Indignação se espalha pelas ruas dos EUA | Notícias internacionais e análises | DW | 01.06.2020

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Estados Unidos

Indignação se espalha pelas ruas dos EUA

Protestos pela brutalidade policial contra negros americanos se intensificam, desafiam toque de recolher e se alastram das costas leste a oeste, batendo às portas da Casa Branca, que chega a ter as luzes apagadas.

Cordão de isolamento na Casa Branca: Trump chegou a se levado para bunker

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Os protestos contra a brutalidade policial contra a comunidade afro-americana entraram neste domingo (31/05) em sua sexta noite. Em meio ao temor de aumento da violência, as marchas já se espalham praticamente por todas as grandes cidades dos Estados Unidos – da Filadélfia, na costa leste, a Los Angeles, no extremo oeste – chegando até as portas da Casa Branca.

Na última noite, pouco adiantou para conter os protestos as autoridades estaduais e municipais terem colocado nas ruas dezenas de membros da Guarda Nacional, imposto toque de recolher e terem tirado de circulação parte dos transportes públicos.

Na origem dos protestos está a morte de George Floyd, de 46 anos, pela polícia de Minneapolis, estrangulado com o joelho por um policial depois de ter sido detido sob suspeita de ter tentado usar uma nota falsa de 20 dólares num supermercado. 

"Talvez esse país agora esteja recebendo a mensagem de que estamos cansados de policiais assassinando negros desarmados”, disse Lex Scott, fundador do movimento Vidas Negras Importam (Black Lives Matter) no estado de Utah. "Talvez, na próxima vez que um policial branco decidir puxar o gatilho, ele vai imaginar cidades queimando''.

A fala de Scott ecoa a frustração demonstrada por muitos manifestantes nas ruas americanas: para eles, o assassinato de Floyd faz parte de uma triste rotina. Casos como o dele se repetem nos EUA. O de maior repercussão nos últimos anos foi a morte de Eric Garner, estrangulado em 2014 por um policial em Nova York. O crime deu origem ao movimento Black Lives Matter, ainda hoje importante peça de articulação dos negros nos EUA.

A amplitude dos atuais protestos, atingindo cidades de costa a costa, está sendo comparada pela imprensa americana às manifestações das eras da Guerra do Vietnã e do movimento dos negros pelos direitos civis nos anos 1960.

Neste domingo, houve atos em várias partes do mundo em apoio aos protestos nos EUA, do Canadá à Nova Zelândia, e diversas personalidades americanas, como o ex-jogador de basquete Michael Jordan, a cantora Beyoncé e a apresentadora Oprah Winfrey, se declararam a favor dos manifestantes.  

Trump no bunker e Casa Branca às escuras

Os protestos, embora majoritariamente pacíficos, terminaram novamente em distúrbios e confrontos com a polícia em vários locais – as autoridades decretaram toque de recolher em 25 cidades de 16 estados do país.

Manifestantes na Filadélfia atiraram pedras e coquetéis molotov na polícia, disseram as autoridades; em mais de 20 cidades da Califórnia houve saques, com as TVs mostrando pessoas fugindo com o máximo que podiam.

Em Denver, a polícia disparou gás lacrimogêneo e balas de borracha contra manifestantes que desafiavam o toque de recolher. Também houve confrontos em várias outras cidades, como Nova York, Atlanta e Minneapolis.

As tensões aumentaram também fora da Casa Branca, cenário de três dias de manifestações. Ali, a polícia teve que disparar gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para manter os cerca de mil manifestantes afastados. A residência oficial chegou a ter as luzes apagadas por questões de segurança.

A multidão fugiu e destruiu sinais de trânsito e barreiras de plástico para acender uma enorme fogueira em uma rua próxima. Uma bandeira americana foi retirada de um prédio próximo e jogada no fogo.

Tanque e Guarda Nacional em Los Angeles: vidas negras importam

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Um prédio com banheiros no parque e um escritório de manutenção foi incendiado, e manifestantes invadiram bancos e joalherias. As manifestações ignoraram o toque de recolher, e toda a Guarda Nacional de Washington –  cerca de 1.700 soldados – foi chamada para ajudar a controlar os protestos.

Com o crescimento dos protestos, o presidente Donald Trump reproduziu no Twitter uma fala do comentarista conservador Buck Sexton pedindo uso da força contra os manifestantes violentos.

Agentes do serviço secreto chegaram a levar Trump para um bunker da Casa Branca na noite de sexta-feira, enquanto centenas de manifestantes se reuniam do lado de fora sede do Executivo, alguns deles jogando pedras e pressionando as barricadas da polícia.

O presidente passou quase uma hora no bunker, projetado para uso em emergências como ataques terroristas, de acordo com um republicano próximo à Casa Branca. O relato foi confirmado por um funcionário do governo que também falou sob condição de anonimato.

O ex-vice-presidente Joe Biden, provável candidato democrata à presidência, visitou o local dos protestos em sua cidade natal, Wilmington, Delaware, e conversou com alguns dos manifestantes. Ele também escreveu um post expressando empatia perante os indignados com a morte de George Floyd.

Pelo menos 4.400 pessoas foram presas durante os seis dias de protestos, de acordo com uma contagem compilada pela agência de notícias Associated Press. O motivo das prisões vai desde roubou, bloqueio de estradas até quebra do toque de recolher.

Trump disse no domingo que o governo americano designará o grupo antifascista Antifa como uma organização terrorista. Não está claro, segundo a imprensa americana, quantos manifestantes, se é que há algum, participando dos atos em todo o país são de fato da Antifa.

Os protestos ocorrem em plena pandemia de covid-19, que nos Estados Unidos já jogou milhões de trabalhadores no desemprego, matou mais de 100 mil cidadãos e vem atingindo desproporcionalmente a comunidade negra e mais pobre.

A visão de manifestantes nas ruas, em confronto com a polícia, alimentou uma sensação de crise no país após semanas de bloqueios devido à pandemia do coronavírus.

As multidões aglomeradas, com muitos manifestantes sem máscaras, provocaram temores de um ressurgimento da epidemia, que já matou mais de 100 mil pessoas nos EUA.

RPR/ap/ots

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