Líderes europeus pressionam pelo fim da violência no Tibete | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 19.03.2008
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Mundo

Líderes europeus pressionam pelo fim da violência no Tibete

Papa Bento 16 pede que tibetanos e chineses abandonem a violência e busquem o diálogo. Governo alemão suspende negociações com a China sobre ajuda ao desenvolvimento.

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Papa Bento 16 quebra o silêncio e pede aos dois lados que busquem o diálogo

Líderes e governos ocidentais se manifestaram nesta quarta-feira (19/03) pelo fim da violência no Tibete. A região vive um estado de tensão desde a semana passada, quando forças de segurança chinesas reprimiram manifestações para lembrar o 49º aniversário do fracassado levante de Lhasa, que resultou no exílio do dalai-lama, líder espiritual tibetano.

Pela primeira vez, também o papa Bento 16 manifestou-se sobre a situação no Tibete. Ele pediu o fim da violência entre ambos os lados. "A violência não resolve nenhum problema, apenas torna-os ainda piores", disse o líder da Igreja Católica. Ele disse que os dois lados devem ter a coragem de andar no caminho do diálogo.

Em Londres, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown anunciou que se encontrará com o dalai-lama no final de maio, durante visita do líder tibetano a Londres. Brown disse ainda ter falado por telefone com o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao e deixado claro que a violência no Tibete tem de acabar.

Já o governo italiano exigiu da União Européia que envie imediatamente uma missão a Pequim para solicitar ao governo chinês um "esclarecimento satisfatório" da situação no Tibete. A exigência consta de documento divulgado após um encontro entre o secretário de Estado italiano, Gianni Vernetti, e o embaixador chinês na Itália, Sun Yuxi.

Tibeter und Chinese streiten sich in Lhasa Tibet

Um chinês (e) e um tibetano se agridem nas ruas de Lhasa

Em Berlim, o vice-porta-voz do governo alemão, Thomas Steg, reforçou o apelo para que ambos os lados respeitem os direitos humanos e renunciem à violência. Em setembro passado, a visita do dalai-lama à chanceler federal Angela Merkel estremeceu as relações entre Pequim e Berlim. Apenas nas últimas semanas a situação voltou à normalidade.

Ajuda ao desenvolvimento

O governo alemão também anunciou nesta quarta-feira a suspensão das negociações entre o Ministério alemão da Ajuda ao Desenvolvimento e o governo da China, previstas para maio, enquanto durar a violência no Tibete.

"A violência não pode nunca ser uma solução. Apenas através do diálogo as duas partes podem chegar a uma solução. Nas atuais condições não é possível imaginar que venhamos a conduzir negociações entre os dois governos", disse a ministra Heidemarie Wieczorek-Zeul.

Segundo o ministério, nas negociações do ano passado foram disponibilizados 67,5 milhões de euros para a China, valor direcionado principalmente para o setor de energia. Na época, o governo alemão afirmou que a ajuda era necessária por ser a China a segunda maior emissora de dióxido de carbono do mundo e a primeira maior emissora de dióxido sulfúrico.

"Lobo em hábito de monge"

Dalai Lama Tibet

Dalai Lama pede ajuda à comunidade internacional

Em Pequim, o governo chinês elevou o tom contra o dalai-lama e ameaçou o líder espiritual tibetano com um "combate de vida ou morte", segundo declarações do líder do Partido Comunista do Tibete, Zhang Qingli, ao jornal oficial Tibet Daily. Ele disse que "o dalai-lama é um lobo em hábito de monge, um diabo com rosto humano".

"O que lutamos é uma batalha feroz de sangue e fogo contra o grupo do dalai-lama, uma batalha de vida ou morte entre nós e o inimigo", afirmou Zhang, conhecido por suas posições radicais. Em Dharamsala, na Índia, o dalai-lama pediu que a comunidade internacional apóie seus esforços para resolver o conflito por meio do diálogo.

De acordo com exilados tibetanos, mais de 140 pessoas já morreram na capital Lhasa e em outras cidades em que ocorreram protestos contra a dominação chinesa. Já o governo da região autônoma do Tibete disse que 105 tibetanos que participaram dos protestos nos últimos dias se entregaram até a noite desta terça-feira, após o ultimato dado pelo governo chinês aos manifestantes. Quem se rendesse receberia penas mais leves. Na Índia, o governo tibetano exilado nega a informação e diz que as pessoas foram detidas.

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