Exposição desvenda mitos sobre tribos germânicas | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 27.09.2020

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Cultura

Exposição desvenda mitos sobre tribos germânicas

Considerados bárbaros inimigos pelos antigos romanos, mas heroicos guerreiros pelos nazistas, os germânicos na realidade nem se viam como povo único. Duas exposições em Berlim mostram como eles viviam.

Ilustração de 1839 mostra homem loiro com barba como heroi mitológico

Armínio, Herrman em alemão, chefe guerreiro dos queruscos, herói germano

Logo no início da exposição arqueológica no Neues Museum, em Berlim, o visitante fica sabendo que os germanos não existiram, ou melhor, não houve povos independentes que se chamaram e se organizaram assim. Na verdade, trata-se de um grande número de tribos que viviam comunitariamente em aldeias e num território relativamente grande. Do século 1º ao 4º d.C., essas tribos germânicas colonizaram a área ao norte do rio Danúbio.

"Germanos: Uma Pesquisa Arqueológica" é o nome da exposição que elucida aspectos sobre a forma como eles viviam. "O que a torna especial é o fato de ser a primeira exposição em que as tribos germânicas que viviam nesta grande área entre o Reno e o Vístula são apresentadas em sua totalidade", diz o curador Heino Neumayer, do Museu de Pré-História e da História Antiga, de Berlim.Embora já tenha havido uma série de exposições sobre o assunto, a maioria delas mostrou apenas aspectos parciais, como a lendária Batalha da Floresta de Teutoburgo.

"Embora o país seja bastante diferente, quando visto como um todo é, em parte, horripilante por causa de suas florestas primitivas", disse o historiador romano Tácito, descrevendo o que ele chamou de "Germania" por volta de 100 d.C.. No entanto, achados arqueológicos na Alemanha, Dinamarca, Polônia e Romênia mostram um quadro diferente: as tribos germânicas viviam em aldeias sem estradas pavimentadas e não, como muitos romanos, em cidades, mas não se pode falar de florestas primitivas.

Vista aérea com áreas verdes e casas

Reconstrução digital de uma aldeia comunitária com terras cultivadas

Escavações provam que, em certas regiões, a cada 12 quilômetros havia assentamentos cercados por campos e prados. Alguns deles até podiam ser vistos a olho nu de uma aldeia a outra.

As tribos germânicas eram autossuficientes. Seu modo de vida era baseado na agricultura e especialmente na pecuária. O gado devia ter um alto valor, já que os arqueólogos encontraram um grande número de pequenas figuras bem elaboradas destes animais, que indicam um verdadeiro culto a essa espécie.

Tudo o que as tribos precisavam, elas mesmas faziam. Para isso, utilizavam todas as partes do animal, como pele, tendões e ossos, por exemplo, para produzir pentes. Muitos dos objetos expostos provam que essas comunidades possuíam excelentes ferreiros.

Joias e vasos, por exemplo, eram decorados usando ferramentas especiais. Os ferreiros eram bem versados no processamento de metais preciosos e alguns deles até migravam pela região como artesãos itinerantes. Assim, iam adquirindo novas habilidades, inclusive dos romanos, com os quais as tribos germânicas estavam frequentemente em guerra.

O destaque da exposição mostra uma técnica híbrida: para fazer uma bossa, a protuberância no centro de um escudo, um ferreiro usou um recipiente romano do século 3 d.C., que ele dourou usando uma técnica também aprendida dos romanos.

Taça antiga de prata de cabeça para baixo presa em uma bandeja

Parte central de um escudo feito de um recipiente romano em prata

Após o inventário arqueológico demonstrar de forma convincente que as tribos germânicas não eram bárbaros incultos, como foi transmitido principalmente pelos inimigos romanos, uma exposição adjacente investiga as razões da forma distorcida como eram vistas essas tribos.

Assim a mostra "Germanos: 200 Anos de Mitos, Ideologia e Ciência", no Neues Museum, conectado no subsolo com a Galeria James Simon, faz uma autocrítica do próprio papel dos museus de Berlim. Entre outras coisas, é mostrado um filme de propaganda nazista destinado a apoiar o culto aos germanos no qual aparece um objeto da exposição. No filme, o símbolo da suástica foi especialmente realçado em cores para provar as raízes germânicas propagadas pelos nazistas.

Para Neumayer, ambas as exposições têm um significado especial. "O termo 'germânico' voltou a ser muito utilizado – e mal usado – pela nova direita. Nós, arqueólogos, queremos contestar isso. O que é propagado sobre os germanos está ultrapassado. Não é um povo ou uma nação", destacou.

Afinal, segundo ele, o termo foi introduzido para dar uma noção aos romanos sobre todas aquelas tribos que viviam ao norte dos Alpes. A exposição dupla segue até 21 de março de 2021 na Ilha dos Museus em Berlim e mostra como estas tribos eram diversas e que ainda há muito a descobrir sobre elas.

Adaptação: Roselaine Wandscheer

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