FMI registra mercados financeiros mais estáveis | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 01.10.2009
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Economia

FMI registra mercados financeiros mais estáveis

Os mercados financeiros internacionais recuperaram estabilidade, afirma o FMI. Diretor do Fundo alerta, contudo, para o risco de novas turbulências, caso bancos e políticos não cumpram com suas obrigações.

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Encontro do FMI acontece em Istambul

Um ano após a falência do banco norte-americano de investimentos Lehman Brothers, que praticamente levou à desintegração do cerne do sistema financeiro mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou nesta quarta-feira (30/09), durante um encontro em Istambul, na Turquia, um afrouxar contido de cintos: "Estamos a caminho das melhorias, mas isso não significa que, de repente, todos os riscos tenham desaparecido", disse José Viñals, diretor do departamento de capitais do FMI.

As medidas tomadas por políticos e pelos Bancos Centrais, segundo Viñals, surtiram efeitos. Além disso, de acordo com ele, foram corretas as injeções de liquidez nos mercados financeiros, bem como as medidas de salvação para os bancos e tudo o que foi feito a fim de evitar um estreitamento do setor de crédito. Isso, para Viñals, contribuiu de forma considerável para minimizar os riscos para os países industrializados.

No entanto, enquanto ali os mercados se recuperavam, os riscos se deslocaram para os países emergentes e em desenvolvimento. Nestes, os bancos quase não receberam créditos, uma vez que os governos não dispõem de meios para oferecer pacotes gigantes de auxílio à conjuntura, como nos países industrializados ocidentais.

FMI: recursos prometidos foram recebidos

Em abril último, os participantes da cúpula financeira em Londres decidiram aumentar os recursos do FMI em 500 bilhões de dólares para novos programas de crédito. E na última semana, em Pittsburgh, verificou-se que essa promessa havia sido cumprida.

Esses recursos serão usados pelo FMI principalmente para melhorar a situação nos países emergentes e com economias menos desenvolvidas, afirma Viñals. O FMI estima as perdas globais em função da crise na inimaginável soma de 3,4 trilhões de dólares. De qualquer forma, esse total ainda é 600 bilhões de dólares inferior ao total de perdas estimado no primeiro semestre deste ano.

Recomendações dos bombeiros financeiros

IWF - Jahrestagung in Istanbul Jose Vinals

José Viñals: recuperação não significa que riscos desapareceram

"A boa notícia é que a situação de capital dos bancos melhorou substancialmente desde o último informe de estabilidade feito no primeiro semestre. No entanto, à pergunta se isso basta para sustentar a recuperação da economia mundial com créditos suficientes, a resposta é simplesmente não", observa Viñals.

Há, como se vê, muito ainda a fazer, também para os políticos. A eles, o corpo internacional de bombeiros financeiros tem de imediato várias recomendações. Primeiro, a de que o volume de crédito para as empresas deveria continuar crescendo, a fim de sustentar a recuperação econômica.

"Em segundo lugar, será extremamente importante e muito melindroso para os políticos encontrar o equilíbrio certo entre injeções de capital e retirada do mesmo do mercado. Nessa empreitada, os políticos estão adentrando terra incógnita", diz Viñals.

Ninguém suportaria uma nova crise

Uma terra incógnita que teria que ser descoberta o mais rápido possível. Pois liquidez excessiva por tempo demasiado nos mercados seria a semente para a próxima "bolha".

Além disso, diz Viñals, as enormes dívidas públicas, infladas repentinamente pelos pacotes de apoio à conjuntura, teriam que ser novamente reduzidas a médio prazo. Caso contrário, paira a ameaça de uma nova crise, ou seja, uma crise de endividamento.

"O sistema financeiro internacional ainda continua frente a grandes desafios. Se não for possível vencê-los, a crise sistêmica poderá voltar e emperrar o bonde da recuperação econômica", preconiza o presidente do departamento de capital do FMI. "E esse é um risco que não podemos nos dar ao luxo de correr", conclui Viñals.

Autor: Rolf Wenkel (sv)
Revisão: Augusto Valente

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