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Extremista de direita é condenado à prisão na Alemanha

24 de março de 2023

Suspeito de integrar o movimento Reichsbürger, que nega a legitimidade do Estado alemão moderno, foi sentenciado a dez anos de prisão e multa de 30 mil euros por atropelar policial.

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A imagem mostra as mãos algemadas do réu condenado por tentativa de homicídio de um policial na Alemanha. As mãos seguram uma pasta. O sujeito veste blusão vermelho.
Réu também foi condenado por lesão corporal, resistência e ataque a autoridades e dirigir embriagadoFoto: Bernd Weißbrod/dpa/Pool/dpa/picture alliance

Um homem que seria integrante do movimento de extrema direita alemão Reichsbürger foi condenado a dez anos de prisão nesta sexta-feira (24/03) pelo Tribunal Regional Superior de Stuttgart, no sul da Alemanha. O réu foi julgado e sentenciado por tentativa de homicídio de um policial, ocorrida em fevereiro de 2022.

Além da detenção por uma década, o homem de 62 anos terá de pagar uma multa de 30 mil euros por lesão corporal, resistência e ataque a autoridades, deixar o local do incidente sem autorização e dirigir embriagado. A sentença, no entanto, ainda não é definitiva.

O réu foi o primeiro possível membro do grupo radical a enfrentar acusações do Ministério Público Federal.

O Reichsbürger, que significa "Cidadãos do Império Alemão", é um grupo de extrema direita que nega a legitimidade do Estado alemão moderno, fundado após a Segunda Guerra Mundial, e acredita na existência do império fundado em 1871.

Conforme o tribunal, os policiais tentaram abordar o homem três vezes por excesso de velocidade na região da cidade de Lörrach, na fronteira com a Suíça.

Na segunda tentativa, ele jogou o carro para cima dos policiais, ferindo um deles com gravidade na cabeça. Na terceira, foi parado após a polícia disparar ao menos 25 tiros contra o veículo.

A Justiça de Stuttgart também informou que o policial segue incapaz de executar suas funções profissionais devido ao estresse pós-traumático. A carteira de motorista e o carro do suspeito foram confiscados.

Operação recente

O homem teria começado a se radicalizar em 2017, rejeitando a existência da República Federal da Alemanha e, portanto, também a Constituição e o sistema legal do país.

Em mensagens trocadas via chats, o homem descrevia policiais como "terroristas" e, em 2021, disse que tinha o direito de "eliminá-los sem punição".

O veredicto em Stuttgart ocorre apenas dois dias depois que a polícia alemã conduziu uma série de buscas ligadas ao Reichsbürger em oito estados e também na Suíça. Em uma das operações, um policial foi ferido após troca de tiros.

O ministro da Justiça da Alemanha, Marco Buschmann, escreveu no Twitter que 20 propriedades foram inspecionadas e destacou o perigo dessas operações para os policiais pelo fato de os radicais portarem armas.

"Um policial foi baleado. Isso mostra o quanto essas missões são perigosas. As autoridades do setor de armamentos devem desarmar o Reichsbürger", publicou.

As buscas de quarta-feira foram dirigidas contra cinco suspeitos que, segundo as autoridades, são das cidades de Munique e Chemnitz, da região de Hannover e da Suíça, e podem pertencer a uma organização terrorista.

"Cidadãos do Império Alemão"

O movimento Reichsbürger é composto por vários pequenos grupos e indivíduos, localizados principalmente nos estados de Brandemburgo, Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Baviera.

Eles não aceitam a legalidade das autoridades governamentais da Alemanha, se recusam a pagar impostos e declararam seus próprios pequenos "territórios nacionais", batizados com nomes como "Segundo Império Alemão", "Estado Livre da Prússia" ou "Principado da Germânia".

Membros do movimento negam a existência da Alemanha pós-Segunda Guerra e acreditam que o Estado atual não passa de uma construção administrativa ainda ocupada pelas potências ocidentais – Estados Unidos, Reino Unido e França. Para eles, as fronteiras de 1937 do Império Alemão ainda existem.

Em dezembro, 25 suspeitos foram presos em uma megaoperação que contou com a participação de 3 mil policiais. As buscas ocorreram em 130 casas, apartamentos e escritórios em 11 dos 16 estados alemães.

gb (AP, AFP, DPA, ots)