Joe Biden, favorito inesperado entre os democratas | Notícias internacionais e análises | DW | 06.03.2020
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Estados Unidos

Joe Biden, favorito inesperado entre os democratas

Superterça praticamente selou o destino da candidatura democrata à Casa Branca, com o ex-vice-presidente na dianteira. Contra ele, pesam sua idade e falta de carisma. A seu favor, ser um refúgio para os ex-republicanos.

Ex-vice-presidente americano Joe Biden

Joe Biden, esperança das forças democratas moderadas – e republicanos frustrados

E aí só sobraram dois. Bem, teoricamente a deputada Tulsi Gabbard ainda mantém viva sua candidatura. Mas está claro que a corrida das primárias dos democratas americanos se decidirá entre Bernie Sanders e Joe Biden, e atualmente a dianteira cabe ao ex-vice-presidente.

Até há pouco, ninguém contava que Biden estaria na frente. Mas aí vieram as eleições primárias na Carolina do Sul, o apoio de candidatos moderados importantes, e a Superterça, em que ele venceu na maioria dos estados.

"Até duas semanas atrás, Bernie Sanders era o candidato mais promissor", constata Brandon Conradis, do jornal e site de notícias The Hill, de Washington. "Ele certamente ainda não está fora do páreo, mas agora Biden é o favorito, é o candidato a se combater."

Com o respaldo de eleitores afro-americanos e dos subúrbios, pelo menos no momento Joe Biden está à frente no campo daqueles que enfrentarão Donald Trump em nome dos democratas. O caminho até aqui não foi nada fácil.

Vida atribulada

Joseph Robinette Biden Jr. nasceu em 1942 na Pensilvânia, e cresceu numa família de operários católicos. De 1973 a 2009, representou o estado de Delaware no Senado dos Estados Unidos, presidindo durante vários anos a comissão de política externa. Nessa posição, visitou diversos países e encontrou-se com políticos de ponta de todo o mundo.

Na vida particular, o jurista por formação sofreu vários golpes do destino. Em dezembro de 1972, perdeu num acidente de automóvel sua primeira mulher, Neilia, e a filha de um ano, Naomi. Em maio de 2015, o filho mais velho do casal, Beau, morreu em decorrência de um tumor cerebral.

Ele próprio se submeteu em 1988 a duas cirurgias devido a aneurismas cerebrais. Quatro anos mais tarde, o neurocirurgião Neal Kassell, que o operou, confirmaria que as intervenções não influenciaram sua saúde mental em absoluto: "Joe Biden é o único político de que posso afirmar que tem algo na cabeça, porque eu vi", comentou ao jornal The Examiner.

Joe Biden e família no funeral do filho Beau

Despedida trágica: Joe Biden e família no funeral do filho Beau

No verão de 2008, o então candidato democrata Barack Obama declarou Biden seu "running mate" (colega de corrida). Depois da vitória de Obama, ele assumiu a vice-presidência americana a partir de 2009. Isso, embora dois anos antes tivesse cometido uma gafe considerável durante sua própria candidatura à presidência, ao descrever o adversário Obama como "o primeiro afro-americano mainstream que é bem falante, esperto, limpo, e um cara bem-apessoado".

Nos oito anos da administração Obama, o presidente e seu vice deram a impressão de ter se tornado bons amigos. Biden notoriamente também sabia trabalhar bem com os republicanos. Sob sua liderança, o governo conseguiu consensos no Congresso com os adversários políticos – por exemplo, relativos a programas que ajudaram os EUA a sair da crise econômica.

Em janeiro de 2017, pouco antes do fim de seu mandato, Obama concedeu a Biden a Presidential Medal of Freedom, uma das maiores distinções a um civil. O então presidente declarou que entregava a medalha devido "à fé que você tem em nossos concidadãos americanos, seu amor pelo nosso país e seu serviço de toda a vida para ele, que continuará beneficiando gerações".

Refúgio para republicanos frustrados

Nos debates televisivos com os demais candidatos democratas, Biden colocou repetidamente em primeiro plano sua ligação com Barack Obama, assim como suas décadas de experiência política. Apesar disso, nem sempre agradou os espectadores – e eleitores: pigarreava muito e atraiu escárnio e críticas por às vezes não conseguir levar até o fim uma frase com sentido.

"Ele não é mais o candidato que era cinco ou seis anos atrás ou em 2012", diz J. Miles Coleman, da newsletter de análises Sabato's Crystal Ball, da Universidade de Virgínia. "Tenho que pensar no debate de vice-presidentes de 2012, sobre o qual se disse, a posteriori, que ele deixara [o adversário republicano] Paul Ryan totalmente no chão."

Hoje em dia, o contrário é antes verdade. Opositores perguntam, divertidos, se os atropelos dele não serão sintoma de demência. Biden tem 77 anos de idade; caso empossado em 2021, assumirá o cargo aos 78 anos, tornando-se o mais idoso presidente americano de todos os tempos. Atualmente esse recorde cabe a Trump, que assumiu com 70 anos.

Joe Biden igualmente tem cartas ruins junto ao eleitorado mais jovem – ao contrário de Sanders que, aos 78 anos, continua atraindo hordas juvenis a seus comícios eleitorais. Mas o ex-vice conta com um outro trunfo, aponta Coleman.

"A maior vantagem de Biden é ser um refúgio seguro para os eleitores dos subúrbios" que não gostam de Trump, mas não conseguem se imaginar votando em Sanders. "E para antigos republicanos, que só há pouco passaram para o lado dos democratas."

Com o apoio dessas faixas da população, possivelmente Biden teria uma chance contra Trump. Mas para prová-lo, ele precisa primeiro vencer as primárias dos democratas. Em julho transcorre a convenção partidária em que o candidato presidencial democrata dos EUA será oficialmente anunciado. No pior dos casos, o duelo Biden versus Sanders vai se arrastar até lá.

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