Franceses saem às ruas em homenagem a professor decapitado | Notícias internacionais e análises | DW | 18.10.2020

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França

Franceses saem às ruas em homenagem a professor decapitado

Milhares se reúnem em várias cidades da França em solidariedade ao docente de História assassinado após mostrar caricatura de Maomé em classe. "Não temos medo", diz primeiro-ministro, que esteve no ato em Paris.

Pessoas reunidas em protesto na França

Muitos ergueram cartazes com os dizeres "Eu sou professor" e "Eu sou Samuel"

Milhares de manifestantes saíram às ruas da França neste domingo (18/10) em apoio à liberdade de expressão e em homenagem ao professor que foi decapitado num subúrbio de Paris na última sexta-feira, após mostrar uma caricatura do profeta islâmico Maomé em sala de aula.

Líderes políticos, associações e sindicatos se uniram aos protestos na Place de la République, no centro de Paris. Manifestantes também se reuniram em outras grandes cidades francesas, incluindo Lyon, Toulouse, Estrasburgo, Nantes, Marselha, Lille e Bordeaux.

"Vocês não nos assustam. Nós não estamos com medo. Vocês não irão nos dividir. Nós somos a França!", escreveu no Twitter o primeiro-ministro francês, Jean Castex, que esteve entre os participantes do ato na capital do país.

O ministro da Educação da França, Jean-Michel Blanquer, também esteve no protesto. "É absolutamente importante mostrar nossa mobilização e nossa solidariedade, nossa coesão nacional", disse à emissora France 2, pedindo a "todos que apoiem os professores".

Alguns manifestantes carregavam cartazes com a frase "Eu sou professor" ("Je suis prof"), ecoando o slogan "Je suis Charlie" (Eu sou Charlie), lema dos protestos contra a chacina executada por terroristas islâmicos na redação do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris, em 2015.

Pessoas reunidas em protesto em Lille

Além de Paris, atos ocorreram em outras cidades francesas, como Lille

O professor de História Samuel Paty, de 47 anos, foi decapitado na tarde de sexta-feira próximo à escola em que lecionava, no subúrbio de Conflans-Sainte-Honorine, no oeste de Paris.

O autor do ataque, um refugiado de nacionalidade tchetchena de 18 anos, foi morto a tiros pela polícia. Segundo testemunhas, o assassino teria gritado "Allahu Akbar" ("Deus é grande" em árabe), ao ser abatido a 200 metros do local. 

Paty vinha sendo alvo de ameaças na internet por ter mostrado uma das caricaturas de Maomé, originalmente publicada no Charlie Hebdo, durante uma aula sobre liberdade de expressão. O representante de uma associação de pais de alunos relatou que o docente teria "convidado os alunos muçulmanos a deixarem a classe", pois iria mostrar a imagem.

O pai de uma estudante chegou a lançar apelos online por uma "mobilização" contra o professor, segundo informou o promotor antiterrorismo francês Jean-François Ricard.

Testemunhas afirmaram que o autor da decapitação, identificado como Abdullakh A., foi visto na escola na sexta-feira à tarde perguntando a estudantes onde ele poderia encontrar Paty.

Pessoas reunidas em protesto em Paris

"Eu sou professor": cartazes ecoam slogan "Je suis Charlie", dos protestos após a chacina em 2015 contra jornal

Neste domingo, autoridades francesas informaram a prisão do 11º suspeito ligado ao caso. Entre os detidos estão pais de alunos e quatro membros da família do agressor, que havia recebido uma permissão de residência de dez anos como refugiado na França em março.

O promotor de Paris disse que um texto assumindo a responsabilidade pelo crime e uma foto do professor foram encontrados no celular do autor do ataque.

Ele também confirmou que em uma conta no Twitter pertencente ao suspeito foi publicada uma foto do corpo da vítima minutos após a decapitação. A mensagem na postagem indicava que o ataque foi motivado pelas caricaturas mostradas em sala de aula pelo professor.

Um serviço memorial estatal será realizado para Paty na quarta-feira.

O caso ocorre três semanas depois de um ataque à antiga redação do Charlie Hebdo, em Paris. Em 26 de setembro, um muçulmano de origem paquistanesa feriu duas pessoas nos arredores do local onde ficava a redação. À polícia, ele disse que estava furioso com as caricaturas de Maomé que o jornal publicou, algo considerado uma blasfêmia por islâmicos radicais.

O ataque em 2015 perpetrado no mesmo local também fora motivado pelas caricaturas publicadas pelo veículo. A chacina deixou 12 mortos.

EK/dpa/rtr/afp

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