Inteligência alemã põe partido populista de direita sob vigilância | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 03.03.2021

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Alemanha

Inteligência alemã põe partido populista de direita sob vigilância

AfD é suspeita de extremismo e de ameaça à democracia, o que permite às autoridades reforçarem a vigilância com uso de escutas, informantes e outros recursos. Legenda alega perseguição política.

Emblemas do Departamento de Proteção à Constituição e do partido Alternativa para a Alemanha, investigado por extremismo

Departamento de Proteção à Constituição investiga partido Alternativa para a Alemanha por extremismo

O partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), dono da maior bancada de oposição no Parlamento, será colocado sob vigilância da agência de inteligência interna alemã, que monitora grupos considerados extremistas ou que impõem ameaças à ordem democrática.

A informação, ainda não oficial, foi divulgada na imprensa alemã nesta quarta-feira (03/03).  O Departamento de Proteção à Constituição da Alemanha (BfV) suspeita que o partido tenha cometido violações à Constituição, o que permite que as autoridades vigiem suas atividades com recursos dos serviços de inteligência.

O BfV não comentou as informações divulgadas pela revista alemã Der Spiegel, a agência de notícias DPA e a emissora pública ARD. O Ministério do Interior, órgão que supervisiona o BfV, não confirmou, mas também não negou a notícia. Os investigadores estariam impedidos de anunciar publicamente a investigação em razão de uma disputa na Justiça que ainda está em andamento.

Na semana passada, um tribunal da cidade de Colônia rejeitou uma ação de urgência impetrada pela AfD que visava impedir a operação de vigilância. O partido alega que o fato de estar sob investigação traria prejuízos ao seu direto de disputar as eleições em pé de igualdade com as demais agremiações políticas.

Mas, após o BfV afirmar que não faria um anúncio formal das investigações no futuro próximo, além de não comentar publicamente sobre os candidatos do partido, o tribunal julgou que a moção movida pela AfD se tornou desnecessária.

Autoridades poderão usar escutas e recrutar informantes

O BfV exerce vigilância sobre grupos considerados extremistas ou que impõem ameaças à ordem democrática. Recentemente, os agentes federais passaram a vigiar, por exemplo, o movimento Querdenken 711, que se opõe às medidas de combate à pandemia de covid-19.

Segundo a ARD, a AfD passou a ser classificada como suspeita de extremismo, o que significa que haveria fortes indícios de atividades anticonstitucionais dentro do partido. Essa classificação concede aos agentes do governo federal poderes legais para reforçar o acompanhamento da atividades do grupo e utilizar serviços de inteligência, inclusive com escutas telefônicas, recrutamento de informantes e acesso a e-mails.

Anteriormente, as autoridades podiam apenas investigar as informações que estavam disponíveis publicamente. Segundo os relatos dos veículos de imprensa, a AfD foi também classificada dessa forma por suspeita agir contra a dignidade humana - o artigo 1 da Constituição alemã afirma que a "a dignidade do ser humano é inviolável."  

O partido já foi acusado de extremismo em diversas ocasiões. Algumas subdivisões do partido, com a sua ala jovem, já vinham atraindo a atenção das autoridades de inteligência. Uma ala radical denominada Flügel ("Asa”) já vinha sendo vigiada desde o ano passado, após o BfV confirmar que havia extremistas de direita entre seus membros.

O copresidente da AfD Tino Chrupalla acusou o BfV de vazar as informações sobre o processo legal para a imprensa, no que chamou de uma "escandalosa” tentativa de influenciar a opinião pública.

A líder da AfD no Parlamento alemão, Alice Weidel, disse que a decisão de vigiar o partido é "puramente política”, e que o partido continuará a buscar ações legais. Ela afirmou que levará o processo até o Tribunal Constitucional, a instância jurídica mas alta do país.

De eurocético a suspeito de extremismo

A AfD surgiu em 2013, como um partido em se opunha à adesão alemã à moeda europeia. Mais tarde, adotaria uma agenda fortemente anti-imigração e anti-Islã.

A legenda conseguiu angariar apoio popular até entrar pela primeira vez no Parlamento, em 2017, e se tornar a maior bancada de oposição.

O sucesso do partido se deveu ao descontentamento de parte do eleitorado com a política migratória do governo da chanceler federal Angela Merkel, que, em 2015, permitiu a entrada no país de mais de 1 milhão de migrantes e refugiados vindos de países como Síria, Afeganistão e Iraque.

Seus membros já causaram revolta no país ao questionarem a cultura da lembrança dos horrores da Segunda Guerra Mundial e minimizarem o Holocausto.

A AfD, porém, vem perdendo ou mantendo o mesmo nível de apoio. A legenda disputará seis eleições estaduais este ano, além das eleições gerais de 26 de setembro. Atualmente, as pesquisas a colocam com 10% da preferência dos eleitores. Nas eleições de 2017, ela obteve 12,6%.

rc (AFP, dpa, AP)

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