Gauck descarta indenizações a vítimas da Colonia Dignidad | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 12.07.2016
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

América Latina

Gauck descarta indenizações a vítimas da Colonia Dignidad

Presidente alemão chega ao Chile em visita centrada na recuperação da memória histórica da ditadura Pinochet e em meio a processos pedindo reparações às vítimas e condenações a criminosos.

Joachim Gauck é recebido em Santiago pela presidente chilena, Michele Bachelet

Joachim Gauck é recebido em Santiago pela presidente chilena, Michele Bachelet

O presidente alemão, Joachim Gauck, iniciou nesta terça-feira (12/07) uma visita oficial ao Chile com foco na recuperação da memória histórica das atrocidades cometidas numa colônia alemã durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

A visita de Gauck acontece depois de a Justiça chilena reabrir as investigações sobre os crimes ocorridos na Colonia Dignidad, assentamento a 300 quilômetros de Santiago. A colônia foi fundada em 1961 por imigrantes alemães e se tornou um centro de detenção e tortura de opositores ao regime.

Sob o comando do ex-enfermeiro nazista Paul Schäfer, a Colonia Dignidad também foi palco de abusos sexuais de menores. Schäfer, o fundador da colônia, morreu em 2010, quando cumpria pena de 20 anos de prisão por abuso sexual de crianças.

No sábado passado (09/07), cerca de cem ex-habitantes da colônia anunciaram que pretendem abrir um processo coletivo para obter reparações no valor total de 100 milhões de dólares do governo chileno.

E, nesta segunda-feira, a Associação pela Memória e os Direitos Humanos da Colonia Dignidad abriu um processo contra os culpados do "enterro ilegal de ao menos cem corpos de prisioneiros políticos". A ação judicial pede que sejam investigados e condenados os militares chilenos e os colonos alemães que participaram de crimes contra a humanidade

Ao desembarcar em Santiago, Gauck descartou o pagamento de reparações a vítimas da ditadura chilena, argumentando que a Alemanha não contribuiu para a instalação do regime nem participou dele. Ele disse, porém, que o país está disposto a auxiliar no apoio psicológico a vítimas da Colonia Dignidad.

Negligência de autoridades alemãs

O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, reconheceu que diplomatas alemães no Chile, na época, pouco fizeram para evitar os abusos. Em abril, Steinmeier anunciou que os arquivos secretos sobre a Colonia Dignidad seriam tornados públicos.

Gauck chegou ao país acompanhado do diretor alemão Florian Gallenberger, autor do filme Colonia, protagonizado por Emma Watson e Daniel Brühl e recém-lançado nos cinemas. O longa, que mostra os horrores de Colonia Dignidad, estreia no Chile em agosto.

KG/dpa/ap

Leia mais