Há 20 anos tomava posse primeiro Parlamento da RDA eleito de forma democrática | Página especial sobre a data da queda do Muro de Berlim | DW | 05.04.2010
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9 de novembro de 1989

Há 20 anos tomava posse primeiro Parlamento da RDA eleito de forma democrática

Ao assumirem seus cargos no dia 5 de abril de 1990, os 400 deputados do primeiro e último parlamento alemão-oriental eleito de forma democrática tinham um objetivo: a reunificação alemã.

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Sabine Bergmann-Pohl, presidente do Parlamento alemão-oriental em 1990

Em 5 de abril de 1990, a falta de experiência democrática contribuiu para que a sessão plenária de posse do primeiro Parlamento alemão-oriental (Volkskammer) eleito democraticamente fosse um tanto quanto atribulada.

Para Sabine Bergmann-Pohl, primeira presidente da Volkskammer (câmara popular, em tradução literal), isso se deveu à inexperiência de cerca de dois terços dos parlamentares – incluindo ela própria. "Foi um parlamento extremamente espontâneo. Não tínhamos agenda definida como o Bundestag [câmara baixa do Parlamento alemão acidental]."

Objetivo era a reunificação alemã

Por ter sido o partido mais votado na eleição ao Parlamento alemão-oriental realizada em 18 de março de 1990, a União Democrata Cristã (CDU) reivindicou para si o posto do primeiro-ministro e a presidência do Parlamento.

Lothar de Maiziere

Lothar de Maizière, primeiro premiê da RDA eleito democraticamente

Até sua posse, Sabine Bergmann-Pohl havia desempenhado a profissão de médica. Filiada à CDU alemã-oriental desde 1981, em 1987 ela passou a integrar o diretório regional do partido em Berlim.

A campanha eleitoral havia sido dominada por um tema: a reunificação alemã. Especialmente o democrata-cristão Helmut Kohl, chefe de governo na Alemanha Ocidental, havia repetido esse apelo em uma série de pronunciamentos durante a campanha.

Já o Partido Social Democrata (SPD), da oposição, e sua figura de proa, Willy Brandt, apostavam num processo mais lento de aproximação entre os dois Estados alemães.

O trabalho da maioria dos parlamentares empossados em 5 de abril de 1990 em Berlim Oriental concentrou-se nas expectativas da maioria dos eleitores.

Havia uma clara diferenciação de objetivos, recorda Sabine Bergmann-Pohl: "Os defensores dos direitos civis da Aliança 90/Os Verdes queriam uma RDA reformada. O PDS [Partido do Socialismo Democrático, sucessor do partido único da Alemanha Oriental, o SED] queria que tudo continuasse como era".

Os outros partidos queriam a dissolução da República Democrática Alemã (RDA) e a unificação com a República Federal da Alemanha (RFA).

Grande coalizão em momento decisivo

Embora o resultado da eleição tivesse possibilitado uma coalizão entre CDU e partido liberal, os desafios a serem superados eram tão grandes que o primeiro-ministro, Lothar de Maizière, resolveu chamar também o SPD, segundo partido mais votado, para integrar a coalizão de governo.

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Palácio da República, sede do Parlamento alemão-oriental posteriormente demolida em Berlim

Como o que estava em jogo era o futuro dos dois Estados alemães, a então Alemanha Ocidental também participou da constituição do novo governo oriental. Equipes de assessores alemães-ocidentais prestaram assessoria jurídica e observaram o cumprimento da expectativa alemã-oriental por um rápido processo de unificação. De Maizière, ex-músico e advogado, via aí uma responsabilidade especial.

"Somos um só povo!"

Em sua declaração de governo, o premiê descreveu assim a situação da RDA: "O povo alemão-oriental vê-se como parte de um povo, como parte do povo alemão, que deveria unir-se novamente". Nesse contexto, o primeiro-ministro tentou, nos meses subsequentes, resgatar ao menos parte dos aspectos positivos da RDA.

Sua afirmação de que, no processo de fusão, "contribuímos com nossa sensibilidade para a justiça social, solidariedade e tolerância", teve pouca repercussão na Alemanha Ocidental.

O governo de Helmut Kohl organizou a reunificação alemã com princípios alemães-ocidentais, deixando pouco espaço para as experiências da antiga Alemanha Oriental, por mais positivas que fossem.

Ajuda inesperada

Além da consultoria da Alemanha Ocidental, o governo de Lothar de Maizière recebeu também ajuda inesperada. O atual líder esquerdista Gregor Gysi, na época líder da bancada do PDS, se destacava como político por seu talento retórico. Embora no início ele fosse contra a reunificação, acabou colaborando com uma série de alterações constitucionais:

"O senhor Gysi nos ajudou a mudar a Constituição. Tivemos de fazer adaptações na Lei Fundamental, e nisso ele foi muito útil", afirma Sabine Bergmann-Pohl.

O trabalho do primeiro Parlamento democrático alemão-oriental foi encerrado em 3 de outubro de 1990, data da adesão da RDA à Lei Fundamental da República Federal da Alemanha.

Autor: Matthias von Hellfeld (rw)

Revisão: Simone Lopes

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