Jordânia acusa irmão do rei de complô para desestabilizar o país | Notícias internacionais e análises | DW | 04.04.2021

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Oriente Médio

Jordânia acusa irmão do rei de complô para desestabilizar o país

Governo jordano diz que Hamza bin Hussein conspirou com atores estrangeiros a fim de "minar a segurança nacional". Ex-príncipe herdeiro nega e diz que foi posto em prisão domiciliar. Vários suspeitos foram detidos.

Ex-príncipe herdeiro, Hamza (esq.) é filho do rei Hussein, morto em 1999, com sua última esposa, a rainha Noor (dir.)

Ex-príncipe herdeiro, Hamza (esq.) é filho do rei Hussein, morto em 1999, com sua última esposa, a rainha Noor (dir.)

O governo da Jordânia acusou o ex-príncipe herdeiro Hamza bin Hussein, meio-irmão do rei Abdullah, de atuar num complô para "desestabilizar" o país. Vários suspeitos foram detidos, e o ex-príncipe teria sido colocado em prisão domiciliar, segundo ele mesmo denunciou.

O vice-primeiro-ministro da Jordânia, Ayman Safadi, afirmou neste domingo (04/04) que Hamza, que perdeu seu título de príncipe herdeiro em 2004, e aliados trabalharam com atores estrangeiros numa "conspiração maliciosa" para "minar a segurança nacional".

Safadi, que é também ministro das Relações Exteriores do país, disse que entre 14 e 16 pessoas estão presas em ligação com o complô, além de duas pessoas próximas ao rei: Bassem Awadallah, ex-ministro e ex-assessor de Abdullah, e Hassan bin Zaid, membro da família real.

O grupo estaria sendo investigado já há algum tempo, afirmou Safadi. "As investigações monitoraram interferências e comunicações com partes estrangeiras sobre o momento certo para começar a agir para desestabilizar a segurança da Jordânia", declarou, sem dar muitos detalhes sobre qual seria o plano.

Segundo o ministro, as comunicações interceptadas incluem, por exemplo, conversas entre uma agência de inteligência de outro país e a esposa de Hamza para organizar um avião no qual o casal deixaria a Jordânia. Ele não especificou quais países estariam envolvidos.

"As investigações iniciais mostraram que essas atividades e movimentos atingiram um estágio que afetou diretamente a segurança e a estabilidade do país, mas sua majestade [rei Abdullah] decidiu que era melhor falar diretamente com o príncipe Hamza, para lidar com isso dentro da família."

Questionado se o ex-príncipe poderia ser levado à Justiça, Safadi insistiu que por enquanto houve apenas tentativas "amigáveis" de lidar com ele, mas acrescentou que "a estabilidade e segurança do reino transcende" qualquer coisa. Ele negou que Hamza esteja preso.

Prisão domiciliar

A declaração do governo vem um dia depois de Hamza, de 41 anos, ter enviado uma mensagem em vídeo à emissora britânica BBC dizendo que foi colocado em prisão domiciliar. Ele também acusa o governo jordano de nepotismo e corrupção, num raro confronto público entre os principais membros da família que há muito tempo governa o país.

No vídeo, o ex-príncipe afirma que vários de seus amigos foram presos, que seu aparato de segurança foi removido e sua internet e linhas telefônicas, cortadas.

Ele negou fazer parte de "qualquer conspiração ou organização nefasta", mas atacou o "sistema de governo" do país, onde, segundo ele, ninguém pode criticar as autoridades e que está "obstruído pela corrupção, pelo nepotismo e pelo desgoverno".

A mãe de Hamza, a rainha Noor, viúva do rei Hussein da Jordânia, também defendeu o filho. "Estou rezando para que a verdade e a justiça prevaleçam para todas as vítimas inocentes dessa calúnia perversa", escreveu ela no Twitter. "Deus os abençoe e os mantenha seguros."

Reação internacional

Governos vizinhos e aliados da Jordânia, considerada um dos países mais estáveis do Oriente Médio e um importante aliado dos Estados Unidos, foram rápidos em manifestar solidariedade ao rei Abdullah.

Seguindo a mesma linha de outros líderes internacionais, o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Abulgueit, expressou sua "total solidariedade com as medidas tomadas pelas autoridades jordanas para manter a segurança do reino e preservar a estabilidade", segundo nota.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, disse que Washington está "acompanhando de perto" os eventos no país aliado. "O rei Abdullah é um parceiro-chave dos Estados Unidos e tem nosso total apoio", afirmou o americano.

Hamza é o filho mais velho do rei Hussein com sua quarta e última esposa, a rainha Noor, nascida nos Estados Unidos. Abdullah, por sua vez, é o filho homem mais velho de Hussein, fruto de seu segundo casamento, com a britânica Antoinette Avril Gardiner.

Abdullah, hoje com 59 anos, assumiu o reinado após a morte do pai, em 1999, e nomeou Hamza príncipe herdeiro, em linha com os desejos de Hussein. Em 2004, contudo, acabou retirando o título do irmão e dando a seu filho mais velho, também chamado Hussein.

ek (AFP, AP, Reuters, Efe, Lusa)

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