Governo consulta EUA sobre nome de Eduardo Bolsonaro como embaixador | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 26.07.2019
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Brasil

Governo consulta EUA sobre nome de Eduardo Bolsonaro como embaixador

Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, diz ter certeza que Estados Unidos aprovarão indicação de filho de Jair Bolsonaro. Nomeação depende, porém, do aval do Senado.

Eduardo Bolsonaro

Caso EUA aprovem, cabe ao Senado aceitar nomeação de Eduardo Bolsonaro para embaixada em Washington

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, confirmou nesta sexta-feira (26/07) que o governo enviou uma consulta oficial aos Estados Unidos sobre a indicação de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, para chefiar a Embaixada do Brasil em Washington. 

"Foi pedido o agréement [consulta diplomática] e esperamos a resposta americana. É uma coisa que ocorre de acordo com a praxe diplomática, por seus canais próprios. Eu tenho a minha grande certeza de que será concedido esse agréement pelo governo americano e que Eduardo Bolsonaro será um ótimo embaixador", disse Araújo, durante uma reunião dos chefes das diplomacias do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), no Rio de Janeiro.

Em caso de resposta afirmativa, Eduardo, de 35 anos, deverá ser oficialmente indicado para ocupar o posto diplomático mais importante do país no exterior. Depois disso, a indicação terá que ser aprovada pelo Senado, onde ainda terá que passar por uma sabatina.

A indicação foi alvo de críticas no meio político, diplomático e no Judiciário, que logo acusaram o presidente de prática de nepotismo. Em reação, Bolsonaro disse que pretendia beneficiar o filho. "Pretendo, está certo. Se puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou", afirmou.

O plano do presidente representa uma quebra sem precedentes na tradição diplomática do país. Nunca na história republicana brasileira um presidente indicou um filho para um cargo de embaixador, ainda mais em um posto tão sensível quanto a representação nos EUA. A prática também é exótica em grandes democracias do mundo. Exemplos desse tipo de indicação só são encontrados em ditaduras – como a Arábia Saudita, o Chade e o Uzbequistão. 

A embaixada brasileira em Washington já foi preenchida com indicações políticas no passado, como o ex-governador Juracy Magalhães nos anos 1960 e o banqueiro Walther Moreira Salles na década de 1950, mas nenhum dos indicados tinha relação de parentesco com o presidente da vez.

Falta de experiência

Deputado federal em segundo mandato, Eduardo, que é chamado de "03" pelo pai, é escrivão concursado da Polícia Federal. Não possui nenhuma formação na área internacional, mas é membro da Comissão de Defesa e Relações Exteriores da Câmara e exerce influência sobre a política externa do governo do pai, além de acompanhar o presidente em viagens internacionais, tal como ocorreu no Fórum Econômico de Davos e na cúpula do G20 no Japão.

Após o anúncio, Eduardo tentou minimizar a sua falta de experiência diplomática. "Não sou um filho de deputado que está do nada vindo a ser alçado a essa condição. Tem muito trabalho sendo feito, sou presidente da Comissão de Relações Exteriores [da Câmara], tenho uma vivência pelo mundo, já fiz intercâmbio, já fritei hambúrguer lá nos Estados Unidos", disse.

Eduardo é também próximo do ideólogo Olavo de Carvalho. Após falar com jornalistas sobre a indicação, o deputado chegou a brincar que poderia aproveitar a proximidade de Washington com o local de residência de Olavo, no estado americano da Virgínia. "Que a gente venha a fazer alguns churrascos e dar uns tiros no quintal dele", disse Eduardo.

Mas a indicação para a embaixada gerou críticas até mesmo de Olavo, que classificou uma possível ida de Eduardo de um "retrocesso". Na visão do guru do governo, seria melhor que o deputado ficasse no Congresso para ajudar a investigar o Foro de São Paulo – uma organização internacional que reúne partidos de esquerda, como o PT, e que é seguidamente denunciada pela extrema direita brasileira por supostamente promover o comunismo.

"O diplomata tem lá as suas obrigações regulamentares e não vai poder nem ficar falando do Foro de São Paulo. Isso seria um retrocesso, seria a destruição da carreira do Eduardo Bolsonaro", disse Olavo em um vídeo no YouTube.

CN/lusa/dpa/abr/ots

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