Jornalistas alemães elogiam seleção brasileira, mas não acreditam no hexa | Fique informado sobre tudo o que acontece na Copa do Mundo | DW | 02.06.2010
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Copa do Mundo

Jornalistas alemães elogiam seleção brasileira, mas não acreditam no hexa

A Copa do Mundo começa na semana que vem e a Deutsche Welle quis saber a impressão que a seleção brasileira deixa nos jornalistas alemães, às vésperas do principal torneio de futebol do planeta.

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Seleção brasileira na Copa das Confederações

Líder do ranking da FIFA. Atual campeão da Copa das Confederações e da Copa América. Nos últimos 20 jogos, 16 vitórias, três empates e uma derrota. Os números colocam a seleção brasileira entre os favoritos para a Copa do Mundo.

Mesmo assim, o técnico Dunga tem seu trabalho bastante questionado pela imprensa no Brasil. Por isso, procuramos saber: o que pensam os jornalistas alemães sobre a seleção canarinho?

Conversamos com Manfred Münchrath, redator-chefe de futebol internacional da revista Kicker, Ralph Durry, membro da direção de redação da SID (uma agência de notícias especializada em esportes), Sven Busch, chefe de esportes da DPA (agência de notícias alemã) e Arnulf Boettcher, redator de esportes da DW.

A estreia do time na competição será contra a Coreia do Norte, em 15 de junho – os outros adversários no Grupo G são Costa do Marfim e Portugal.

Semifinais no máximo?

Apesar de reconhecerem que o Brasil sempre está entre os favoritos e que fez uma campanha muito boa em 2009, nossos colegas alemães não veem nossa seleção como a principal candidata a levantar o caneco em 11 de julho, no Soccer City de Johannesburgo.

“Na minha opinião, o Brasil não chega ao título. A seleção está bem servida com jogadores de ponta como Kaká e Luís Fabiano, que todos na Europa conhecem. Mas o time é velho demais para um torneio de quatro semanas. A média de idade dos jogadores é de 28,6 anos, a mais alta que o Brasil já levou a uma Copa do Mundo”, argumentou Arnulf Boettcher.

“Mesmo se a seleção aprender com os erros da Copa de 2006 e levar a preparação mais a sério, acho que ela alcança no máximo as semifinais”, opinou Sven Busch.

Já Manfred Münchrath acha que o desempenho de nossa seleção vai depender do caminho traçado e não despreza o peso da camisa canarinho.

“O grupo é difícil, Portugal e Costa do Marfim são fortes. Além disso, pode haver o duelo contra a Espanha nas oitavas de final. Seria uma final antecipada, um jogo muito difícil para o Brasil. Se passar pela Espanha, aí a seleção vai pelo menos até as semifinais”, apontou Münchrath.

Dentre os quatro, Ralph Durry é quem vê mais chances para o Brasil na Copa: “O Brasil é candidato às semifinais, deve chegar lá de qualquer jeito. Se chegar à final, aí é claro que o título é possível”, disse o jornalista, para quem a Copa das Confederações do ano passado mostrou que “esse time pode ter sucesso na África do Sul”.

E o Ronaldinho?

Nossos colegas sentiram falta de Ronaldinho. Somente Boettcher concordou com a não convocação do meia, assim como de outros destaques. “Foi certa a decisão de Dunga de abrir mão das velhas estrelas Ronaldo, Ronaldinho e Adriano, que estiveram mal por muito tempo. E sua justificativa foi corajosa: ele quer mandar um time vencedor para a África do Sul e não há lugar para todo mundo”, analisou.

Fußball Champions League - AC Milan - Real Madrid

Ronaldinho faz falta, dizem os jornalistas alemães

Já Münchrath, que queria ver o jogador do Milan na Copa, acha que o treinador tem todo o direito de escolher os atletas de sua preferência. “É um pouco surpreendente a ausência do Ronaldinho, que ultimamente voltou a mostrar bom desempenho no Milan. Mas talvez ele não se encaixe no conceito de jogo do Dunga ou na hierarquia do time”, observou.

Boettcher, Durry e Busch se disseram ainda muito surpresos com a convocação de Grafite. Eles observaram que, além de ter feito apenas dois jogos pela seleção, o atacante não teve tanto destaque na Bundesliga este ano.

Muito forte na defesa

Todos eles veem na defesa o ponto forte da seleção, principalmente no trio Júlio César, Maicon e Lúcio, que venceu a Liga dos Campeões com a Inter de Milão. Outro nome que aparece como uma das principais armas do Brasil é o de Kaká, que já levou, no passado, o prêmio de melhor jogador do mundo.

Champions League Finale 2010 Bayern München gegen Inter Mailand in Madrid

O capitão Lúcio impõe respeito na defesa

Quanto aos atacantes, as opiniões são divergentes. Durry e Busch acham que o Brasil não está bem servido nesse aspecto, que seria o ponto fraco da seleção. “Acho a montagem do ataque arriscada. A efetividade e o poder de penetração são questionáveis. Antes de tudo Robinho precisa provar que é um jogador de nível internacional”, desafiou Busch, que gostaria de ver as jovens promessas Ganso e Neymar na Copa.

Já Münchrath e Boettcher elogiaram o ataque formado por Robinho e Luís Fabiano. Mas outro ponto negativo foi percebido por Münchrath: “Como ponto fraco vejo apenas a lateral-esquerda. Apesar de muitos testes, Dunga não achou a solução ideal”. Para essa posição, foram convocados Gilberto e Michel Bastos.

Dunga tem personalidade forte

Ex-jogador do VfB Stuttgart, Dunga é uma personalidade conhecida e respeitada na Alemanha. Nossos entrevistados elogiaram seu esforço em montar um time disciplinado, com um espírito vencedor.

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Dunga é figura conhecida na Alemanha

“Sei que Dunga prefere o futebol operário e por isso é contestado no Brasil. Mesmo assim, o VfB Stuttgart teve ótimas experiências com ele. Acredito em sua capacidade como treinador, coisa que a opinião pública no Brasil não quer fazer. Ele têm personalidade forte, enfrenta as adversidades. É a matéria-prima que um técnico precisa para ser bom”, elogiou Durry, num comentário que resume bem a imagem de Dunga na Alemanha.

Mas também os alemães gostam de ver o Brasil com seu tradicional jogo ofensivo. “Pessoalmente, não quero só que o Brasil tenha sucesso, mas que mostre um futebol vibrante na África do Sul. Normalmente, os jogos do Brasil estão entre os melhores momentos da Copa, e é isso que eu quero ver como repórter”, completou Durry.

Autor: Tadeu Meniconi
Revisão: Simone Lopes

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