Incêndios na costa oeste insuflam debate sobre mudanças climáticas nos EUA | Notícias internacionais e análises | DW | 14.09.2020

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Estados Unidos

Incêndios na costa oeste insuflam debate sobre mudanças climáticas nos EUA

Fogo atinge costa oeste há semanas e já matou 35 pessoas na Califórnia, no Oregon e em Washington. Em meio à campanha eleitoral, Trump e governadores trocam acusações e debatem influência das mudanças climáticas.

Destruição causada pelas chamas em Phoenix, no Oregon

Destruição causada pelas chamas em Phoenix, no Oregon

O presidente Donald Trump vai viajar para a Califórnia nesta segunda-feira (14/09) para avaliar os danos causados pelos incêndios florestais que já mataram ao menos 35 pessoas, destruíram cidades inteiras e cobriram de fumaça a costa oeste dos EUA, em meio a um debate com os governadores do costa oeste sobre a influência das mudanças climáticas nos incêndios.

De acordo com a Casa Branca, Trump irá para McClellan Park, uma antiga base aérea nos arredores de Sacramento, Califórnia, onde está agendado um encontro com o governador do estado, o democrata Gavin Newson.

Os governadores democratas dos três estados da costa oeste atingidos pelas chamas afirmaram que os incêndios são consequência das mudanças climáticas, garantindo que diversos estudos indicam essa relação.

Na Califórnia, os incêndios florestais que já duram semanas reduziram a cinzas 1,2 milhão de hectares, um recorde desde que há registros, a partir de 1887. Com os incêndios nos estados de Oregon e Washington, as chamas consumiram já mais de 2 milhões de hectares.

Trump culpa manejo florestal

Num evento de campanha eleitoral no estado de Nevada, que ocorreu no fim de semana, Trump afirmou que os incêndios que assolam a costa oeste "são apenas uma questão de manejo florestal" e botou a culpa nas autoridades locais.

Conhecido por seu compromisso com o meio ambiente, o governador de Washington, Jay Inslee, disse em entrevista à emissora ABC que a mudança climática torna os incêndios mais prováveis. "É insuportável o presidente negar isso enquanto todo o oeste dos Estados Unidos está em chamas", disse o democrata.

USA Oregon Waldbrände

Cidades inteiras foram destruídas, como Medford, no Oregon

O prefeito de Los Angeles, Eric Garcetti, acusou Trump de perpetuar a mentira de que apenas o manejo florestal pode conter os grandes incêndios vistos nos últimos anos. Ele apontou a seca e a necessidade de reduzir as emissões de carbono como causas dos incêndios.

O senador democrata Jeff Merkley, do Oregon, considerou as declarações de Trump uma afronta. "Isso é uma enorme mentira. Temos menos neve, nossas florestas estão mais secas, nosso oceano está aquecendo e ficando mais ácido. Essas mudanças podem ser observadas há décadas. São as consequências de um planeta em aquecimento. E, assim como no caso da epidemia de coronavírus, precisamos de um presidente que acredite na ciência", afirmou.

O governador da Califórnia disse que negar o perigo da mudança climática é mera disputa ideológica. "O debate em torno das mudanças climáticas acabou. Venha para o estado da Califórnia e veja com seus próprios olhos", disse.

Ele ressaltou que, no último mês, o estado da Califórnia teve o agosto mais quente já registrado, com temperatura recorde de 55 ºC no Furnace Creek Visitor Center, no Vale da Morte.

Fumaça sobre Seattle

Fumaça dos incêndios cobre a cidade de Seattle, no estado de Washington

Já a governadora do Oregon, Kate Brown, disse que as chamas destruíram mais de 400 mil hectares só na última semana. "Este é realmente o termômetro da mudança climática na costa oeste", disse ela em entrevista à emissora CBS. "E este é um alerta para todos nós de que temos que fazer tudo ao nosso alcance para combater as mudanças climáticas."

Avisos de baixa umidade e ventos fortes podem atiçar as chamas do sul do Oregon até o norte da Califórnia e durar até terça-feira.

Ao menos dez pessoas morreram devido às chamas no Oregon. Autoridades disseram que mais pessoas estão desaparecidas e que o número de vítimas fatais deve aumentar. Na Califórnia, 24 pessoas morreram, e uma pessoa morreu no estado de Washington.

JLO/ap/rtr/lusa