Governo turco impõe reitor, e estudantes se revoltam | Notícias internacionais e análises | DW | 05.01.2021

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Mundo

Governo turco impõe reitor, e estudantes se revoltam

Erdogan decide nomear aliado político como novo diretor da mais importante universidade da Turquia, e alunos se revoltam. Polícia reprime protesto com mão de ferro e chama estudantes de "marginais de esquerda".

Polícia reprime protestos estudantis em Istambul

Polícia reprime protestos estudantis em Istambul

A nomeação de um novo reitor para a mais importante universidade da Turquia gerou uma revolta entre os estudantes, que está sendo reprimida com mão de ferro pelo governo do presidente Recep Tayyip Erdogan.

Só nesta terça-feira (05/01), 17 estudantes foram detidos em conexão com os protestos, iniciados na véspera na Universidade Bogazici, em Istambul. As autoridades disseram que pretendem prender outros 11.

Os estudantes estão sendo acusados de violar as leis que regulamentam protestos no país e de resistir às ordens dos policiais.

No fim de semana, Erdogan apontou Melih Bulu como novo reitor da universidade, em decisão repudiada por docentes e estudantes como uma violação da liberdade acadêmica.

A mídia turca noticiou que Bulu concorreu a deputado em 2015 pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdogan, e é encarado como próximo do presidente. 

Nas filmagens que circularam nesta terça-feira, os estudantes podem ser vistos exigindo a libertação dos detidos.

Desde que a Turquia mudou, em 2018, para um sistema presidencialista que dá amplos poderes ao presidente, Erdogan tem a autoridade exclusiva de nomear reitores de universidades públicas.

As universidades foram privadas do direito de eleger seus próprios reitores por um decreto presidencial emitido logo após um golpe militar fracassado em 2016. Centenas de acadêmicos foram presos ou expurgados sob um estado de emergência que durou dois anos e foi levantado apenas em julho de 2018. No ano passado, Erdogan nomeou 27 reitores.

Aumentando a ira dos manifestantes, um funcionário na sede da polícia de Istambul disse que os detidos não são alunos, mas membros de grupos "marginais de esquerda" que apoiaram os protestos.

A universidade era chamada Robert College quando foi fundada, em 1863, pelos americanos. Foi entregue à Turquia em 1971 e foi renomeada em referência à localização do campus, junto ao rio Bósforo – "Bogazici", em turco.

Apesar das detenções, há planos para mais protestos nesta quarta-feira.

Em 2018, a Universidade Bogazici já havia sido alvo de repressão por parte do governo. Estudantes que protesteram contra a intervenção turca na Síria foram rotulados pelo presidente Erdoğan em um discurso público como "jovens comunistas e terroristas". No dia seguinte, a polícia invadiu os dormitórios estudantis e prendeu vários líderes do protestos pacíficos.

RPR/rtr/ap