França homenageia policial morto em ataque | Notícias internacionais e análises | DW | 28.03.2018
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Mundo

França homenageia policial morto em ataque

Centenas de pessoas participam de cerimônia em Paris em homenagem a Arnaud Beltrame, celebrado como herói após trocar de lugar com refém em Trèbes. "É um dos filhos que a França se orgulha de ter", diz Macron.

Frankreich Gedenkfeier für den getöteten Polizisten Arnaud Beltrame (Reuters/C. Hartmann)

O presidente Emmanuel Macron durante a cerimônia no Palácio dos Inválidos

A França prestou uma homenagem nesta quarta-feira (28/03) ao policial Arnaud Beltrame, que morreu após ter trocado de lugar com uma refém durante o ataque terrorista de sexta-feira passada em um supermercado em Trèbes, no sul do país. O oficial foi celebrado como herói na França.

O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou durante a cerimônia que a atitude de Beltrame é símbolo do "espírito francês de resistência", visto naqueles que decidiram que valia a pena dar sua vida pela sobrevivência da liberdade e da fraternidade.

"Ele é um desses filhos que a França se orgulha de ter. O nome de seu agressor será esquecido, mas o nome de Arnaud Beltrame continuará vivo. Seu exemplo permanecerá nos corações franceses", disse o presidente, garantindo que fará de tudo para que o policial "não tenha morrido em vão".

Macron falou a centenas de pessoas que acompanharam a cerimônia no Palácio dos Inválidos, um museu de guerra no centro de Paris. Além da viúva, Marielle, e outros familiares de Beltrame e das vítimas do ataque, estiveram presentes vários membros do governo francês e representantes políticos e militares, além dos ex-presidentes François Hollande e Nicolas Sarkozy.

O corpo de Beltrame, em um caixão de madeira coberto com a bandeira da França, foi levado ao Palácio dos Inválidos em um cortejo fúnebre que partiu do Panteão de Paris. Milhares de pessoas foram às ruas da capital francesa para acompanhar a passagem do cortejo.

Corpo do policial foi levado em cortejo fúnebre pelo centro de Paris

Corpo do policial foi levado em cortejo fúnebre pelo centro de Paris

Antes disso, às 10h (horário local), vários órgãos e instituições do governo francês, incluindo o Palácio do Eliseu, sede da presidência, e o Ministério do Interior, fizeram um minuto de silêncio em homenagem ao policial morto.

Beltrame, de 44 anos, era membro da Gendarmarie, a força policial militar francesa, e morreu no sábado passado, após ser esfaqueado na garganta ao fim de quatro horas de impasse num supermercado em Trèbes, onde o marroquino Redouane L. havia se entrincheirado depois de ter matado três pessoas.

O policial se voluntariou para tomar o lugar de uma funcionária que o agressor usava como escudo humano dentro do estabelecimento. Beltrame disse ter esperança de conseguir negociar com o sequestrador, mas acabou ferido e morreu no hospital na manhã seguinte. Redouane L. foi morto por policiais ao fim do impasse.

O policial Arnaud Beltrame

O policial Arnaud Beltrame

Ao comparar as mortes do policial e de seu assassino, Macron afirmou que o marroquino teve "uma morte covarde obtida pelo assassinato de inocentes". Após o maior atentado na França desde que chegou ao poder, em maio passado, o presidente pediu maior vigilância contra extremistas islâmicos.

"Não estamos lutando apenas contra grupos terroristas, contra exércitos do 'Estado Islâmico' e contra imãs que pregam o ódio e a morte", afirmou Macron. Segundo ele, a França também enfrenta uma forma de "islamismo clandestino" que "corrompe todos os dias" – "um inimigo insidioso que exige vigilância renovada e consciência cívica de todos os cidadãos."

O ataque

O ataque começou na manhã da sexta-feira passada na cidade medieval de Carcassonne, quando o atirador roubou um carro e executou o motorista com um tiro na cabeça. Ali, ele também abriu fogo contra um grupo de policiais que jogavam futebol, deixando vários feridos, e depois dirigiu para Trèbes, onde se escondeu no supermercado e fez reféns.

O cerco policial, iniciado por volta das 11h da manhã, só terminou às 15h da tarde, com a decisão de invadir o local. O sequestrador foi abatido pela polícia. No total, 15 pessoas ficaram feridas no ataque, uma em estado grave. Dois morreram dentro do supermercado, sendo um funcionário e um cliente.

Nascido no Marrocos, Redouane L. era conhecido das autoridades como um pequeno criminoso, mas estava sob vigilância dos serviços de segurança em 2016 e 2017 por supostas conexões com o movimento salafista radical.

No supermercado, o atirador teria gritado em árabe "Deus é grande" e dito ser um soldado do "Estado Islâmico" (EI). Ele também teria pedido a libertação de Salah Abdeslam, único terrorista sobrevivente dos ataques terroristas de novembro de 2015 em Paris.

O EI assumiu a autoria o ataque. Desde 2015, mais de 240 pessoas foram mortas na França em atentados perpetrados por radicais ligados ao grupo terrorista ou inspirados por ele.

EK/afp/ap/dpa/efe

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