Morre aos 85 anos o primeiro homem a caminhar pelo espaço | Notícias internacionais e análises | DW | 11.10.2019
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Mundo

Morre aos 85 anos o primeiro homem a caminhar pelo espaço

Cosmonauta soviético Alexei Leonov entrou para a história ao caminhar pelo espaço, em 1965. Posteriormente, no auge da Guerra Fria, integrou a primeira missão espacial conjunta entre a União Soviética e EUA.

 Alexei Leonov

Alexei Leonov participou de dois capítulos decisivos da história da viagem espacial

O cosmonauta soviético Alexei Leonov, o primeiro homem a caminhar no espaço, morreu nesta sexta-feira (11/10), aos 85 anos, em consequência de uma longa doença, anunciou a agência espacial russa Roscosmos. A causa da morte não foi divulgada.

"Alexei morreu no Hospital Burdenko [em Moscou], após uma longa doença", afirmou sua assistente pessoal, Natalia Filimonova, em entrevista à agência de notícias russa TASS. Ela acrescentou que Leonov será enterrado em 15 de outubro, no Cemitério Militar Federal da cidade de Mytishchi, na região de Moscou.

Leonov nasceu em 1934 numa família de camponeses, no oeste da Sibéria. Seu pai chegou a ser preso e enviado para uma prisão do Gulag, durante o governo do ditador soviético Josef Stalin. Tendo pensado em estudar artes antes de entrar na faculdade de aviação, Alexei Leonov se tornou o 11º cosmonauta da União Soviética e foi duas vezes condecorado com o título de Herói da URSS, a mais alta distinção do país.

O cosmonauta garantiu seu lugar na história em 18 de março de 1965, ao fazer a primeira caminhada espacial, depois de sair da cápsula Voskhod 2 amarrado a uma corda. Caminhadas espaciais sempre são de alto risco, mas a aventura pioneira de Leonov foi uma audácia, segundo detalhes que só foram revelados décadas após o acontecimento.

Com o traje espacial, ficou fora da nave durante 12m09s. A caminhada começou quando a Voskhod 2 sobrevoava o Mar Negro. No vácuo, seu traje se inflou tanto, que ele não tinha mais como voltar para a cápsula.

Seguindo as instruções, Leonov tentou inicialmente entrar pela escotilha com as pernas para a frente, mas ficou preso na altura das coxas. A situação ficou mais crítica. Dentro do traje, não conseguia utilizar as mãos, tinha reservas de oxigênio para apenas meia hora e restavam cinco minutos para que a nave voasse pela parte escura da Terra, ou seja, permaneceria quase uma hora na mais absoluta escuridão.

"Sem consultar ninguém, reduzi quase o dobro da pressão, as coisas mais ou menos voltaram aos seus lugares, agarrei as pontas da escotilha e entrei de cabeça", comentou alguns anos atrás à imprensa.

Segundo relatou, problemas também ocorreram no retorno porque a escotilha não foi hermeticamente fechada, o sistema de defesa automático não funcionou e os cosmonautas, ao realizarem a descida com os comandos manuais, aterrissaram muito longe da área prevista.

Dez anos depois, Leonov retornou ao espaço, no comando da metade soviética da missão 19 da Apolo-Soyuz. Foi a primeira missão espacial conjunta entre a União Soviética e os Estados Unidos, realizada no auge da Guerra Fria.

Alguns dias antes de o cosmonauta completar 85 anos, em maio, dois membros russos da tripulação da Estação Espacial Internacional caminharam pelo espaço com uma foto dele, para homenageá-lo.

Leonov era um ícone tanto em seu país quanto nos EUA, chegando a ser homenageado pelo escritor britânico de ficção científica Arthur C. Clarke, que, no romance 2010: Uma odisseia no espaço 2, batizou a espaçonave soviética com o nome do cosmonauta.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, transmitiu as condolências do presidente russo, Vladimir Putin, aos familiares do cosmonauta: "Putin sempre admirou a coragem de Leonov, que considerava um homem extraordinário", destacou. A Nasa também prestou homenagem ao cosmonauta. "Sua aventura no vácuo do espaço deu início a história da atividade extraveicular que tornou hoje possível a manutenção da estação espacial", registrou a agência espacial americana.

CN/efe/lusa/ap/rtr

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