″Nas ciências o bom Deus fica de fora″ | Especiais e séries de reportagens da Deutsche Welle Brasil | DW | 02.12.2005
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Especial

"Nas ciências o bom Deus fica de fora"

Ao que tudo indica, atualmente os neurologistas tentam reduzir todas as ações humanas a fenômenos físicos...

Tenho minhas dúvidas de que algum neurologista esteja pesquisando isso. Eles estudam as sinapses e as células, porém não como os atos humanos sejam regulados apenas por células e sinapses. Isso é coisa dos cadernos de cultura...

Mas naturalmente, também eu acredito que tudo o que os seres humanos pensam e fazem seja, afinal de contas, representado e realizado através de processos realizados nas sinapses e neurônios.

Porém, simplesmente examinar sinapses não revela nada sobre o funcionamento cerebral. Muito pelo contrário. Cérebros são órgãos encarregados de realizar determinadas tarefas no nível do comportamento e ação. E só por isso se transformaram em máquinas materiais, capazes de realmente desempenhar tais tarefas. Sem compreendê-las, não há como entender como o cérebro funciona.

Então, como podemos entender o funcionamento do cérebro?

Só procedendo de forma inversa. Deve-se partir das funções que o sistema realiza. Sou bastante a favor de continuar perseguindo o ponto de vista reducionista dos neurologistas. Porém isso não significa que os níveis descritivos mais complexos desapareçam.

Normalmente procede-se de cima para baixo, dando uma dianteira aos níveis explicativos e analíticos mais complexos, para que possam desenvolver suas hipóteses. Em seguida procura-se nos níveis analíticos mais elementares os processos possivelmente relevantes.

Por isso é tão difícil construir robôs que se comportem como os seres humanos?

Roboter Fußball

Robô-humanóide Kondo

Pode-se construir tais robôs, mas só para certas funções. Mas primeiro é preciso analisar a tarefa que cumprirão, elaborando a realização a partir daí. É muito complicado construir um robô capaz de se mover num ambiente complexo sem ficar encurralado a toda hora.

Fica em aberto se é possível construir máquinas de chips de silício, capazes de funções cognitivas semelhantes às dos sistemas naturais. Porém uma coisa é certa: os sistemas que todos nós temos em nossas cabeças são, pelo menos no momento, muitíssimo mais eficientes do que os sistemas não-biológicos.

Trata-se apenas de um problema científico ainda não resolvido, ou é também uma questão de fé, uma espécie de confiança num princípio extraterreno, que nos torna únicos?

Simplesmente ainda sabemos muito pouco sobre como o cérebro realiza as funções mentais, e se desempenhos cognitvos desse grau de complexidade só são realmente possíveis em sistemas biológicos, os únicos em que foram observados até agora.

Há motivos para crer que os sistemas biológicos possuem características que lhes permitem realizar tarefas de computação enormes num espaço mínimo. O que talvez envolva certos design principles que ainda não compreendemos.

Mas isso continua não sendo motivo para apelar para o bom Deus. Os cientistas sempre deixam Deus de fora. Alguns deles podem ser crentes na vida privada, porém o bom Deus nunca aparece nas ciências como um agente.

O professor Wolfgang Prinz dirige desde 1990 o Departamento de Psicologia Cognitiva do Instituto Max Planck de Pesquisa Psicológica, em Munique. Em 1993, recebeu o Prêmio Leibniz da Comunidade Alemã de Pesquisa.

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