Grécia aprova acordo que muda o nome da Macedônia | Notícias internacionais e análises | DW | 25.01.2019
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Mundo

Grécia aprova acordo que muda o nome da Macedônia

Por maioria apertada, Parlamento grego encerra disputa de quase três décadas com o país vizinho, que passa a se chamar Macedônia do Norte. Decisão abre caminho para adesão da ex-república iugoslava à Otan e à UE.

Premiê grego Alexis Tsupras (dir.) consegue maioria no Parlamento para aprovar acordo com o país vizinho

Premiê grego Alexis Tsupras (dir.) consegue maioria no Parlamento para aprovar acordo com o país vizinho

O Parlamento da Grécia aprovou nesta sexta-feira (25/01) o acordo histórico envolvendo a mudança de nome da ex-república iugoslava da Macedônia, que passará a se chamar Macedônia do Norte. A decisão põe fim a uma disputa de quase três décadas que tem dificultado as relações bilaterais.

O pequeno país balcânico reivindica o nome Macedônia desde sua independência em 1991, após o fim da Iugoslávia. Atenas era contra a utilização do nome pelo país, temendo que isso pudesse levar a nação vizinha a reivindicar o território de mesmo nome localizado no norte da Grécia.

A ex-república iugoslava, por sua vez, tem aspirações de entrar na União Europeia (UE) e na Otan, o que vinha sendo bloqueado pelo veto da Grécia, membro das duas organizações. O acordo fechado entre os dois países no ano passado previu, do lado macedônio, a mudança de nome e, do lado grego, a retirada do veto.

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, que fechou o acordo com o premiê da Macedônia, Zoran Zaev, conseguiu formar uma maioria apertada no Parlamento, contando com o apoio de parlamentares independentes e da oposição.

A medida foi aprovada nesta sexta-feira por 153 a 146. Apesar da vitória, a disputa custou a Tsipras a maioria que ele obtinha no Parlamento, após um dos partidos direitistas abandonar a coalizão governista em protesto, deixando o governo com 145 representantes.

A votação ocorreu após três dias de debates acalorados no Parlamento, acompanhados de vários protestos de rua. Manifestantes chegaram a chamar os legisladores de "traidores".

Ao menos dois parlamentares do partido governista Syriza disseram que suas casas foram alvo de ataques, enquanto outro afirmou ter sofrido uma tentativa de agressão com uma bomba incendiária, que não deixou feridos. A ministra do Turismo da Grécia, uma independente conservadora que apoia o governo, disse ter recebido diversas ameaças de morte.

Tsipras comemorou o resultado da votação nas redes sociais. "Hoje escrevemos uma nova página na história dos Bálcãs. O ódio do nacionalismo e do conflito dá lugar à amizade, à paz e à cooperação", disse o premiê grego.

O primeiro-ministro macedônio, por sua vez, parabenizou Tsipras pela aprovação da medida na Grécia. "Junto com nossos povos, chegamos a uma vitória histórica", afirmou, pedindo "paz eterna e progresso nos Bálcãs e na Europa". A Macedônia já havia ratificado o acordo no início do mês.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, também comemorou a decisão, que aproxima a república macedônia da aliança militar do Atlântico Norte. Em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse que a votação em Atenas "escreve uma nova página do nosso futuro comum na UE".

"Eles tiveram imaginação, assumiram os riscos, estavam prontos para sacrificar seus próprios interesses por um bem maior", afirmou, por sua vez, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. "Missão impossível cumprida."

Pesquisas de opinião sugerem que a maioria dos gregos é contrária ao acordo, o que pode trazer prejuízos a Tsipras em pleno ano eleitoral. As eleições gerais gregas estão marcadas para outubro e, até o momento, o Syriza está 12 pontos percentuais atrás do opositor Nova Democracia, segundo levantamentos.

RC/rtr/ap

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