Mundo teve 22% mais jornalistas presos em 2016 | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 13.12.2016
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Mundo

Mundo teve 22% mais jornalistas presos em 2016

Número de profissionais da imprensa detidos subiu para 187 neste ano, segundo relatório da ONG Repórteres Sem Fronteiras. "Perseguição em todo o mundo está crescendo a um ritmo chocante", alerta.

O número de jornalistas profissionais presos no mundo subiu para 187 em 2016, mais 22% do que no ano passado, denunciou nesta terça-feira (13/12) a organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em relatório.

Segundo o levantamento, se somadas as prisões de colaboradores de meios de comunicação (15) e "jornalistas cidadãos" ou bloggers (146), o número de detenções chega a 348 em todo o mundo – 6% a mais do que em 2015.

"A perseguição de jornalistas em todo o mundo está crescendo a um ritmo chocante", afirma o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire, em comunicado.

No texto, Deloire lembra que a estatística das prisões é liderada pela Turquia, onde o número de presos quadruplicou, para mais de cem, após a tentativa de golpe de estado em julho.

"Uma caça às bruxas condenou dezenas de jornalistas e transformou a Turquia na maior prisão do mundo para a profissão de jornalista. No espaço de um ano, o regime de Erdogan esmagou todo o pluralismo dos meios de comunicação, enquanto a União Europeia não interveio em praticamente nada", considera Deloire.

A RSF destaca ainda que o número de jornalistas mulheres detidas no mundo quase quadruplicou (de 5 para 21), sobretudo por causa da situação política vivida na Turquia, onde está um terço das detidas. A estatística feminina, de acordo com a organização, também revela que cada vez mais a profissão é exercida por mulheres.

Além da Turquia, China (103), Síria (28), Egito (27) e Irã (24) representam mais de dois terços dos jornalistas encarcerados, diz a RSF, que pede a criação de um representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a segurança dos repórteres.

Sequestros

O balanço anual da RSF, fechado em 1º de dezembro, também aponta que 52 jornalistas foram feitos reféns em 2016 – nove a menos que em 2015. Dentre os casos registrados estão 26 na Síria, 16 no Iêmen e dez no Iraque. Um jornalista está desaparecido no Burundi.

Todos os casos de sequestro ocorreram em zonas de conflito, e em 89% as vítimas eram jornalistas locais que com frequência trabalham por conta própria "em condições precárias e muito arriscadas", sublinha a RSF.  O grupo extremista "Estado Islâmico" (EI) foi responsável por 21 destes sequestros.

Num outro balanço também apresentado nesta terça-feira, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) diz que 259 profissionais estão presos no mundo, 81 dos quais na Turquia.

O CPJ só considera os detidos pelo Estado, enquanto a RSF também contabiliza as prisões feitas por grupos não estatais. No levantamento da CPJ, os cinco países onde há mais jornalistas presos são Turquia, China, Egito, Eritreia e Etiópia. Pela primeira vez desde 2008 o Irã não aparece na lista entre os cinco primeiros países.

Brasil

Apesar de não ter registrado a prisão de nenhum jornalista, o relatório da RSF coloca o Brasil na 104ª posição do ranking dos 180 países verificados – cinco posições a menos que no ano passado.

De acordo com a organização, o país é um dos mais perigosos e violentos para exercer a profissão de jornalista na América Latina. Isso devido a ameaças, agressões físicas durante manifestações populares e assassinatos de profissionais da mídia. Em 2016, três jornalistas foram mortos no país.

TMS/efe/lusa/afp

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