Justiça ameaça punir governo da Índia por falta de oxigênio | Notícias internacionais e análises | DW | 02.05.2021

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Coronavírus

Justiça ameaça punir governo da Índia por falta de oxigênio

Pacientes morrem por escassez do insumo. País bate novo recorde, com 3.689 óbitos por covid-19 em 24 horas, um dia após registrar máxima mundial de casos diários. Militares são acionados em crise sanitária.

Paciente recebe oxigênio medicinal através de máscara

Governo indiano diz não dispor de reservas de oxigênio para suprir hospitais

Um tribunal em Nova Déli afirmou neste domingo (02/05) que começará a punir funcionários do governo de Índia se não for garantida a entrega de suprimento de oxigênio para os pacientes com covid-19.

O país enfrenta uma alta dramática de contágios numa segunda onda de infecções que sobrecarrega o sistema de saúde, principalmente na capital, Nova Déli. Foram registrados diversos casos de morte de pacientes por falta de oxigênio em hospitais indianos.

Neste domingo, a Índia registrou um recorde de mortes diárias, com 3.689 óbitos em 24 horas, elevando o total de mortos por covid-19 para 215.542. Houve uma ligeira queda nas novas infecções, com 392.488, após o país atingir a marca recorde de 401.993 nas 24 horas anteriores. Especialistas acreditam que os números reais para ambas as estatísticas são muito superiores, devido à subnotificação.

O governo tem usado as ferrovias, a Força Aérea e a Marinha para agilizar a entrega de tanques de oxigênio para as áreas mais atingidas, onde os hospitais estão em colapso, incapazes de lidar com um aumento sem precedentes de pacientes.

Mortes por falta de oxigênio

Doze pacientes de covid-19, incluindo um médico, morreram no sábado em um hospital em Nova Déli por falta de oxigênio, disse S.C.L. Gupta, da diretoria do hospital Batra.

O jornal The Times of India noticiou outras 16 mortes por falta de oxigênio em dois hospitais no sul do estado de Andhra Pradesh e seis no hospital Gurgaon, nos arredores de Nova Déli.

Com o governo incapaz de manter um suprimento constante de oxigênio, várias autoridades hospitalares solicitaram uma intervenção da Justiça na capital indiana, onde o lockdown foi prorrogado por mais uma semana para conter a onda de infecções.

"A água subiu acima da cabeça. Já chega", disse o tribunal superior de Nova Déli, acrescentando que começaria a punir funcionários do governo se suprimentos de oxigênio destinados a hospitais não forem entregues. "Não podemos permitir que pessoas morram", disseram os juízes Vipin Sanghi e Rekha Patil.

Mulher sentada recebe oxigênio medicinal

Hospitais indianos apontam falta de oxigênio medicinal, principalmente na capital do país

Governo disse não ter reservas

O tribunal instou o governo federal a fornecer 490 toneladas métricas de oxigênio para Nova Déli, conforme prometido anteriormente. A ordem judicial foi aprovada após levar em consideração a declaração do governo federal de que não havia oxigênio de reserva para atender às necessidades dos hospitais.

O tribunal também pediu informações sobre admissões e dispensas de todos os hospitais públicos e privados na capital indiana. A corte observou que, embora a taxa de recuperação seja alta, há problemas com a disponibilização de leitos. "Todos os dias, um número substancial de leitos deve ser disponibilizado. Mas isso não parece estar acontecendo. Os pacientes que precisam de hospitalização com suporte de oxigênio devem normalmente estar em posição de sair em 8 a 10 dias, dependendo de sua condição", disse o tribunal .

Nova Déli registrou 412 mortes nas últimas 24 horas, a maior marca desde o início da pandemia.

Ajuda de militares

O Exército abriu seus hospitais para civis em uma tentativa desesperada de controlar a crise humanitária.

O governo do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, também concedeu poderes financeiros de emergência ao Exército para criar novas instalações de quarentena e hospitais e comprar equipamentos.

Os militares também convocaram 600 médicos que se aposentaram nos últimos anos. A Marinha transferiu 200 auxiliares de enfermagem para hospitais civis, segundo um comunicado do governo.

Expansão da vacinação

Apesar da falta de matéria-prima para produção de imunizantes, a Índia expandiu sua campanha de vacinação para pessoas com idades entre 18 e 44 anos neste sábado, quando mais de 86 mil pessoas da faixa etária receberam uma dose.

Desde janeiro, quase 10% dos indianos receberam uma dose, mas apenas cerca de 1,5% recebeu ambas, embora o país seja um dos maiores produtores mundiais de vacinas.

A Índia já administrou mais de 156 milhões de doses de vacinas. Algum estados já disseram que não têm o suficiente para todos, e até mesmo o esforço contínuo para inocular pessoas com mais de 45 anos vem encontrando entraves.

Os Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França estão entre as cerca de 40 nações que estão enviando ajuda em forma de equipamentos, testes rápidos para vírus e oxigênio para a Índia, junto com alguns materiais necessários para o país aumentar sua produção nacional de vacinas contra covid-19.

Neste domingo chegou a Nova Déli um avião de carga da França com 28 toneladas de equipamentos médicos, incluindo geradores de oxigênio de grande capacidade.

md (AP, AFP)

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