Hong Kong prende ativistas pró-democracia | Notícias internacionais e análises | DW | 23.11.2020

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Mundo

Hong Kong prende ativistas pró-democracia

Joshua Wong e dois outros ativistas se declaram culpados por convocar protestos pró-democracia em 2019. Eles podem pegar penas de até cinco anos de prisão.

Ativistas Agnes Chow, Ivan Lam e Joshua Wong

Ativistas Agnes Chow, Ivan Lam e Joshua Wong durante chegada para audiência em tribunal

O líder oposicionista de Hong Kong Joshua Wong, de 24 anos, se declarou culpado por todas as acusações sobre seu papel nos protestos ocorridos em junho de 2019. Ele foi preso nesta segunda-feira (23/11), juntamente com dois outros jovens ativistas, Agnes Chow e Ivan Lam, que também se declararam culpados das acusações.

Os três, que testemunharam nesta segunda-feira perante um tribunal, foram levados para o centro Lai Chi Kok, onde esperam o pronunciamento da sentença, que poderá ser de até cinco anos de prisão.

A leitura do veredicto deverá ser feita em 2 de dezembro, afirmou Agnes Chow em sua conta na rede social Facebook.

"Não vamos nos curvar a Pequim"

Horas antes da audiência, Joshua Wong havia anunciado que os três ativistas iam se declarar culpados no julgamento pela organização e participação em uma manifestação não autorizada. "Não ficaria surpreso se fosse detido ainda hoje", disse Wong aos jornalistas ao chegar ao tribunal, nesta segunda-feira.

"Continuaremos a lutar pela liberdade, e este não é o momento de nos curvarmos perante Pequim ou de nos rendermos", disse aquele que é considerado o rosto do movimento que ficou conhecido como Revolução dos Guarda-Chuvas, em 2014.

Hong Kong foi convulsionada por sete meses consecutivos de massivos e muitas vezes violentos protestos pela democracia no ano passado, que levaram milhões às ruas. Pequim rejeitou as exigências de eleições livres, e as autoridades perseguiram partidários da democracia com processos criminais e uma nova e severa lei de segurança nacional.

Joshua Wong denunciou a detenção de 23 ativistas, jornalistas e políticos, nas últimas três semanas. "Todos os dias temos ativistas em julgamento, manifestantes enviados para a prisão", afirmou através de nota.

"Sob as contínuas investidas contra os dissidentes da cidade, gerações de jovens vão dos protestos às prisões. Para salvaguardar a liberdade do lugar onde nascemos, todos eles fizeram um sacrifício silencioso, mas sem arrependimento. Alguns deles foram torturados, forçados ao exílio", frisou.

A mobilização pró-democracia no território foi muito forte até ao final do ano passado, com manifestações que chegaram a ter 2 milhões de pessoas, segundo os organizadores dos protestos.

Lei controversa

Os protestos diminuíram desde que a China introduziu uma polêmica lei de segurança nacional em junho, que levou ativistas a se refugiarem no Reino Unido e em Taiwan. A lei pune atividades subversivas, secessão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras, com penas que podem ir até a prisão perpétua.

A lei proíbe, entre outras coisas, que membros do Conselho Legislativo de Hong Kong apoiem a independência do território ou se recusem a reconhecer a soberania de Pequim sobre Hong Kong. Na prática, no entanto, qualquer legislador que questionar Pequim pode ser enquadrado. Paralelamente, as autoridades têm sufocado a imprensa do território e reprimido manifestações com força.

De acordo com os críticos, a lei representa um golpe fatal ao princípio de "um país, dois sistemas" da ex-colônia britânica, que garantia até 2047 uma série de liberdades inéditas na China continental.

A China defende que a nova lei se fez necessária após a série de protestos contra o governo local e Pequim iniciados em junho de 2019. As manifestações contrárias ao que muitos viam como um aumento da interferência chinesa geraram a mais grave crise em décadas no território.

MD/afp/lusa/rtr

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