″Nem os EUA nem o Irã querem uma guerra″ | Notícias internacionais e análises | DW | 25.06.2019
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Mundo

"Nem os EUA nem o Irã querem uma guerra"

Com novas sanções de Trump, tensões entre Washington e Teerã se acirram. Apesar de um entendimento entre os dois países não estar à vista, especialistas afirmam que ambas as partes querem evitar um conflito militar.

Diante da Casa Branca, manifestantes protestam contra uma guerra

Diante da Casa Branca, manifestantes protestam contra uma guerra

Na segunda-feira (24/06), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os EUA impuseram novas sanções ao Irã, de efeito imediato. Segundo o presidente, as novas medidas têm como alvo o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, negando a ele e a pessoas de seu entorno o acesso a importantes recursos financeiros.

As novas sanções são o mais recente sinal de que as tensões entre os EUA e o Irã estão se acirrando. Depois que Trump cancelou de última hora um ataque aéreo contra o Irã na quinta-feira passada, em retaliação ao abatimento de um drone, ele e seus assessores deixaram claro que os EUA haviam sido cautelosos desta vez, mas que isso não significa que o Irã não tenha nada a temer.

"Nem o Irã nem outros atores inimigos devem entender a prudência dos EUA como uma fraqueza", disse o conselheiro de Segurança Nacional de Trump, John Bolton. E o próprio presidente afirmou na segunda-feira: "Acho que mostramos muita cautela, e isso não significa que vamos mostrar isso no futuro."

Em vez do ataque militar, aplicam-se agora sanções. Isso pode indicar que Trump prefere resolver diplomaticamente o conflito com Teerã. A República Islâmica, por sua vez, abateu "apenas" um avião não tripulado dos EUA, embora os militares iranianos, de acordo com informações próprias, também poderiam ter atingido um avião que seguia o drone.

"Está claro que nenhum dos lados quer uma guerra", disse à DW Alex Vatanka, do think tank americano Instituto do Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, Vatanka adverte que qualquer passo errado poderia explodir o barril de pólvora do relacionamento EUA-Irã. "É importante estar ciente de que numa situação tão tensa, com tantas peças em movimento, passos errados podem ocorrer", afirma o especialista em segurança nascido em Teerã. "E então pode acontecer o pior."

Desde que abandonou o acordo nuclear firmado entre o Irã e potências internacionais em 2015, Trump deixou claro querer impedir a qualquer preço que o Irã consiga uma arma nuclear. Ele quer trazer os iranianos de volta à mesa de negociações para chegar ao que ele chama de um acordo melhor, que limite Teerã por mais tempo do que o pacto de 2015.

Mas até agora, com suas sanções cada vez mais rigorosas, o presidente dos EUA só conseguiu aumentar a teimosia da liderança iraniana.

"No passado, as sanções funcionavam porque eram multilaterais e possuíam uma base diplomática", afirma Kaleigh Thomas, pesquisadora do think tank Centro para uma Nova Segurança Americana. "Naquela época, os canais de comunicação estavam abertos para o Irã, esse não é o caso agora."

Então, o que pretenderia Trump com as sanções contra o Irã, que até agora não deram frutos durante seu mandato? Vatanka diz acreditar que o governo dos EUA aposta na população iraniana, que está sofrendo cada vez mais com as sanções econômicas.

"A melhor hipótese, que o governo Trump gostaria de ver se realizar, é que as pessoas no Irã fiquem tão irritadas com as más condições de vida que elas se rebelem e exijam uma mudança de regime", explica o especialista em segurança. "Mas acho que isso é improvável."

Como não se vislumbra uma mudança iminente de regime na República Islâmica, o presidente dos EUA também deve tentar, por outros meios, persuadir o Irã a negociar. Em comparação com seu conselheiro de segurança linha-dura, John Bolton, ou o secretário de Estado Mike Pompeo, o presidente Trump poderia atuar como a alternativa mais sensata de interlocutor.

"Ele pode brincar de 'policial bom, policial ruim'", diz Vatanka. "Ele só precisa apontar para Bolton ou Pompeo e dizer: 'Vocês acha que sou ruim? Olhe para eles.'"

Thomas afirma que Bolton estaria mais propenso a um conflito militar, mas é Trump quem tem a última palavra. "Ele tem que mostrar ao Irã que o governo como um todo está interessado numa solução diplomática". De outra forma, diz a especialista, o Irã não retornará tão rapidamente à mesa de negociações.

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