Irã ameaça abandonar acordo nuclear | Notícias internacionais e análises | DW | 15.08.2017
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Irã ameaça abandonar acordo nuclear

Presidente iraniano afirma que país voltará atrás em relação ao pacto "dentro de horas", se EUA impuserem novas sanções. Teerã e Washington acusam-se mutuamente de violar espírito do acordo.

Hassan Rouhani, presidente do Irã

Rouhani: "Acordo nuclear não é única opção"

O presidente iraniano, Hassan Rouhani, afirmou nesta terça-feira (15/08) que seu país pode abandonar o acordo nuclear com potências mundiais caso os Estados Unidos imponham mais sanções.

"Se os EUA querem retornar à experiência (de impor sanções), o Irã certamente voltaria em breve – não dentro de uma semana ou um mês, mas dentro de horas – à condições mais avançadas [do programa nuclear] do que antes do começo das negociações", disse Rouhani numa sessão do Parlamento transmitida ao vivo pela televisão estatal.

Teerã afirma que retaliações recentemente impostas pelos EUA violam o acordo, fechado em 2015 entre Teerã e o chamado Grupo P5+1 (cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – China, França, Rússia, Reino Unido e EUA – e a Alemanha). O pacto amenizou as sanções internacionais contra o Irã em troca de restrições ao programa nuclear iraniano.

Não ficou imediatamente claro a que o presidente estava se referindo nesta terça-feira e se o Irã poderia reativar centrífugas de enriquecimento de urânio.

As declarações do presidente foram dadas após o Parlamento decidir aumentar os gastos com o programa de mísseis e com as operações de sua Guarda Revolucionária no exterior, também em resposta às sanções americanas.

No início de agosto, o presidente americano, Donald Trump, sancionou novas medidas restritivas contra o Irã, a Rússia e a Coreia do Norte, que têm como alvo, entre outros, os programas de mísseis iranianos e violações de direitos humanos.

As novas sanções dos Estados Unidos incluem penalidades obrigatórias para envolvidos com o programa de mísseis balísticos do Irã. 

Os EUA afirmam que testes de mísseis balísticos realizados pelo Irã nas últimas semanas violam o espírito do pacto de 2015 e uma resolução da ONU. Esta endossou o acordo nuclear e pediu que Teerã não realizasse atividades relacionadas a projéteis capazes de transportar armas nucleares, incluindo lançamentos usando tal tecnologia.

O Irã afirma que seu programa de mísseis não viola a resolução, alegando que eles não são destinados a transportar ogivas nucleares.

"O mundo já viu claramente que sob Trump, os EUA ignoraram acordos internacionais e, além de minarem o acordo nuclear, quebraram sua palavra em relação ao acordo de Paris e ao de Cuba, e que os Estados Unidos não são um bom parceiro ou um negociador confiável", afirmou Rouhani.

Ao mesmo tempo, o líder iraniano disse que Teerã pretende permanecer leal a seu compromisso com o acordo nuclear, o qual "abriu um caminho de cooperação e estabelecimento de confiança" com o mundo.

"O acordo foi um modelo para a vitória da paz e da diplomacia contra a guerra e o unilateralismo. O pacto foi a preferência do Irã, mas não era e não vai permanecer sendo a única opção do país", declarou Rouhani.

LPF/rtr/ap

Leia mais