Império do empresário Merckle estava altamente endividado | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 07.01.2009
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Economia

Império do empresário Merckle estava altamente endividado

Com a quinta maior fortuna da Alemanha e mais de 100 mil empregados, império de Merckle estava altamente endividado. Sua morte estaria ligada à difícil situação financeira de suas empresas, informou família.

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Ratiopharm era uma das empresas de Merckle

Na tarde da última segunda-feira (05/01), o bilionário alemão Adolf Merckle foi encontrado morto nos arredores de Ulm. A Promotoria Pública da cidade explicou que ele teria perdido a vida num acidente de trem próximo a sua cidade natal, Blaubeuren, e que "não haveria indícios de culpa de terceiros". Merckle teria se jogado em frente ao trem, após deixar uma carta de despedida.

Numa primeira reação, a família do grande industrial falou da "impotência de não mais poder agir" e da difícil situação financeira das empresas de Merckle. Em novembro último, Merckle admitira perdas devido à especulação com ações da Volkswagen. Além disso, algumas de suas firmas estavam altamente endividadas.

Merckle não encontrou mais saída para o dilema financeiro em que seu emaranhado de empresas havia entrado. O discreto empresário era considerado um dos homens mais ricos da Alemanha. Seu império englobava mais de 100 mil empregados e uma receita anual de 35 bilhões de euros.

Quinta maior fortuna da Alemanha

Unternehmer Adolf Merckle ratiopharm

Adolf Merckle, na comemoração dos 60 anos da empresa, em 2007

Natural de Dresden, Merckle nasceu em 18 de março de 1934. Após haver estudado Direito, assumiu, em 1967, a direção da empresa familiar que atuava principalmente na área de medicamentos. Em 1974, importou a ideia norte-americana de fabricar imitação de preparados mais baratos de medicamentos cuja patente já expirara. O sucesso de Ratiopharm veio no começo dos anos 90: Merckle comprou diversas outras firmas e, com 9,2 bilhões de euros, formou a quinta maior fortuna da Alemanha, segundo a revista Forbes.

Além da empresa de remédios genéricos Ratiopharm, pertenciam a seu conglomerado de empresas a HeidelbergCement, maior fábrica de material de construção do país, com cerca de 68 mil empregados, e a distribuidora de medicamentos farmacêuticos Phoenix, com 22 mil empregados em toda a Europa.

No segundo semestre de 2008, problemas financeiros atingiram o império de Merckle. Calcula-se que devido à especulação com as ações da VW, o empresário teria perdido 1 bilhão de euros. Em consequência do endividamento, as ações de suas empresas perderam valor. Os bancos passaram a exigir mais segurança para conceder empréstimos.

Grupo altamente endividado

Unternehmen HeidelbergCement

HeidelbergCement emprega 68 mil pessoas

O entrelaçado império da família Merckle era difícil de negociar. Em fins de novembro último, o filho de Merckle informou numa reunião de empregados de Ratiopharm que os bancos estariam pressionando para que o conglomerado de firmas fosse desmontado. Em dezembro, Merckle tentou negociar a salvação de suas firmas junto a diversos bancos. Pouco antes do Natal, Merckle e seus bancos credores entram em acordo sobre um conceito para sanear as finanças de suas empresas.

No entanto, a decisão final de aceitar a proposta dos credores só deveria ser anunciada por Merckle no começo de 2009. Segundo a imprensa, a proposta de crédito teria como condição a entrega do controle sobre importantes partes do grupo de empresas de Merckle.

Na morte assim como na vida

Poucos dias antes de sua morte, os cerca de 30 bancos credores assinaram, em 30 de dezembro último, uma proposta de parcelamento de crédito para os próximos meses. Não se sabe precisamente o montante desse pacote de salvação.

Merckle precisava de 400 milhões de euros a curto prazo, segundo informações de meios financeiros. A médio prazo, as necessidades de finanças se elevariam e novas negociações em torno do endividamento do grupo seriam necessárias.

Especula-se que o endividamento do VEM, grupo que administra as empresas de Merckle, seria de 3 a 5 bilhões de euros. O motivo desse endividamento teria sido, além da especulação com as ações da VW, uma elevação de capital, principalmente na HeidelbergCement, supostamente financiada através de empréstimos.

Na última terça-feira, os bancos credores informaram que a morte de Merckle não influenciará o pacote de ajuda ao império de firmas do empresário. Nesta quarta-feira, o VEM informou que para uma nova estruturação do grupo, a família Merckle e os bancos chegaram à conclusão que será necessária a venda da empresa de genéricos Ratiopharm.

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