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Mãos seguram um cartaz com o dizer "Patria y Vida". Ao fundo, uma bandeira de Cuba desfocada.
Em julho, protestos espontâneos ocorreram em cerca de 50 cidades cubanasFoto: Wilfredo Lee/AP/picture alliance

Governo cubano proíbe marcha da oposição

13 de outubro de 2021

Grupos a favor de mais liberdade pediram para realizar protesto em 15 de novembro. Autoridades cubanas acusaram organizadores de serem apoiados pelos EUA e de tentarem derrubar o regime.

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O governo cubano rejeitou nesta terça-feira (12/10) um pedido de grupos de oposição para realizar uma marcha em 15 de novembro. As autoridades acusaram os organizadores de serem apoiados pelos Estados Unidos e de tentarem derrubar o regime.

O planejamento dos protestos é o mais recente sinal de descontentamento na ilha, que atravessa uma grande crise econômica, com alta inflação, cortes de energia e escassez de alimentos e medicamentos.

"Os promotores [do evento] e seus representantes públicos, alguns dos quais com vínculos com organizações subversivas ou agências financiadas pelo governo americano, têm a clara intenção de promover uma mudança no sistema político cubano", afirmou o governo em nota.

O grupo de oposição Archipiélago, que afirma ter cerca de 20 mil membros, planejou a manifestação "Marcha Pacífica pela Mudança" em apoio às liberdades civis na ilha, incluindo o direito de protesto pacífico e a anistia para oposicionistas presos. Na capital, Havana, estava prevista a participação de cerca de 5 mil pessoas.

A nova convocação para manifestações ocorre depois que protestos espontâneos sem precedentes contra o governo tomaram conta do país em 11 de julho, em cerca de 50 cidades.

Após os atos, houve repressão do governo – pelo menos uma pessoa morreu, dezenas ficaram feridas e mais de mil foram detidas, várias das quais ainda estão atrás das grades.

Na época, o presidente do conselho de Estado de Cuba, Miguel Díaz-Canel, acusou "mercenários pagos pelos Estados Unidos"de organizar os protestos.

Data remarcada

O grupo havia originalmente convocado o protesto para 20 de novembro, mas antecipou o ato em cinco dias, depois que o governo cubano convocou uma parada militar para a data.

No entanto, 15 de novembro também é o dia em que o governo planejou reabrir Cuba ao turismo, após dois anos em que o setor, fundamental para o país, ficou quase inoperante.

"As razões apresentadas para protestar não são consideradas legítimas", disse o governo em seu comunicado, acrescentando que a nova constituição adotada em 2019 afirma que o sistema socialista é "irrevogável".

Grupos debaterão se seguirão com ato

O diretor de cinema e organizador do protesto Yunior Garcia criticou as razões do governo para não permitir a manifestação.

"O que quer que o cubano faça, eles sempre dizem que a ideia veio de Washington. É como se não pensássemos, como se nós, cubanos, não tivéssemos cérebro", disse Garcia.

Segundo ele, os vários grupos de oposição vão agora discutir se devem desafiar a proibição do protesto.

"Qualquer cubano sensato quer a mudança, qualquer cubano sensato quer que em Cuba haja mais democracia, mais progresso, que haja mais liberdade, em todos os sentidos", disse García.

Em Cuba, os direitos de greve e manifestação não são contemplados fora das instituições do Estado, razão pela qual, se tivesse sido autorizada, a marcha de 15 de novembro teria estabelecido um precedente histórico.

le (efe, afp, ots)