Georg Friedrich Händel, entre músico e homem de negócios | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 14.04.2009
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Georg Friedrich Händel, entre músico e homem de negócios

O compositor saxão morreu em 14 de abril de 1759 em Londres. Entre Halle e Londres, na ópera ou no oratório, sua trajetória de sucesso foi determinada pela arte de agradar ao público, quer aristocrata, quer burguês.

default

Retrato inédito do compositor na Casa de Händel, em Halle

Em 1740, um jornal de Leipzig apresentou o ranking dos maiores compositores alemães da época: o segundo lugar coube a Georg Friedrich Händel. Interessante notar: ele foi superado apenas por um músico considerado "menor" em nossos dias, Georg Philipp Telemann. Johann Sebastian Bach ficou relegado à sétima colocação.

Händel nasceu em 23 de fevereiro de 1685 (o mesmo ano que Bach) na cidade de Halle, no atual estado da Saxônia-Anhalt. Cedo começa a estudar órgão com Friedrich Zachow. Sua primeira composição de que se tem notícia, uma sonata para dois violinos e baixo contínuo em sol menor, data de 1699. Aos 17 anos assume o posto de organista na catedral de sua cidade natal, inicando paralelamente o estudo de Direito.

Hamburgo – Hannover

Deutschland Bildgalerie Händel Festjahr 2009 Partitur Messias

Frontispício do oratório 'O Messias'

Já em 1703, muda-se para Hamburgo, onde ocupa o posto de diretor musical da ópera da cidade. Dois anos mais tarde, estreia sua primeira obra cênica, Almira. No ano seguinte, já um superstar local, ele viaja para Florença a convite de um membro da família Medici. Nos próximos quatro anos, Händel passará por Roma, Nápoles e Veneza, travando contato com os compositores Arcangelo Corelli e Alessandro e Domenico Scarlatti.

Durante a temporada na Itália, ele escreve uma série de obras vocais. Acima de tudo, o jovem músico alemão estuda a ópera italiana, onde encontra diversos impulsos para sua própria música. A apresentação de sua quinta ópera, Agrippina, em Veneza, conquista o apreço do público.

Ao retornar ao país natal, em 1710, Händel se estabelece em Hannover, onde se torna mestre-de-capela do príncipe eleitor Jorge Ludovico – coroado, quatro anos mais tarde, rei Jorge 1º da Grã-Bretanha. Já no ano seguinte viaja para a Inglaterra em turnê com sua ópera Rinaldo, cuja ária "Lascia ch'io pianga" – ao lado de "Ombra mai fù", de Xerxes (1737) –, é uma das melodias operísticas barrocas mais populares até hoje.

Londres

Gemälde von Georg-Friedrich Händel

O compositor por volta de 1710

Händel aperfeiçoa seus conhecimentos do idioma inglês, e já no ano seguinte retorna a Londres, desta vez definitivamente. Logo se estabelece como favorito dos círculos aristocráticos e da casa real, o que lhe assegura uma polpuda pensão anual. Consta que o sucesso da suíte Música aquática, numa festividade às margens do Tâmisa, haveria levado o rei a duplicar seu salário.

Em 1719, por ordem do soberano, Händel funda a casa de ópera Royal Academy of Music, onde estrearão nos próximos anos Radamisto, Júlio César, Tamerlano e Rodelina, entre muitas outras. Em 1727, "George Frideric Handel" recebe a cidadania britânica, um dos últimos atos assinados por Jorge 1º, antes de falecer.

Jorge 2º (natural de Hannover, como seu pai) logo demonstra haver herdado a apreciação pela música händeliana, encomendando-lhe três odes comemorativas para sua coroação, ao lado da rainha Carolina. Reunindo uma orquestra de 160 músicos e coro dividido em até sete partes, as Coronation anthems são consideradas uma apoteose do estilo monumental barroco.

Maus tempos

Porém as finanças reais vão mal, e a Royal Academy of Music tem que ser fechada em 1728, apesar de todas tentativas de salvamento empreendidas pelo compositor em pessoa. Ele se transfere para o recém-construído – e menor – Covent Garden Theatre e vai recrutar cantores na Itália para reforçar seu elenco.

Entretanto, a Opera of the Nobility, de Antonio Porpora, é uma dura concorrente, privando-o de espectadores e de seus melhores cantores, entre os quais o castrato Senesino. O interesse público pelo canto italiano em si declina. E na última década o movimento burguês ganhara força na ilha britânica, munido de aversão à aristocracia e a todas as suas formas de entretenimento.

Em 1737 o anglo-alemão é forçado a declarar bancarrota. Um derrame o deixa parcialmente paralisado. Nos quatro anos seguintes ainda realizará várias tentativas de apresentar suas óperas, até Deidamia, a última de uma produção lírica total de 46 obras.

Mudança de ramo

Großbritannien Bildgalerie Händel Festjahr 2009 Themse

Händel sobre o Tâmisa, em gravura do século 18

Mas o astuto homem de negócios sabe quando chegou a hora de mudar de ramo. Nos anos seguintes, os concertos para diversos instrumentos com orquestra e os oratórios compõem o foco das atividades de Händel. Entre estes últimos, o mais famoso é certamente O Messias, com o indefectível coro Aleluia. Por desejo do compositor, a bilheteria da estreia em Dublin, em 1742, reverte para os presos por inadimplência e para os hospitais de pobres.

Entre 1743 e 1752, Händel produz, a cada temporada, de um a nove oratórios, um gênero em que não tinha concorrentes. Durante a composição de Jephta, em 1751, apresenta os primeiros sintomas de catarata, e um ano mais tarde está completamente cego, apesar de uma série de operações. Um de seus cirurgiões é o duvidoso John Taylor, que – igualmente sem sucesso – também operara J.S. Bach, morto em 1750.

Mestre dos efeitos

Apesar da cegueira, Händel continua participando das apresentações de seus oratórios, inclusive tocando nos intervalos concertos para órgão, em parte improvisados. E ainda compõe novas árias ou adapta peças antigas. Poucas semanas antes de sua morte, acompanha ao órgão uma apresentação do Messias.

Georg Friedrich Händel gozou do apreço tanto do público como de seus colegas, contemporâneos ou póstumos. Consta que Mozart o considerava um mestre dos efeitos: "Quando ele escolhe, acerta como um raio". E Beethoven, em reconhecimento a seu apelo popular: "Vá até Händel, se quiser aprender a atingir grandes efeitos com meios tão simples".

O compositor natural da Saxônia faleceu em 14 de abril de 1759, um Sábado de Aleluia, em sua residência em Londres, sendo sepultado na Abadia de Westminster.

Autor: Augusto Valente
Revisão: Simone Lopes

Leia mais