Há 20 anos tomava posse primeiro Parlamento da RDA eleito de forma democrática | Página especial sobre a data da queda do Muro de Berlim | DW | 05.04.2010
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Muro de Berlim

Há 20 anos tomava posse primeiro Parlamento da RDA eleito de forma democrática

Ao assumirem seus cargos no dia 5 de abril de 1990, os 400 deputados do primeiro e último parlamento alemão-oriental eleito de forma democrática tinham um objetivo: a reunificação alemã.

default

Sabine Bergmann-Pohl, presidente do Parlamento alemão-oriental em 1990

Em 5 de abril de 1990, a falta de experiência democrática contribuiu para que a sessão plenária de posse do primeiro Parlamento alemão-oriental (Volkskammer) eleito democraticamente fosse um tanto quanto atribulada.

Para Sabine Bergmann-Pohl, primeira presidente da Volkskammer (câmara popular, em tradução literal), isso se deveu à inexperiência de cerca de dois terços dos parlamentares – incluindo ela própria. "Foi um parlamento extremamente espontâneo. Não tínhamos agenda definida como o Bundestag [câmara baixa do Parlamento alemão acidental]."

Objetivo era a reunificação alemã

Por ter sido o partido mais votado na eleição ao Parlamento alemão-oriental realizada em 18 de março de 1990, a União Democrata Cristã (CDU) reivindicou para si o posto do primeiro-ministro e a presidência do Parlamento.

Lothar de Maiziere

Lothar de Maizière, primeiro premiê da RDA eleito democraticamente

Até sua posse, Sabine Bergmann-Pohl havia desempenhado a profissão de médica. Filiada à CDU alemã-oriental desde 1981, em 1987 ela passou a integrar o diretório regional do partido em Berlim.

A campanha eleitoral havia sido dominada por um tema: a reunificação alemã. Especialmente o democrata-cristão Helmut Kohl, chefe de governo na Alemanha Ocidental, havia repetido esse apelo em uma série de pronunciamentos durante a campanha.

Já o Partido Social Democrata (SPD), da oposição, e sua figura de proa, Willy Brandt, apostavam num processo mais lento de aproximação entre os dois Estados alemães.

O trabalho da maioria dos parlamentares empossados em 5 de abril de 1990 em Berlim Oriental concentrou-se nas expectativas da maioria dos eleitores.

Havia uma clara diferenciação de objetivos, recorda Sabine Bergmann-Pohl: "Os defensores dos direitos civis da Aliança 90/Os Verdes queriam uma RDA reformada. O PDS [Partido do Socialismo Democrático, sucessor do partido único da Alemanha Oriental, o SED] queria que tudo continuasse como era".

Os outros partidos queriam a dissolução da República Democrática Alemã (RDA) e a unificação com a República Federal da Alemanha (RFA).

Grande coalizão em momento decisivo

Embora o resultado da eleição tivesse possibilitado uma coalizão entre CDU e partido liberal, os desafios a serem superados eram tão grandes que o primeiro-ministro, Lothar de Maizière, resolveu chamar também o SPD, segundo partido mais votado, para integrar a coalizão de governo.

20 Jahre Deutsche Einheit Bilderserie Flash

Palácio da República, sede do Parlamento alemão-oriental posteriormente demolida em Berlim

Como o que estava em jogo era o futuro dos dois Estados alemães, a então Alemanha Ocidental também participou da constituição do novo governo oriental. Equipes de assessores alemães-ocidentais prestaram assessoria jurídica e observaram o cumprimento da expectativa alemã-oriental por um rápido processo de unificação. De Maizière, ex-músico e advogado, via aí uma responsabilidade especial.

"Somos um só povo!"

Em sua declaração de governo, o premiê descreveu assim a situação da RDA: "O povo alemão-oriental vê-se como parte de um povo, como parte do povo alemão, que deveria unir-se novamente". Nesse contexto, o primeiro-ministro tentou, nos meses subsequentes, resgatar ao menos parte dos aspectos positivos da RDA.

Sua afirmação de que, no processo de fusão, "contribuímos com nossa sensibilidade para a justiça social, solidariedade e tolerância", teve pouca repercussão na Alemanha Ocidental.

O governo de Helmut Kohl organizou a reunificação alemã com princípios alemães-ocidentais, deixando pouco espaço para as experiências da antiga Alemanha Oriental, por mais positivas que fossem.

Ajuda inesperada

Além da consultoria da Alemanha Ocidental, o governo de Lothar de Maizière recebeu também ajuda inesperada. O atual líder esquerdista Gregor Gysi, na época líder da bancada do PDS, se destacava como político por seu talento retórico. Embora no início ele fosse contra a reunificação, acabou colaborando com uma série de alterações constitucionais:

"O senhor Gysi nos ajudou a mudar a Constituição. Tivemos de fazer adaptações na Lei Fundamental, e nisso ele foi muito útil", afirma Sabine Bergmann-Pohl.

O trabalho do primeiro Parlamento democrático alemão-oriental foi encerrado em 3 de outubro de 1990, data da adesão da RDA à Lei Fundamental da República Federal da Alemanha.

Autor: Matthias von Hellfeld (rw)

Revisão: Simone Lopes

Leia mais