Filarmônica de Hamburgo: construção sem fim? | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 17.04.2010
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Alemanha

Filarmônica de Hamburgo: construção sem fim?

Se os custos para a construção da Filarmônica de Hamburgo fossem mostrados às claras no início, ninguém teria concordado com a obra. Eles saltaram de 77 milhões para 323,5 milhões de euros.

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Smbolo arquitetônico em construção

Aos poucos, a sala de concertos Filarmônica do Elba, em Hamburgo (Elbphilharmonie) vai se erguendo e se impõe sobre o antigo armazém Kaispeicher, no porto de Hamburgo. As primeiras partes da fachada transparente estão fixadas, já dando uma ideia da futura aparência da ousada construção projetada pelos arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron.

Elbphilharmonie

Simulação de computador mostra como a Flarmônica do Elba será um dia

A Filarmônica do Elba deverá ser um símbolo de irradiação internacional, como a Ópera de Sydney ou o Museu Guggenheim em Bilbao. Porém, atualmente, os cidadãos de Hamburgo veem em suas obras, antes de tudo, um enorme buraco onde o dinheiro público desaparece.

Os custos da construção, inicialmente calculados em 77 milhões de euros, subiram para 323,5 milhões de euros. Estima-se que a inauguração, marcada para setembro de 2010, fique para 2013. A construtora Hochtief se recusa a anunciar uma data vinculativa para a conclusão da obra, levando a municipalidade de Hamburgo a processá-la.

O grande problema: a sala de concerto

Heribert Leutner, diretor da associação municipal responsável pela obra, não sabe por que a empresa Hochtief não quer estabelecer um novo prazo de entrega das obras. Sabe-se apenas que a construtora tem problemas com a grande sala de concerto, uma estrutura de aço sem precedentes. "Até agora, a Hochtief não nos demonstrou em detalhes por que seu setor de construção em aço está tendo dificuldades", disse Leutner.

Então a comunicação entre o proprietário e a construtora só corre agora na base do processo? Para Leutner trata-se, sobretudo, de uma questão de responsabilidade, portanto de muito dinheiro. Caso a Hochtief não cumpra os prazos estipulados, estará exposta a severas multas contratuais. Segundo Leutner, a comunicação, apesar de realizada sob o signo da estratégia, não foi de nenhuma forma rompida.

Flash-Galerie Elbphilharmonie

Grande sala de concertos

Bombas ocultas

Mas pode ser que a grande construção no Porto de Hamburgo oculte surpresas ainda mais cabeludas para a cidade e seus contribuintes. Por isso, o Partido Social Democrata (SPD), de oposição, quer convocar uma comissão parlamentar de inquérito para esclarecer a situação.

Christoph Lieben-Seutter, diretor geral da Filarmônica do Elba e da Laeiszhalle, tradicional casa de concerto de Hamburgo, foi o primeiro a falar de um atraso na entrega da obra. Durante longo tempo, a Secretaria de Cultura da cidade evitou admitir o óbvio.

No entanto, Lieben-Seutter se mostra relaxado. Com uma imagem tão negativa na imprensa, é claro que fica mais difícil conquistar os patrocinadores necessários, argumenta. Além disso, o local só poderá ser alugado quando houver uma programação confiável. "Mas o projeto em si continua sendo inaudito e excitante", ressalvou.

Daria para sair mais barato

Christoph Lieben-Seutter

Christoph Lieben-Seutter

No momento, Lieben-Seutter organiza na Laeiszhalle e em outras salas de música "Concertos da Filarmônica do Elba", com programas como os que, um dia, a sala em construção irá oferecer.

Para Lieben-Seutter, a Filarmônica de Hamburgo tem duas identidades: "É uma casa de concertos e, ao mesmo tempo, um símbolo arquitetônico. Uma boa casa de concertos, dá para construir bem mais barato e mais modesto, isso ninguém discute".

Lamentável é que, em vez de um monumento arquitetônico, a Filarmônica está se tornando o símbolo de uma política fracassada. Pois em seu posto como diretor geral Lieben-Seutter também realiza projetos com crianças carentes. E são elas que irão sentir mais fortemente a falta do dinheiro que a futura marca registrada de Hamburgo está engolindo.

Autor: Dirk Schneider (DD)
Revisão: Augusto Valente