Luis Arce toma posse, e MAS volta ao poder na Bolívia | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 08.11.2020

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América Latina

Luis Arce toma posse, e MAS volta ao poder na Bolívia

Um ano após renúncia de Evo Morales, novo presidente assume o cargo com discurso conciliador, sem mencionar seu mentor político. Arce diz que seu governo será para todos e buscará reconstruir o país em unidade.

Luis Arce (à esq.) faz juramento ao lado de seu vice, David Choquehuanca

Luis Arce (à esq.) faz juramento ao lado de seu vice, David Choquehuanca

O esquerdista Luis Arce tomou posse neste domingo (08/11) como novo presidente da Bolívia, em uma cerimônia com a presença de líderes estrangeiros que marca o retorno ao poder do Movimento ao Socialismo (MAS), partido do ex-presidente Evo Morales.

Arce, que venceu as eleições com facilidade no mês passado, assume o país para um mandato de cinco anos com o desafio de unir uma sociedade profundamente polarizada e reviver uma economia desgastada pela pandemia de coronavírus.

Em seu discurso de posse, o novo presidente adotou um tom conciliador e se absteve de mencionar seu mentor político, Morales, que renunciou à presidência boliviana há um ano, após pressão dos militares e de setores conservadores do país.

"Iniciamos uma nova etapa em nossa história e queremos fazê-lo com um governo que seja para todos, sem discriminação de nenhuma natureza. Nosso governo buscará reconstruir nossa pátria em unidade para viver em paz", afirmou Arce.

"Governaremos com responsabilidade e inclusão, enfrentando as mudanças para que a Bolívia volte ao caminho da estabilidade no mais curto espaço de tempo. Venceremos a pandemia, venceremos a crise, porque somos um povo lutador", acrescentou, em 30 minutos de discurso.

O presidente chegou a se emocionar em alguns momentos de sua fala, quando sua voz falhou. A televisão mostrou lágrimas escorrendo pelo rosto de Arce enquanto ele cantava o hino nacional, após receber o comando da nação.

Apesar do discurso conciliador, ele se permitiu criticar brevemente a ex-presidente interina, a direitista Jeanine Áñez, a quem culpou por ter promovido perseguições políticas e causado a crise econômica com uma má gestão da pandemia.

"Vamos recuperar os níveis de crescimento que o governo interino destruiu e faremos isso reduzindo a pobreza e as desigualdades econômicas e sociais", declarou, após afirmar que vai restaurar o modelo econômico implantado durante os 14 anos de governo de Morales (2006-2019).

Antes de Arce tomar posse, David Choquehuanca foi empossado como vice-presidente, cargo que também inclui a presidência do Parlamento, onde o MAS tem a maioria, embora não mais a de dois terços.

Em seguida, vestido com um terno escuro, com uma camisa clara e sem gravata, Arce prestou juramento com a mão direita sobre o coração, enquanto Choquehuanca jurou com o punho esquerdo levantado, um sinal que identifica o partido dos dois e de Morales.

A cerimônia neste domingo contou com a presença do rei Felipe 6º da Espanha e dos presidentes de Argentina, Alberto Fernández; Colômbia, Iván Duque; e Paraguai, Mário Abdo Benítez, além de representantes de outros países da América, Europa e Ásia. O Brasil não enviou representante.

Nos arredores da Praça Murillo, onde estão localizados o Palácio do Governo e a sede do Legislativo boliviano, milhares de apoiadores do MAS que chegaram a La Paz provenientes de diferentes províncias e regiões nos últimos dias esperavam para testemunhar a posse de Arce e para desfilar após a cerimônia oficial.

Ex-ministro da Economia do governo Morales, Arce venceu as eleições gerais da Bolívia em 18 de outubro com 55,1% dos votos, e tem mandato previsto até 2025, ano do bicentenário da independência do domínio espanhol.

A posse de Arce marca o retorno ao poder do MAS 12 meses após a crise política ter quebrado uma hegemonia de quase 14 anos de Morales como presidente.

Pressionado, o ex-mandatário renunciou ao cargo em 10 de novembro de 2019, acusado de fraude eleitoral no pleito presidencial de outubro de 2019. Logo em seguida, ele deixou a Bolívia, ficando algumas semanas no México e depois se instalando na Argentina. Morales confirmou que voltará a seu país na próxima segunda-feira, 9 de novembro, um ano após sua renúncia.

EK/afp/ap/efe/lusa

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