Mortes por covid-19 podem chegar a 3 mil por dia nos EUA até junho, diz documento | Notícias internacionais e análises | DW | 05.05.2020

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Coronavírus

Mortes por covid-19 podem chegar a 3 mil por dia nos EUA até junho, diz documento

Projeções do Centro de Controle de Doenças sugerem que número de casos diários pode octuplicar para 200 mil neste mês em razão do relaxamento precoce de medidas de prevenção. Casa Branca minimiza estimativas.

Mulheres de máscara em Nova York

Atualmente são reportados em média 2 mil óbitos por covid-19 por dia nos EUA

Um documento interno do Centro de Controle de Doenças (CDC) nos Estados Unidos vazado à imprensa revela previsões de uma piora acentuada na crise gerada pelo novo coronavírus nos EUA.

Segundo reportagens divulgadas nesta segunda-feira (04/05) pelos jornais The New York Times e Washington Post, o número de infeções diárias no país pode octuplicar, chegando a 200 mil até o início de junho, em contraste com a média de 25 mil novos casos registrados diariamente no país.

De acordo com o documento, a contagem diária de mortos no país pode aumentar significativamente e chegar a 3 mil até o final de maio. Segundo estimativas, a média diária dos óbitos é atualmente de cerca de 2 mil no país, que já e o mais atingido pela pandemia de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. As projeções se baseiam em dados compilados pela Agência Federal de Gerenciamento de Emergências.

O Washington Post citou um professor de epidemiologia da Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins que afirma que o documento vazado à imprensa se baseia em dados de uma ampla variedade de possibilidades e de modelos que foram apresentados ao CDC como um trabalho ainda em andamento.

Em todo o país, 1.015 mortes foram registradas nesta segunda-feira, o menor número de óbitos diários desde o início de abril, o que aumentou as esperanças de um possível retorno à normalidade. Até o momento, foram registradas mais de 1,1 milhão de casos e mais de 68 mil mortes em decorrência da covid-19 no país, segundo dados da Universidade Johns Hopkins.

A Casa Branca minimizou o vazamento dos dados, afirmando se tratar de um documento interno que não havia sido coordenado com outras autoridades e que ainda não sido submetido à equipe do presidente Donald Trump.

No domingo, o presidente admitiu que o número de vítimas da doença no país pode vir a passar de 100 mil. Ele, porém havia inicialmente previsto em torno de 60 mil a 70 mil mortes.

Segundo as reportagens do New York Times e do Washington Post, os cálculos do CDC se baseiam no fato de que alguns estados e distritos não tomaram medidas enérgicas para conter a disseminação do Sars-Cov-2, ou relaxaram precocemente as medidas de prevenção. Nos EUA, a responsabilidade pelas medidas de combate à doença estão, em grande parte, a cargo dos governos estaduais e das autoridades locais.

O próprio Trump vem pressionando pelo retorno à normalidade e pela reabertura da economia do país, com vistas às eleições presidenciais em novembro.

Paralelamente aos dados do CDC, outro modelo estatístico mencionado como referência pela Casa Branca fez uma revisão de suas estimativas, afirmando que o número de óbitos pode dobrar nos EUA nos próximos meses, um prognóstico bem mais sombrio do que o quem vem sendo apontado pela equipe de Trump designada para lidar com a crise.

O Instituto de Métrica e Avaliação de Saúde (IHME) da Universidade de Washington estima que 135 mil americanos devem perder suas vidas até o início de agosto em razão do relaxamento das medidas de prevenção e do aumento da movimentação de pessoas em 31 estados até o dia 11 de maio. O modelo do instituto, utilizado pelo governo, associa o aumento nas mortes ao maior contato entre as pessoas, o que possibilitaria a transmissão do novo coronavírus.

RC/rtr/afp

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