Merkel rejeita críticas da Turquia sobre genocídio armênio | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 07.06.2016
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Alemanha

Merkel rejeita críticas da Turquia sobre genocídio armênio

Chanceler repreende acusações feitas contra deputados alemães de origem turca que votaram a favor de resolução reconhecendo genocídio armênio. Decisão do Bundestag azedou relação entre os países.

A chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, criticou nesta terça-feira (07/06) os ataques feitos pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, sobre a aprovação pelo Parlamento alemão da resolução sobre o genocídio armênios durante a Primeira Guerra Mundial.

Acompanhada do presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, que está em visita a Berlim, Merkel afirmou: "Os deputados do Bundestag são, sem exceção, eleitos livremente, e as acusações e declarações que foram feitas agora pelo lado turco são incompreensíveis."

Os comentários da chanceler vêm um dia depois de parlamentares alemães com raízes turcas pedirem a Merkel que tome uma posição contra Ancara. Vários deles chegaram a receber ameaças de morte por apoiar a resolução sobre o genocídio armênio.

O deputado do Partido Verde Özcan Mutlu afirmou que "como deputado, insultos e ameaças começaram a se tornar normais". "Mas isso [essas ameaças] leva as coisas para outro nível", declarou.

Turquia nega genocídio

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, atacou primeiro o Parlamento alemão, na semana passada, após o Bundestag aprovar a resolução que se refere ao massacre de armênios em 1915, sob o Império Otomano, como "genocídio".

Como Estado sucessor do Império Otomano, a Turquia rejeita incondicionalmente a classificação do massacre como genocídio. Ancara afirma que os armênios eram apoiados pela Rússia durante a Primeira Guerra Mundial, e que a deportação em massa e as consequentes mortes de armênios não foram nem intencionais nem premeditadas – um requisito fundamental para a definição legal de genocídio. Historiadores estimam entre 800 mil e 1,5 milhão o número de mortos.

Após convocar o embaixador turco em Berlim na quinta-feira, Erdogan sugeriu que aprovar a resolução era hipocrisia por parte da Alemanha. "Primeiro é preciso responder sobre o Holocausto, depois sobre o assassinato de 100 mil pessoas na Namíbia", afirmou.

Erdogan pede "exame de sangue"

O presidente turco acusou os 11 deputados alemães de origem turca que votaram a favor da resolução de apoiar o "terrorismo" do proscrito Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado uma organização terrorista tanto na Alemanha quanto na Turquia. Erdogan exigiu "exames de sangue" para ver "que tipo de turcos" eles são.

O prefeito de Ancara, Ibrahim Melih Gökcek, publicou no Twitter uma montagem com as fotos dos 11 deputados, contendo a mensagem "Os traidores devem perder sua cidadania". Para Gökcek, eles "nos apunhalaram [a Turquia] pelas costas".

O copresidente do Partido Verde Cem Özdemir, que também deu seu voto a favor da resolução, estava entre os 11 deputados visados por Ancara. Após receber ameaças de morte de alguns apoiadores de Erdogan, ele foi colocado sob proteção policial.

As relações diplomáticas de Merkel com o presidente turco estiveram sob fogo por diversas vezes nos últimos meses, com vários críticos acusando a chanceler federal de ignorar o histórico de direitos humanos na Turquia e a piora da liberdade de imprensa a fim de receber a cooperação de Ancara na implementação do acordo de refugiados da União Europeia.

Leia mais