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Copa do Mundo

13 de junho de 2010

A Copa do Mundo é um grande negócio para empresas de artigos esportivos. Com metas de vendas bem traçadas, Adidas, Nike e Puma dominarão os gramados no Mundial da África do Sul.

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Nike e Adidas são as maiores patrocinadoras de times no Mundial da África do Sul
Nike e Adidas são as maiores patrocinadoras de times no Mundial da África do SulFoto: picture-alliance/dpa

No maior evento esportivo do mundo, a venda de camisetas e réplicas da bola oficial deverá render milhões de euros. Também se aposta na fidelidade dos clientes na hora de comprar tênis novos.

Depois de dado o pontapé inicial da Copa na África do Sul, a Adidas pretende defender sua posição como marca líder de artigos de futebol contra a concorrente Nike - maior produtora mundial de roupas esportivas. A Puma vem logo atrás e não parece intimidada pelas rivais.

Patrocinadora oficial

Derrubar a Adidas do seu posto de liderança é uma tarefa difícil. Em primeiro lugar, a empresa alemã é a patrocinadora oficial e fornecedora de roupas da Copa do Mundo, licenciada pela Fifa – status que mantém há 40 anos. Um dos privilégios de tal posição é produzir a bola oficial, o produto da Copa mais vendido pela marca. Em 2006, mais de 10 milhões de unidades foram comercializadas em todo o mundo.

Adidas fornece as bolas da Copa há quatro décadas
Adidas fornece as bolas da Copa há quatro décadasFoto: Adidas

Neste ano, ainda não se sabe se o item manterá sua popularidade. A bola oficial dos jogos na África do Sul, chamada de "Jubulani", foi criticada por jogadores e goleiros, incluindo o espanhol Iker Casillas e o brasileiro Júlio César. Eles dizem que a bola se desvia estranhamente, mudando de direção de repente. A Adidas insiste que a bola vem sido utilizada há meses em jogos de campeonatos nacionais, tendo sido, até agora, aprovada.

A Adidas também fornece o uniforme de cerca de 60 times nacionais, incluindo 12 classificados para o Mundial de 2010. Entre eles estão Argentina, Alemanha, Espanha e a anfitriã África do Sul. A produção de uniformes é altamente disputada por aumentar muito a visibilidade das marcas. Apenas a logomarca do fornecedor oficial e o da FIFA aparecem nas camisetas. Aos olhos das empresas, o poder deste marketing é inigualável.

Messi de chuteiras novas

Além de ser patrocinadora oficial do Mundial 2010, a Adidas firmou contrato com 200 jogadores do primeiro escalão para que usem chuteiras da marca. No topo da lista está o argentino Lionel Messi, considerado atualmente o melhor jogador do mundo. Na África do Sul, Messi calça a nova chuteira F50 adiZero, que pesa apenas 165 gramas e é apontada pela Adidas como a mais leve do mundo.

Lionel Messi (à esquerda) assinou contrato lucrativo com a Adidas
Lionel Messi (à esquerda) assinou contrato lucrativo com a AdidasFoto: AP

Neste ano, o fabricante esportivo espera superar seu recorde de 1,3 bilhão de euros arrecadados com a venda de produtos de futebol lançados em 2008, quando foi realizado o Campeonato Europeu. O número superou até mesmo as vendas de 2006, que não passaram de 1,2 milhão no ano da Copa na Alemanha. "Estamos confiantes e otimistas de que alcançaremos um novo recorde este ano com a ajuda da Copa", declarou o porta-voz da Adidas Jan Runau à Deutsche Welle.

Rival norte-americana

A norte-americana Nike, gigante do setor de artigos esportivos, também luta para se destacar. A lista dos patrocinados pela marca inclui o pentacampeão Brasil, time cuja camiseta foi a mais vendida no Mundial de 2006.

A Nike também veste algumas estrelas do futebol, como o português Cristiano Ronaldo e o inglês Wayne Rooney. Recentemente, a empresa renovou o contrato com Ronaldo no valor de 6 milhões de euros ao ano, 2 milhões a mais do que o estabelecido no acordo anterior.

Outro time que está indiretamente na lista da Nike é a Inglaterra. A equipe é vestida pela tradicional marca inglesa Umbro, adquirida pela gigante norte-americana em 2007. A soma das vendas de itens esportivos das duas companhias chega a 1,9 bilhão de dólares (1,6 bilhão de euros), fazendo do grupo o maior produtor mundial de artigos de futebol.

Nove seleções vestirão uniforme da Nike na África do Sul, inclusive o pentacampeão Brasil
Nove seleções vestirão uniforme da Nike na África do Sul, inclusive o pentacampeão BrasilFoto: Nike

Puma resiste

Por mais poderosas que pareçam a Adidas e a Nike-Umbro no ramo do futebol, a rival alemã Puma não teme a competição. A marca conseguiu uma posição de destaque na África, patrocinando quatro dos sete times africanos classificados para a Copa.

"A Puma tem uma tradição de longa data na África", afirmou o porta-voz da empresa, Ulf Santjer, à Deutsche Welle. "Ao vestirmos os times africanos, sempre aproveitamos para lançar novos produtos."

A Puma foi a primeira a introduzir chuteiras coloridas no Mundial de 1998, vestidas pelo time de Camarões. Com a mesma equipe, lançou camisetas sem mangas na Copa seguinte.

Africa Unity Kit

Neste Mundial, a Puma está investindo milhões de euros no patrocínio das equipes de Camarões, Gana, Nigéria e Costa do Marfim. Além disso, a marca vai fornecer aos times africanos seu terceiro uniforme oficial, o chamado "Africa Unity Kit". A Puma doará parte dos lucros obtidos com a venda de tais uniformes a uma iniciativa do Programa Ambiental das Nações Unidas em prol da biodiversidade na África.

Times africanos patrocinados pela Puma utilizarão o 'Africa Unity Kit' como terceiro uniforme oficial
Times africanos patrocinados pela Puma utilizarão o 'Africa Unity Kit' como terceiro uniforme oficialFoto: Puma

Apesar de ter um potencial de vendas de artigos esportivos muito menor que o das emergentes China e Índia, o mercado da África está em crescimento, especialmente entre africanos que vivem no exterior. Na França, por exemplo, a Puma esgotou seu estoque de camisetas do time da Argélia, com mais de 50 mil unidades vendidas.

Entretanto, o alto nível de pobreza em muitas regiões do continente e a crise econômica mundial levantam a seguinte dúvida: fabricantes de roupas podem mesmo esperar superar seus recordes de vendas no Mundial da África do Sul? Especialistas reconhecem a legitimidade da questão, mas apostam em uma grande demanda pelos produtos.

À prova de crise?

Os consumidores alemães até estão gastando menos com artigos esportivos, mas – de acordo com uma pesquisa feita recentemente pela Sport+Markt - os cortes são menores do que os aplicados a outros produtos e serviços. "As pessoas ainda estão dispostas a gastar com esportes", afirma Alexander Krause da Sport+Markt.

Pesquisa mostra que futebol é cada vez mais popular entre as mulheres alemãs
Pesquisa mostra que futebol é cada vez mais popular entre as mulheres alemãsFoto: AP

De acordo com Krause, grande parte destes consumidores é do sexo feminino. Segundo ele, as mulheres estão cada vez mais interessadas por futebol, praticando elas mesmas cada vez mais mais o esporte. Além disso, os jogos são comercializados pela mídia como eventos familiares e, hoje, mais de 25% dos espectadores das partidas da primeira divisão alemã são mulheres.

Autor: John Blau (lpf)
Revisão: Soraia Vilela