″Não vamos controlar a pandemia″, diz chefe de gabinete de Trump | Notícias internacionais e análises | DW | 25.10.2020

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Estados Unidos

"Não vamos controlar a pandemia", diz chefe de gabinete de Trump

Mark Meadows afirma que vírus "é contagioso como a gripe". Declarações provocam ultraje entre a oposição democrata, que acusa Trump de nunca ter se esforçado para conter doença, que deixou 225 mil mortos nos EUA.

USA Hope Hicks, Mark Meadows und Donald Trump

Mark Meadows e Donald Trump

O chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, disse neste domingo (25/10) que os EUA "não vão controlar" a pandemia de coronavírus, que já deixou quase 225 mil mortes no país.

"Não vamos controlar a pandemia. Vamos controlar o fato de termos vacinas, terapias e outras áreas de mitigação", disse Meadows ao apresentador Jake Tapper, da rede CNN.

Tapper pressionou Meadows a explicar por que o governo não pretende controlar a doença, num momento em que o vírus avança com força no meio-oeste dos EUA. Ele respondeu: "Porque é um vírus contagioso como a gripe".

Questionado sobre a recusa do governo em tornar obrigatório o uso de máscaras e o fato de Trump continuar organizando grandes eventos de campanha com aglomerações, o chefe de gabinete da Casa Branca respondeu: "Vivemos em uma sociedade livre".

A imprensa americana classificou as falas de Meadows como uma admissão excepcionalmente franca da mentalidade do governo Trump, que desde o início da pandemia evitou assumir um papel de liderança na organização de um esforço nacional para controlar o vírus. Paralelamente, membros do governo Trump e o próprio presidente evitaram seguir regras de distanciamento social e até usar máscaras ao longo da pandemia.

Por outro lado, a admissão de Meadows contrasta com falas de Trump nas últimas semanas, que tem insistido que o "vírus está indo embora".

No sábado, os Estados Unidos registraram sua segunda maior marca de novos casos de covid-19, com 84 mil americanos recebendo diagnóstico positivo. Neste domingo, o país acumulava 8.575.000 casos totais da doença, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

As falas de Meadows provocaram críticas imediatas. O governador do estado de Nova York, Andrew Cuomo, disse que elas são equivalentes a uma rendição. "Eles se renderam sem disparar um tiro. Foi a grande rendição americana ”, disse ele no domingo, segundo o jornal Daily News. "Eles acreditaram desde o início que não poderiam controlar o vírus", disse ele.

Em contraste, Cuomo disse que seu estado foi capaz de controlar a doença. Depois de um início caótico, que fez com que a cidade de Nova York fosse um dos epicentros mundiais da doença, a taxa de infecção foi reduzida a uma das mais baixas dos EUA por meio de um programa agressivo de testes e rastreamento de contatos.

Já a democrata Kamala Harris, que concorre à vice-presidência na chapa de Joe Biden, acusou o governo Trump de admitir a derrota. "Eles reconhecem seu fracasso”, criticou Harris a repórteres em Michigan. "É o maior fracasso de uma administração presidencial na história dos Estados Unidos”, completou.

Biden, compartilhou da opinião de Harris, dizendo que Meadows "admitiu que o governo desistiu de tentar controlar esta pandemia, que desistiu de seu dever básico de proteger o povo americano."

"Já passou da hora de o presidente Trump e seu governo ouvirem os cientistas, agirem e finalmente levarem a sério a ameaça de um vírus que está custando milhares de vidas a cada semana, fechando nossas escolas e forçando milhões de americanos a perder o trabalho", disse Biden.

JPS/afp/ots

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