Grécia reduz projeto de polêmica cerca contra imigrantes ilegais | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 03.01.2011
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Mundo

Grécia reduz projeto de polêmica cerca contra imigrantes ilegais

Depois de uma onda de críticas internacionais, Grécia modifica plano de construir uma cerca ao longo da fronteira com a Turquia para impedir entrada de imigrantes ilegais.

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Comunidade internacional critica política de asilo da Grécia

O novo plano, divulgado nesta segunda-feira (03/01) pelo Ministério grego de Proteção ao Cidadão, prevê uma cerca de 12,5 quilômetros de comprimento por 3 metros de altura em um dos pontos vulneráveis da fronteira greco-turca, próximo ao rio Evros e à cidade de Orestiada (na Grécia) e a Edirne (na Turquia). O plano original, discutido no final de semana, previa 206 quilômetros de cerca.

O porta-voz da comissão para assuntos internos da União Européia (UE), Michele Cercone, disse que a Comissão Europeia quer ver a Grécia lançar uma grande reforma do seu sistema de asilo, em vez de criar cercas e muros.

"Cercas e muros já provaram no passado serem medidas de curto prazo que não ajudam a gerenciar os desafios migratórios de uma forma mais consolidada e estrutural", disse Cercone. Para ele, seria necessário "um diálogo com os países de origem e trânsito dos migrantes". A UE negocia com Ancara um acordo de repatriação de imigrantes, mas ainda não está claro quando o acordo será assinado.

Cerca de 80% de todos os imigrantes ilegais na UE entram no bloco europeu via Grécia. No último final de semana, oficiais gregos disseram que em média "200 refugiados por dia" entraram no país através da fronteira turca em 2010. Atualmente, consta que 300 mil pessoas estariam vivendo ilegalmente na Grécia. Imigrantes ilegais capturados pela polícia são colocados em alojamentos geralmente abarrotados. Grupos de defesa dos direitos humanos criticam a política de asilo da Grécia e as condições nos campos de detenção.

NO FLASH Internierungslager in Griechenland

Anistia internacional acusa União Europeia de querer se isolar em uma "ilha de ricos"


Violação de direitos humanos

A Anistia Internacional criticou a União Europeia por permitir a construção de uma cerca na fronteira entre a Grécia e a Turquia. Com isso, segundo a organização, a UE estaria dando seu aval à violação dos seus próprios princípios acerca dos direitos humanos, disse o especialista da Anistia Internacional, Wolfgang Grenz, ao jornal Frankfurter Rundschau nesta segunda-feira.

Para ele, com tal cerca, a Europa estaria assinando um atestado de culpa, isolando-se como uma ilha de ricos e fechando-se contra aqueles que fogem de perseguições ou da pobreza. "A UE não deve deixar os países fora de suas fronteiras sozinhos com o problema dos refugiados", disse Grenz ao jornal.

A Grécia já recebeu milhões de euros em fundos da União Europeia para melhorar o controle de suas fronteiras e o sistema de asilo. De junho a novembro de 2010, cerca de 33 mil imigrantes ilegais foram detectados cruzando a fronteira entre a Grécia e a Turquia. A maior parte deles vem do Afeganistão, Argélia, Paquistão, Somália e Iraque.

O ministro responsável pelas questões migratórias, Christos Papoutsis, causou polêmica com suas declarações de que "a cerca não traria problemas" e seria construída aos moldes daquela que separa os EUA do México.

Fiscalização conjunta

Grenzbereich zwischen Griechenland und Türkei Grüne Grenze NO FLASH

Frontex e guarda fronteiriça grega trabalham juntas desde novembro

Desde novembro, mais de 200 guardas da agência de proteção de fronteiras da UE (Frontex) têm patrulhado a fronteira do país junto com a polícia grega. De acordo com dados da Frontex, desde então, o número de imigrantes ilegais caiu 44%.

Segundo o porta-voz da polícia grega, Thanassis Kokallakis, a região entre a cidade de Orestiada, na Grécia, e Edirne, na Turquia, seria utilizada principalmente por traficantes, "porque lá eles podem descarregar sua carga humana confortavelmente", disse Kokallakis. Ao todo, a fronteira entre a Grécia e a Turquia tem 198 quilômetros.

Na Alemanha, a reação ao plano da Grécia também foi de cautela e crítica."Barreiras fronteiriças não ajudam em absolutamente nada a impedir os fluxos migratórios", afirmou o porta-voz de políticas de integração do partido liberal alemão FDP, Serkan Tören.

Para ele, quem quiser entrar na Europa ilegalmente vai encontrar uma forma de fazê-lo e a cerca, no caso, pode ser vista principalmente como uma barreira contra a Turquia, cuja adesão à UE está em negociação.

FF/afp/dpa

Revisão: Soraia Vilela

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