início de 2014. "Vou fazê-lo subir", respondeu Sarkozy, de acordo com a acusação.

Mas, alguns dias depois, Sarkozy disse a seu advogado que não "abordaria" as autoridades de Mônaco. Sinal, segundo os procuradores, de que os dois ficaram sabendo que a linha estava grampeada.

O ex-chefe de Estado se defendeu novamente na sexta-feira no canal de televisão BFM: "O senhor Azibert nunca obteve um cargo em Mônaco. O Palácio de Mônaco publicou uma declaração dizendo que 'Nicolas Sarkozy não interveio' e todos os magistrados interrogados disseram que o senhor Azibert não interveio!, disse. "Não sou corrupto."

JPS/afp/ots

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