Festival de Cannes é vitrine para arte e plataforma comercial | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 13.05.2009
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Cultura

Festival de Cannes é vitrine para arte e plataforma comercial

Crise financeira atinge também os bastidores do Festival de Cannes: o número de festas que acontecem na cidade localizada na Côte d'Azur diminui, mas a presença de respeitáveis diretores de todo o mundo está garantida.

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Cartaz oficial do Festival de Cannes de 2009

Verdade seja dita: o Festival de Cinema de Cannes, cuja edição 2009 começa nesta quarta-feira (13/05), não tem concorrência. Embora outros festivais como Berlim ou Veneza reúnam também anualmente um número respeitável de profissionais, a concorrência à Palma de Ouro na Côte d'Azur ainda continua surtindo um efeito mágico em produtores, diretores, atores e distribuidores de todo o mundo.

E isso seis décadas após o primeiro festival realizado na cidade localizada ao sul da França. Quem tem seu filme exibido em Cannes, pode se sentir orgulhoso de poder divulgar seu trabalho a partir deste "selo de qualidade". Quem fica de fora, tem de se contentar com a posição de plateia.

Palmas para clássicos

É possível que o significado de Cannes fique ainda mais claro numa mera passada de olhos pelos nomes de filmes vencedores das últimas décadas. A maioria dos ganhadores de Palmas de Ouro se tornaram clássicos da história do cinema. Não houve praticamente nenhum ano em que a mostra competitiva não tenha reunido longas excepcionais no festival.

Filmszene Apocalypse Now vom Francis Ford Coppola

'Apocalypse Now': Palma de Ouro em Cannes em 1979

Seja O terceiro homem (Carol Reed), A doce vida (Fellini), Viridiana (Buñuel), O Leopardo (Visconti), Blow up: depois daquele beijo (Antonioni), Taxi Driver (Scorsese) ou Apocalypse Now (Coppola) – todos esses levaram uma Palma de Ouro. E a listra de ilustres ainda poderia ser complementada sem maiores dificuldades.

Politicamente corretos x esteticamente interessantes

Quem, por outro lado, ainda se lembra dos filmes vencedores do Urso de Ouro em Berlim ou dos premiados em Veneza nas últimas décadas? Na capital alemã, por exemplo, a tradição é a de premiar, todos os anos, obras "politicamente corretas", ao invés de filmes esteticamente interessantes. Isso tem também a ver com o fato de que a maioria dos grandes diretores prefere exibir seus filmes em Cannes, um festival que atrai mais atenções e pode impulsionar mais rapidamente a carreira de um cineasta.

Pode-se dizer que o Festival de Cannes escreve a história do cinema. Vencedores da Palma de Ouro como Adeus, minha concubina (China, 1993) ou 4 Meses, 3 Semanas e 2 dias (Romênia, 2007), representam também o desenvolvimento cinematográfico de nações inteiras.

Filmes que chamaram a atenção como Sexo, mentiras e videotape (1989), Coração Selvagem (1990) ou Pulp Fiction (1994) acabaram influenciando toda uma geração de cineastas no mundo inteiro.

Nouvelle Vague alemã

O cinema alemão também já teve seus dias de glória na cidade francesa, mesmo que os diretores do festival francês não tenham, por muitos anos, dado a devida atenção à filmografia do país vizinho. Em 1979, a adaptação de O Tambor para o cinema, por Volker Schlöndorff, ganhou em Cannes a Palma de Ouro. Em 1984, foi a vez de Wim Wenders com Paris, Texas.

Filmszene Paris, Texas von Wim Wenders

'Paris, Texas': melhor filme do festival em 1984

Fora isso, os filmes alemães costumam estar bem representados todo ano nas mostras paralelas, contribuindo assim para divulgar o cinema nacional fora do país. Em alguns casos, os filmes enviados a Cannes obtiveram mais sucesso de público no festival francês do que dentro da própria Alemanha. Longas de diretores berlinenses já foram festejados em Cannes, por exemplo, como uma Nouvelle Vague alemã.

A referência é, especialmente na França, um elogio respeitável, que remete a um dos movimentos cinematográficos mais significativos do pós-guerra na Europa. Um movimento do qual fizeram parte grandes cineastas franceses como François Truffaut, Jean-Luc Godard ou Claude Chabrol.

No início dos anos 1960, filmes destes diretores também foram exibidos em Cannes. No revolucionário 1968, Godard & cia. foram responsáveis por uma interrupção no festival, que, desta forma, demonstrava – pelo menos de maneira indireta – suas ambições políticas.

Festas e negócios

Mas, além disso, Cannes sempre foi, acima de tudo, um festival mundano, com direito à aparição das estrelas que transitam pelo famoso tapete vermelho, acenam para as câmeras e proporcionam um já lendário desfile de roupas. Desta forma, o festival se tornou também um ponto de encontro da imprensa sensacionalista, que extrai dali um bom arsenal de fofocas e manchetes.

Cannes também sempre atraiu estrelas hollywoodianas à croisette. As grandes distribuidoras norte-americanas já descobriram Cannes há muito como um ponto importante de divulgação de seus filmes, fazendo com que o festival se tornasse um local interessante em termos de marketing, com um volume de negócios considerável.

Nesta 62ª edição do festival, embora o número de festas e recepções deva ser menor em função da crise econômica e financeira, a presença de estrelas e das grandes distribuidoras de Hollywood está garantida. Pois Cannes é – e disso ninguém duvida – o número um entre os grandes festivais de cinema.

Autor: Jochen Kürten

Revisão: Roselaine Wandscheer

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