Karadzic nega genocídio contra muçulmanos durante guerra na Bósnia | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 02.03.2010
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Mundo

Karadzic nega genocídio contra muçulmanos durante guerra na Bósnia

Tribunal de Haia concede adiamento do julgamento do ex-líder sérvio acusado de genocídio e crimes contra a humanidade. Durante dois dias, réu assumiu sua autodefesa, culpando muçulmanos e Ocidente pela guerra na Bósnia.

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Ex-líder sérvio dispensa advogado de defesa

O julgamento do antigo líder do sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, perante o Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia foi adiado por tempo indeterminado. Deferindo um recurso apresentado pelo réu, o juiz O-Gon Kwon lhe concedeu mais tempo para preparar sua autodefesa. Ainda não foi divulgada a data de retomada do julgamento.

Em outubro passado, Karadzic havia boicotado o início de seu julgamento em Haia, alegando não ter tido tempo suficiente para estudar as atas. O réu de 64 anos pretendia assumir ele mesmo sua defesa. Em decorrência do boicote, o tribunal decidiu convocar o jurista britânico Richard Harvey como advogado de ofício. Karadzic recorreu da decisão, sem êxito, no entanto.

O julgamento do líder sérvio acusado de crimes de guerra nos anos 90 fora reiniciado nesta segunda-feira (01/03), após uma pausa de quatro meses. Apesar da presença do advogado, Karadzic assumiu sua autodefesa, alegando apenas ter defendido os sérvios da Bósnia contra os fundamentalistas islâmicos, que – segundo ele – teriam reivindicado o país para si após a dissolução da Iugoslávia.

Culpa do Ocidente e do fundamentalismo islâmico

Karadzic atribuiu a culpa pela guerra na Bósnia aos muçulmanos e aos políticos ocidentais, sobretudo a americanos, alemães e britânicos. Esse foi o argumento central da autodefesa apresentada na segunda-feira. O réu declarou que não pretendia expulsar os muçulmanos do seu país, mas estes teriam reivindicado para si cem por cento de poder. Ele alegou ter aproveitado então uma oportunidade sagrada de impedir isso.

Esta é a primeira vez que o acusado de genocídio e crimes contra a humanidade se pronuncia sobre a guerra ocorrida na Bósnia entre 1992 e 1995. "Não quero minimizar minha responsabilidade. Eu tinha uma posição importante e, com minha defesa, não pretendo atribuir a ninguém a minha responsabilidade", declarou Karadzic.

Karadzic apresentou vídeos para sustentar o argumento de que os muçulmanos teriam falsificado provas. Até agora, ele não se pronunciou sobre os piores crimes de que é acusado, como o massacre de Srebrenica, que custou a vida de quase 8 mil muçulmanos.

Massengrab Srebrenica

Vala comum em Srebrenica

Negação do massacre de Srebrenica

Na terça-feira, Karadzic prosseguiu sua defesa, atribuindo culpa aos muçulmanos. Ele os acusou de ter encenado atentados em Sarajevo e exagerado o número de vítimas, a fim de que a Otan interviesse no conflito. Karadzic qualificou o massacre de Srebrenica, ocorrido em julho de 1995, como um "mito".

Além do massacre de Srebrenica, as onze acusações que pesam contra o réu incluem o cerco de Sarajevo, que durou 44 meses e causou a morte de 10 mil pessoas. A guerra na Bósnia fez 100 mil vítimas e 2,2 milhões de desterrados.

Karadzic desapareceu em julho de 2008, tendo sido capturado em Belgrado 13 anos depois. O tribunal de Haia poderá condená-lo a prisão perpétua.

SL/dw/afp

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